O PT se afirmou como partido político pela sua luta aguerrida em defesa da moralidade pública, da legalidade e da transparência, movida – como assinala o jornalista Ricardo Noblat – “por santa indignação diante de desmandos e disposto a denunciar tudo que lhe parecesse errado e incapaz de ser tolerente com pequenos e grandes pecados”.
Os petistas e governistas do Piauí se viram acuados, esta semana, com denúncias contra o Governo do Estado, mais especificamente contra a Emgerpi – Empresa de Gestão de Recursos do Piauí. O órgão é acusado de encabeçar um esquema de desvio de recursos públicos, licitações fraudulentas e financiamento de campanhas eleitorais.
Numa atitude coerente com o passado do PT, o líder do Governo, deputado Cícero Magalhães, tomou a iniciativa de, antes da oposição, convocar a presidente da empresa, Lucile Moura, para comparecer à Assembléia Legislativa e prestar esclarecimentos sobre as acusações. Ela, num gesto também condizente com a história do PT, se prontificou a estar na Assembléia quantas vezes se fizerem necessárias.
Só que, enquanto articulava a ida da presidente da Emgerpi à Assembleia, o líder do Governo manobrava, também, estranhamente, para que a Casa deixasse de convidar o principal personagem dessa história, o estudante universitário Jaylles Fenelon, ex-membro da Central de Contratos e Convênios da Emgerpi, e autor das denúncias contra a gestão da empresa. Dá para entender isso? Como pode a Assembleia, por decisão da bancada do governo, ouvir apenas a defesa e descartar o acusador?
Que o Piauí não caminhe para fabricar um novo Fracinildo, aquele caseiro piauiense que, depois de denunciar o então todo-poderoso ministro da Fazenda, Antônio Palocci, foi triturado pelo governo e pelo PT.
Um empresário com estreitas ligações com o governador Wellington Dias brincava, no início de seu primeiro mandato, que “a humildade havia subido à cabeça do governador”. Fazia sentido. De fato, Wellington construiu a imagem de um bom moço, a de um governante de gestos simples, ponderado e cativante.
Com esses trunfos, a sua inegável habilidade política e a caneta, ele acabou com a oposição no Piauí, adestrou a mídia e cooptou os sindicatos que faziam barulho à sua porta. Desde então, governa praticamente sem questionamentos. E a sua aprovação popular, segundo as pesquisas também pagas pelo governo, é espetacular.
Mas, quando já caminha para o final de seu mandato, o governador dá demonstração de que a humildade desapareceu e o poder está subindo à sua cabeça. Somente isso explica a sua decisão de chamar à polícia, para prestar depoimento, o jornalista Toni Rodrigues, do portal 180graus.
O motivo? O jornalista divulgou, em seu veículo, em abril passado, que o governador recebeu um prêmio, em São Paulo, e depois os organizadores apresentaram uma fatura, de forma dissimulada, no valor de R$ 67 mil. Outro governador que recebeu o mesmo prêmio foi o do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), que acaba de ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Pois bem! No início de abril do ano passado, as revistas Época e IstoÉ publicaram notícias dando conta do envolvimento do governador do Piauí com os escândalos da construtora Gautama (no programa Luz Para Todos) e da Finatec. O que fez o governador? Convocou uma entrevista coletiva no Palácio de Karnak e esbravejou que iria processar as duas publicações por calúnia e difamação. Nunca mais se falou no assunto! O governador não teve peito para brigar na justiça com dois veículos da “grande mídia”.
Agora, contra o jornalista Toni Rodrigues, um profissional humilde e sem posses, o governador resolve jogar sua Polícia para cima dele. Para quem entende do direito, sabe que este é o primeiro passo para a formatação de um processo criminal.
Por que, ao invés de mandar a intimação policial para o jornalista Toni Rodrigues, o governador não acionou, à época, a sua poderosa e infernal máquina de comunicação e de propaganda para negar o fato? O governador não fez isso porque seu plano é outro: calar, através da intimidação, uma das poucas vozes que fazem críticas ao seu governo.
Já que andou até aqui sem esses expedientes deploráveis, próprios dos ditadores, o governador bem que poderia se esforçar um pouco mais para não correr o risco de passar à história, mais adiante, como mais um lendário Rei da Cocada Preta.
Não é hora para pré-julgamentos, em relação às recentes denúncias contra o Governo do Estado, embora as acusações feitas sejam consistentes e baseadas em documentos. As investigações, a cargo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, por certo se encarregarão de tirar as denúncias a limpo.
Mas, para mim, sempre soou um tanto estranha a decisão do governador Wellington Dias de dar superpoderes à Emgerpi (Empresa de Gestão de Recursos do Piauí). E minha desconfiança já começou pelo nome do órgão. Que recursos? Será que é por isso que a empresa desandou a cuidar tanto de recursos hídricos quanto de recursos financeiros?
O governador criou a Emgerpi da fusão de diversos órgãos, como Cohab, Prodepi, Ceasa, Comdepi e Prodepi. Curiosamente, a empresa passou a ser o braço operacional do governo. A Emgerpi passou a fazer o que era e o que não era da competência dela, teoricamente. E entrou com tanta voracidade no ramo que esvaziou outras pastas do governo.
Por exemplo: começou a construir estradas, mesmo já existindo o DER e a Secretaria de Transportes; passou a construir casas, mesmo com a existência da ADH (Agência de Desenvolvimento Habitacional); a fazer obras de infraestrutura turística, mesmo existindo a Piemtur e a Secretaria de Turismo; a fazer muros de escolas, mesmo existindo as Secretarias de Educação e de Infra-Estrutura, e até mesmo a executar campanhas de combate à dengue, tarefa mais afeita às Secretarias de Saúde do Estado e dos municípios.
A Emgerpi recebeu encargos de tal ordem que se meteu até em barragens. E tanto conhecia do ofício que a tragédia de Algodões I, em Cocal, explodiu em suas mãos!
Por que o governador deu tanta força à Emgerpi? Foi por que o novo órgão demonstrou competência acima da média ou por que os demais se mostraram incompetentes? Ou há outra pergunta e outra resposta?
"Algodões: uma pergunta em aberto", com esse título o bispo diocesano de Parnaíba, Dom Alfredo Sháffler, escreveu, jornal Millenium, informativo da Diocese de Parnaíba, edição maio/junho-2009, o artigo que se segue:
“Era uma bela paisagem no vale do rio Piranji, com muitas plantações aproveitando as águas que vazavam da barragem Algodões. Não somente no povoado Franca, mas também outros povoados que neste vale viviam uma vida tranqüila. Porém, sempre havia um certo suspense em relação à barragem. Esta interrogação pairava na mente de muitas pessoas da região de Cocal. Pessoas que não tivessem título acadêmico, mas pessoas de bom senso, de amor à honestidade que acompanharam a construção da barragem, e viram com os próprios olhos o material utilizado para erguer aquela parede de mais de 50 metros de altura.
Mesmo quando um técnico vindo de longe deu o parecer que não haveria risco nenhum, os mais prevenidos não acreditaram e salvaram assim as suas vidas. Porém, aquelas que retornaram às suas casas, confiados em laudos técnicos, mesmo que tenham escapado com vida, nada lhes restou para o seu sustento e sobrevivência. Nem colher, nem prato, nem peças de roupa conseguiram carregar na hora do grito, quando as águas já estavam chegando.
“A necessidade e o sofrimento unem mais do que a fartura.” Isso foi provado novamente. Quanta solidariedade presenciei no meio do povo de Cocal, do nosso Piauí e de outras partes do Brasil, assim como também as autoridades públicas. Algo bonito que edifica a nobreza de nossa gente.
Porém, diante do ocorrido, ficam perguntas abertas: quantos açudes e barragens temos no nosso Nordeste? Umas até construídas ainda no tempo do império! E uma barragem que foi construída há dez anos não resistiu à força das águas das chuvas. – Por quê? O material que constava nas planilhas da construção foi efetivamente aplicado?
Em regimes totalitários, a verdade dos fatos sempre foi camuflada. Hoje vivemos em plena democracia. Cremos, portanto, que a sociedade tem o direito de conhecer a verdade. Tantos povoados foram arrasados, onde moravam muitas famílias. Diante de uma tragédia tão grande, fica difícil acreditar que foram apenas seis ou oito as pessoas que perderam a vida. Será que existe medo da verdade?
Será que esta barragem agora não tem mais dono? Ou está se pensando que este povo não tem direito a uma indenização justa?”
Os governistas se encarregaram de espalhar, através da mídia, no final de semana, que o governador Wellington Dias recebeu convite da ministra das Minas e Energia, Dilma Rouseff, para coordenar a sua campanha à presidência da República no Nordeste. Para tanto, o governador teria que cumprir o seu mandato até o final.
A notícia sobre o convite procede, mas a permanência de Wellington no governo até o último dia é uma possibilidade remota. Aliás, remotíssima. O governador está em plena campanha e não deixará o cavalo do Senado passar selado à sua porta sem montar nele.
Além do mais, a Folha de S. Paulo, em sua edição on line, especulou que o presidente Lula estaria mais interessado em eleger senadores pelo PT do que propriamente governadores. Como é sabido, o PT piauiense não tem nenhum nome de peso para disputar o Senado, além do governador.
O que os governistas estão querendo é passar dois recados: o primeiro é para o vice-governador Wilson Martins, para que ele se acalme. O segundo é para o senador João Vicente Claudino, para que ele não perca as esperanças de ser candidato a governador com o apoio do esquemão que está no poder.
Wilson já entendeu o aviso. Os jornais de ontem trouxeram declarações suas dando conta de que “ninguém consegue construir uma candidatura majoritária empurrando de goela abaixo, sem discutir com os partidos que integram a base aliada”.
O senador João Vicente também entendeu o recado. Sempre arredio às solenidades oficiais, ele foi ontem a São Raimundo Nonato, na abertura do Festival de Arte Rupestre, para apertar a mão do governador.
O Ministério Público Estadual marcou para amanhã, a partir das 9 horas, uma audiência pública, para discutir a retirada de símbolos religiosos das repartições públicas. O movimento é encabeçado por 14 organizações da sociedade civil de Teresina, que invocam preceito constitucional para derrubar a imagem de Cristo das paredes. Valho-me das palavras do presidente Lula, ditas sobre outro assunto, mas perfeitamente adequadas a esse movimento: “temos coisas mais importantes para discutir”.
A propósito, como forma de contribuir para que esse movimento siga longe da histeria, que não serve nem à democracia nem à religião, trascrevo trechos do artigo “O crucifixo nos tribunais”, do jornalista e escritor Gilberto de Mello Kujawski, membro do Instituto Brasileiro de Filosofia, publicado há quase dois anos no Estadão (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20070913/not_imp50884,0.php):
"O juiz gaúcho Roberto Lorea, em artigo na Folha de S.Paulo assim se manifestava: “A ostentação de um crucifixo no plenário do STJ é inconstitucional porque viola a separação entre o Estado e a Igreja, ferindo o direito à inviolabilidade da crença religiosa, que é assegurada a todos os brasileiros” (24/9/2005).
Em outro trecho de seu brilhante artigo, Lorea distrai-se um pouco e escreve: “A questão é aceitar que o Brasil é um país laico...” Data venia do digno magistrado, ele labora em confusão. Não é o Brasil que é um “país” laico. O Brasil é, isso sim, um país majoritariamente católico, apostólico, romano, sim, senhor. Laico é o Estado, não o país, a nação, a sociedade brasileira. A laicidade estatal não se estende por lei ou decreto a toda a nossa sociedade. Pensar o contrário e admitir que o Estado absorve em si a sociedade significa incidir em cheio no totalitarismo.
Afinal, que quer dizer separação entre Estado e Igreja? Quer dizer, essencialmente, independência. Nem o Estado manda na Igreja, nem esta no Estado. Mas independência não implica isolamento nem incomunicabilidade. Os Poderes da União, Executivo, Legislativo e Judiciário, são independentes e harmônicos entre si (artigo 2º da Constituição). A independência não exclui a conjugação nem a colaboração entre os Poderes, contanto que um não interfira no outro.
Não é justa a opressão imposta pelas minorias religiosas à maioria católica. Se tomada ao pé da letra, a separação entre Estado e Igreja exigiria a supressão de todos os feriados nacionais de cunho religioso: o Natal, a Sexta-Feira Santa, Finados, Corpus Christi e Nossa Senhora Aparecida.
O Estado brasileiro é laico e está separado da Igreja. Sim, mas entre Estado e Igreja persiste, ainda e sempre, o vínculo social e cultural da religiosidade católica vigente entre nós durante cinco séculos".
O senador João Vicente Claudino terá que vencer pelo menos cinco grandes obstáculos para ser candidato a governador nas próximas eleições. Embora ele ainda sonhe em concorrer pelo governo, esta é uma hipótese cada vez mais remota. A partir de abril, o governador será Wilson Martins, que não abre mão de ser candidato. Se Wellington Dias ficar no governo até o final do mandato, sacrificando sua candidatura ao Senado, será para apoiar o candidato do PT, e não João Vicente. Eis, então, as dificuldades que aguardam a candidatura do senador ao Palácio de Karnak:
1. Como, ao que tudo indica, ele só deixaria o governo no último dia, com que discurso faria uma campanha de oposição um dia depois de sair do governo?
2. Fazer uma campanha contra um governador que está entrando, com todo o gás, sairá muito caro. Ele estaria disposto a pagar esse preço?
3. Na oposição, o senador criaria dificuldades para os negócios do grupo empresarial de sua família junto ao governo. Governo algum paga as faturas de quem está contra ele.
4. Na oposição, seus aliados suportariam a pressão do governo?
5. Em 2010, ele ainda terá pela frente mais quatro anos de mandato de senador. Como é jovem, pode aguardar ventos mais favoráveis, da mesma forma que esperou para ser senador.
A não ser que o quadro se modifique completamente até lá, este é o cenário que aguarda o senador João Vicente Claudino em 2010.
O senador João Vicente Claudino (PTB) está satisfeito com a condução do processo sucessório estadual pelo governador Wellington Dias. Pelo menos foi o que ele declarou ontem, ao comentar a questão. A sua posição é a de quem ainda sonha em ser candidato a governador com o apoio do governo e toda a base aliada.
O senador avalia que a base governista é forte e é ampla, daí o surgimento de quatro pré-candidaturas. Além dele, estão no páreo o vice-governador Wilson Martins (PSB), o secretário de Fazenda, Antônio Neto (PT) e o deputado federal Marcelo Castro (PMDB). Todos estão em campanha.
Para João Vicente, o governador tem as rédeas da sucessão nas mãos: “O governador Wellington Dias é uma pessoa que desenvolve esse processo. Ele é que norteia o destino das coisas”, declarou. O senador disse que todos os partidos da base têm se conduzido de forma equilibrada em relação a 2010.
“Aqui e acolá há uma ou outra manifestação mais apaixonada, mas isso é natural”, ponderou, sem querer esticar a corda com os petistas que já criticaram a sua candidatura, como o deputado federal Nazareno Fonteles e o líder do partido na Assembléia Legislativa, deputado João de Deus.
Nos últimos dias, o senador tem procurado se aproximar mais dos petistas, a exemplo do que faz há mais tempo o vice-governador Wilson Martins. Sempre arredio a solenidades oficiais, o senador já decidiu, inclusive, que vai procurar participar mais delas, a fim, justamente, de estreitar mais as relações com os petistas. Seu interlocutor no partido tem sido o governador.
Não é fácil fazer jornalismo, como imagina o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo. Quando o jornalismo é açucarado, diz-se que o governo está molhando a mão da imprensa, que está comprando a mídia para falar bem dele. Diz-se, enfim, que a imprensa é chapa-branca. Quando o jornalismo é apimentado, diz-se que é de oposição, que ele dá azia até em sonrisal, etc. Quando não faz nem uma coisa nem a outra, diz-se que é insosso, que a imprensa está em cima do muro.
Ontem, vi o secretário de Turismo, homem de marketing, reclamar na televisão das críticas que se faz ao “Aeroporto (sic) Internacional (sic) de São Raimundo Nonato”. Para não prolongar a conversa, ele sentenciou: “Aviação é pista. Só precisa de pista”. Pronto! Quem ainda falar em casa de passageiro, torre de controle de tráfego, segurança de vôo, balcão de atendimento, sanitários, etc. é porque não sabe o que é um aeroporto. Ou, então, é contra o governo!
Mas não foi só isso. O secretário cogitou formar um concílio, envolvendo cientistas políticos, psicólogos, antropólogos e outros profissionais, para saber por que se fala tão mal do seu governo. Eu, de minha parte, topo o exame.
Só quero que, antes, o secretário me diga onde estão os aviões superlotados de turistas europeus que seu governo anunciou, reiteradamente, que pousariam no também Internacional Aeroporto de Parnaíba.
Caso contrário, vou continuar pensando que o secretário entende de turismo do tanto que eu entendo de foguete da Nasa.
Toda vez que se configura um provável afastamento do governador Wellington Dias para se candidatar ao Senado, aparece no Piauí um figurão do PT, destes vezeiros nas páginas dos jornais – ora arrotando arrogância, ora enrolados nos escândalos políticos e administrativos que de tão rotineiros já caíram na banalização. Ninguém, ou quase ninguém, se choca mais com denúncia de corrupção.
A partir destas visitas, surgem então os dependentes do governador com imposições e ameaças ao mesmo tempo, exigindo o seu sacrifício em prol da eleição dos demais companheiros de partido. O que poucos lembram é que, há sete anos passados, o então deputado federal Wellington Dias entrou de cabeça na candidatura a governador com poucas chances de vitória. Candidatou-se em nome da causa do partido.
Naquela época, correu o risco de perder a eleição para construir uma bancada do PT. O projeto inicial de Wellington era ser candidato a senador, em 2002. Mas hoje, que tem eleição praticamente certa, segundo as pesquisas de intenção de voto, surgem os filhotes nascidos do seu ato de coragem a exigir seu sacrifício.
Certamente esses não acreditam no que tanto pregam, que são os tão decantados feitos do PT e querem porque querem ter a cabeça de chapa com a caneta na mão. Por que não lançam seu próprio candidato a governador e a senador? Se dominam a legenda do partido e acham que têm o apoio maciço da opinião pública, o que temer? Afinal, este partido tem o quê? Pelo que se sabe, imagem e poder. Ou será que a imagem só existe se contar com o poder?
Há quem diga que Sílvio Mendes tem mais coragem, pois, se for candidato, terá que se afastar antes da metade do mandato, entregando o comando da prefeitura a um vice de uma legenda também postulante ao governo. Será que o PT quer transformar o herói da sua redenção no bobo da sua derrocada, exigindo de Wellington que renuncie ao seu próprio futuro? O que era o PT do Piauí antes de sua chegada ao poder?
É bom que o governador reflita sobre este momento ímpar de sua vida, tendo cautela com certos amigos, porque os inimigos nunca lhe farão mal. Deles sempre se espera o combate de peito aberto. Desde César, o romano, as punhaladas sempre são desferidas pelos que gozam da confiança do imperador, pelos que estão muito próximos deles, alguns posando até de guarda-costas.
Em matéria de aeroporto, eu confesso que sou um “voador”. E ele sendo “internacional”, aí é que meu conhecimento é pouco mesmo. Talvez – ou certamente – por isso, não entenda bulhufas do que acontece em relação ao “Aeroporto Internacional de São Raimundo Nonato”. Então, quem souber, me responda, se puder:
1 . Por que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) autorizou a operação do “aeródromo” da Serra da Capivara mesmo sabendo que na cidade de São Raimundo Nonato não existe, sequer, uma brigada contra incêndio?
2 . O aeroporto é cercado com arame. Isso vai impedir a entrada na pista dos animais silvestres, como raposas, gambás, tatus, etc...?
3 . A equipe local do Samu não tem treinamento nem estrutura para atuar no socorro de vítimas de eventuais acidentes aéreos. E o caso do hospital regional é ainda mais grave: estão fazendo reformas na praça e na estrutura da fachada, mas dentro impera o caos, macas e doentes pelos corredores. O hospital não dispõe de UTI e os próprios médicos reclamam da estrutura. Dá pra fazer turismo sem um suporte mínimo de saúde?
4. O lixão da cidade, que ficava bem próximo do aeroporto, foi aterrado para evitar a aglomeração dos urubus. A Anac está sabendo que a medida não obteve sucesso, pois centenas de urubus estão nas imediações do matadouro, que fica na estrada para o aeroporto?
5. A Anac fez uma inspeção técnica para autorizar o funcionamento do “aeródromo” da Serra da Capivara ou o registro saiu com base apenas no relato verbal de um auxiliar do governo do Piauí que se deslocou até Brasília para trazer a autorização?
Até parece implicância, dirão alguns. Eu mesmo às vezes me pego pensando também que se trata de marcação contra o governo. Afinal, pra que tanta crítica? Mas não é isso. É que esse governo erra demais, erra tanto que eu fico até constrangido em ficar apontando todos os seus erros. E, na arte da dissimulação, ele é imbatível.
Então, faço vista grossa para muita coisa. Mas outras, infelizmente, não podem passar ao largo, pois saltam aos olhos. É o caso, por exemplo, do Aeroporto de São Raimundo Nonato, que será oficialmente inaugurado na próxima segunda-feira, na abertura do Festival Internacional de Arte rupestre.
Primeiro, o governo disse que se tratava de um aeroporto internacional. Mas não é nem um aeroporto, muito menos internacional. Trata-se, na verdade, de um aeródromo. Aeródromo e aeroporto são coisas parecidas, como peba e tatu, mas muito diferentes, também, como peba e tatu.
Veja as definições de ambos, segundo o Regulamento de Tráfego Aéreos para Vôos, de Paulo Roberto Almeida, publicado pela Escola de Aperfeiçoamento e Preparação da Aeronáutica Civil, homologada pelo DAC (Departamento de Aviação Civil):
“Aeródromo – área definida sobre terra ou água, destinada à chegada, partida e movimentação de aeronovas”.
Aeroporto – aeródromo público dotado de instalações e facilidades para apoio de operações de aeronaves e de embarque e desembarque de pessoas e cargas”.
Trocando em miúdos: em São Raimundo Nonato, não existe aeroporto. Há um simples aeródromo. É só uma pista, sem torre de controle de tráfego, estação metereológica, segurança de vôo, casa de passageiros, sem balcões de atendimento, lanchonetes, cabines telefônicas, sanitários, . É pura improvisação. E é aí que vão receber pesquisadores e turistas de 39 países. Uma coisa é certa: poucos ainda voltarão ao Piauí!
E mais: que história é essa de “aeródromo privado”? Pelo visto, não passa de uma gambiarra para conseguir a autorização da Anac. Nunca esse aeroporto foi apresentado como particular. E onde está a licitação para entregar de mão beijada, a uma empresa privada, o “aeroporto” construído com recursos públicos?
A tragédia de Algodões resultou de uma sucessão de malabarismos midiáticos como esses. O governo se preocupou mais em fazer pantomimas do que em fazer os consertos da barragem e pôr as famílias em segurança. Deu no que deu!
Os turistas estrangeiros e brasileiros que devem chegar ao Piauí no próximo final de semana, para participar do Global Rock Art, evento científico internacional que acontecerá na cidade de São Raimundo Nonato (525 km de Teresina), terão que enfrentar quilômetros e mais quilômetros de buracos, se seguirem por terra, evidentemente. As rodovias da região se encontram em situação precária.
Se o visitante chegar por Teresina e desejar se deslocar até São Raimundo Nonato, existem duas opções, ambas recheadas de crateras e buracos. Para quem optar seguir via Floriano, encontrará uma rodovia razoável nos primeiros 250 quilômetros. Dali em diante, passando pelas cidades de Itaueira e Canto do Buriti, os buracos chegam a ocupar toda a pista, obrigando os motoristas e seguir pelo acostamento. O índice de acidentes nesse trecho é escandaloso. Além disso, não existe nenhum tipo de vigilância nessa rodovia, o que certamente contribui para o clima de insegurança nas estradas.
Caso deseje seguir pela estrada que passa pela cidade de Oeiras, o drama se repete. Da capital até Oeiras, a rodovia está em boas condições, no entanto, dali em diante, entre as cidades de Colônia e Simplício Mendes, os buracos estão por todos os lados, muitas vezes camuflados pelo mato que chega a ocupar parte da pista. Para piorar a situação, em alguns trechos existem quebra-molas sem nenhuma sinalização.
Para quem chega ao Piauí vindo de Brasília, a irresponsabilidade e incompetência do Governo do Estado mostra sua cara no trecho entre as cidades de Eliseu Martins e Canto do Buriti. São tantos buracos nessa rodovia que até mesmo os trabalhadores do fracassado projeto Brasil Eco-diesel abandonaram o cultivo da mamona e hoje se dedicam a jogar terra nos buracos em busca de alguns trocados.
Outra opção para quem chega ao Piauí pela Bahia ou Pernambuco são as rodovias que passam por Picos e Petrolina. Em ambos os casos, os turistas serão recebidos por buracos e muita poeira. No trecho entre Remanso, na Bahia, e São Raimundo Nonato, o trânsito é praticamente inviável devido ao grande número de crateras na rodovia. Quem optar por Picos, segue o mesmo drama, seja no trecho que passa pela cidade de Paulistana ou pelo trecho Colônia - Simplício Mendes.
(Com informações de Weslley Moreira, do portal srn.com..br)
O presidente Lula prometeu “olhar com carinho” para o problema financeiro que os municípios estão enfrentando por causa da redução dos valores que recebem da União por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Mas até agora o governo só pagou mesmo o que foi recomendado pelo TCU.
Na avaliação do deputado federal Júlio César, em valores corrigidos, nos três primeiros meses de 2008, as prefeituras receberam R$ 13,6 bilhões. Em em 2009, até o fim de março, os repasses foram em torno de R$ 11,9 bilhões, ou seja 12,5% a menos. Ele calcula que, entre o fim de dezembro e 20 de março, o valor repassado pelo governo federal para os municípios foi de 7,5% menor do que o previsto.
Em 2008, o parlamentar solicitou ao Tribunal de Contas da União uma auditoria sobre os recursos de ações judiciais e, no segundo semestre, o TCU encaminhou para o deputado Júlio César, por meio da Comissão de Finanças e Tributação (CFT), um relatório recomendando o pagamento de mais de R$ 1 bilhão arrecadado por meio dessas ações.
Este ano, o Tesouro fez pagamentos por classificação provisória. “... o governo aprovou no Congresso Nacional a MP 462, onde repassaria R$ 1 bilhão aos municípios, mas usou de esperteza e repassou somente as ações judiciais que já eram devidas, mas ainda falta mais de R$ 300 milhões”, explicou Júlio César.
O Fundo Nacional dos Municípios (FPM) é formado por parte da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que também estão caindo. Da mesma forma, cai a receita do ICMS, recolhido pelos Estados, que transferem para as prefeituras parte do que arrecadam. Trocando em miúdos, a crise não poupa nenhum nível de governo.
Pois é! Também vou meter a minha colher nesse cozidão em que se transformou a decisão do Supremo Tribunal Federal que acabou, na semana passada, por 8 votos a 1, com a exigência do canudo de jornalista para o exercício da profissão. Muita gente aplaudiu o STF e muita gente, também, ficou emburrada com a sua decisão, chorando sobre o leite derramado. Mas - atentai bem! - pelo que sei, só quem está se dando bem com leite derramado é Chico Buarque, que deu este título ao seu último livro e está vendendo como água.
O barulho em torno da queda do diploma não é para menos. O jornalista, embora não ofereça riscos à vida de terceiros, como bem enfatizou o presidente do Supremo, mexe com a vida de muita gente, para o bem ou para o mal. Daí a repercussão do assunto.
Mas eu pergunto: por que, para derrubar o diploma, o ministro Gilmar Mendes comparou a atividade do jornalista à de cozinheiro? Seria algum ato falho freudiano? É! Não é a Justiça que tem a mania de cozinhar em "banho-maria"? Ou será que é por que os jornalistas são dados a "frituras" de personalidades, especialmente daquelas que se desviam de suas funções? Ou será, ainda, que é por que os escândalos políticos brasileiros sempre acabam em pizza? Não sei. Sinceramente, não sei.
Penso, entretanto, que, nesse mingau, o ministro misturou alhos com bugalhos. Ou será que é por que o jornalista, quando não é insosso, carrega no sal e, por muitas vezes, deixa também o seu prato apimentado, provocando azia?
Pelo arrazoado do presidente do Supremo, desconfio que temos que cuidar urgentemente de novas regulamentações de outras profissões, aquelas que representam perigo à vida humana. Quem tem poder de causar riscos à vida alheia, no exercício de sua profissão? Médico? Engenheiro civil? Policial? Nem um desses tem mais poder de fogo, na questão da ameaça à vida, quanto o piloto de avião!...
Bem, o fato é que, pela decisão do Supremo, a partir de agora qualquer sujeito que não der certo em sua profissão pode tentar o jornalismo. E por que não? Mas não é preciso ir a outra faculdade, não. Pode sair direto do "Brasil Alfabetizado" para uma redação. Segundo o ministro, diploma não põe talento em ninguém. Nem, tira, não é?
Mas, cá pra nós, diante de tudo isso, eu fico assim com a sensação de que, em pleno século 21, na era da informação, jornalista de verdade, sem diploma, fica meio capenga. Ou meio capanga.
Em artigo que escreveu para os jornais regionais e publicado, ontem, com exclusividade, no Piauí, pelo Diário, o presidente Lula anuncia que hoje “será um dia iluminado para todos nós”. E deu o motivo: “Com a inauguração de mais 39 ligações de eletricidade, no Assentamento Robson Vieira, no município de Congonhinhas, Paraná, estaremos ultrapassando a marca de 2 milhões de ligações do programa Luz para Todos, que estão beneficiando nada menos que 10 milhões de brasileiros”. E prossegue:
“Mas o nosso objetivo não se limitou apenas à iluminação das casas. Proporcionamos também os meios para que as famílias passassem a utilizar a energia na produção, aumentando seus rendimentos. O uso de equipamentos elétricos facilita o trabalho no campo e permite que muitos saiam da cultura de subsistência para a comercialização dos excedentes. Moinhos, fábricas de fundo de quintal, processadores de farinha de mandioca estão multiplicando a produção. Outros resultados extraordinários para essas comunidades longínquas: o acesso à comunicação, escolas com aulas noturnas, postos de saúde com refrigeradores para armazenar vacinas e outros medicamentos”. O presidente enfatiza:
“O sucesso do programa é inquestionável. A meta de 2 milhões de famílias, estabelecida em 2003, com base no déficit de energia apontado pelo censo demográfico do IBGE, foi ultrapassada. Nos trabalhos de campo, no entanto, detectamos que a demanda por energia era maior, de cerca de 3 milhões de famílias. Com isso, estamos estendendo o programa, de maneira a atender mais um milhão de famílias de agora até o final de 2010. Nosso objetivo é levar luz para todos os brasileiros”.
É uma pena que o Piauí não possa participar dessa festa. Aqui, conforme levantamento do próprio Ministério das Minas e Energia, o programa Luz Para Todos alcançou o pior desempenho de todo o país. A meta inicial era levar energia elétrica para 147 mil famílias. Mas, até o ano passado, menos de 20 por cento do projeto haviam sido executados. Assim, o Luz Para Todos, apresentado como um sucesso nacional, foi um fracasso total no Piauí. Por vários motivos. Os principais: a esperteza e a incompetência. A esperteza levou o programa à corrupção e a incompetência não foi capaz de dar celeridade às obras de eletrificação.
O programa melhorou, de fato, do ano passado para cá, depois da mudança da diretoria da Cepisa. Mas os números ainda são muito modestos. Em janeiro passado, por exemplo, a empresa bateu o recorde de 1.606 ligações concluídas em 42 municípios piauienses. Ao todo foram concluídas 45.629 ligações e estão em andamento 21.000. A partir de julho próximo, quando estiverem concluídos os dois processos de contratação de 80 mil ligações, o número de ligações mensais deverá ser superior a 7 mil. Nos próximos dois anos, a Cepisa deve realizar mais de 105 mil ligações de energia elétrica.
Ou seja, aqui, a meta do programa é sempre adiada, o que transforma o Luz Para Todos, no Piauí, em um apagão no fim do túnel.
Nas rodas políticas, não se fala em outra coisa a não ser na sucessão estadual. Só que desta vez o debate está mais sofisticado, pois, quando faltam os votos aqui no Piauí, se diz que sobram articulações lá... em Brasília. Afinal, o que a Corte decidir os súditos terão que se submeter e obedecer.
A regra é muito simplista, mas os fatos de passado recente dizem o contrário. Toda vez que se tentou arrumar demais a casa o povo virou a mesa e deu o seu recado. O mais intreressante, nessas conversas, articulações e especulações, é que querem medir o potencial do candidato é pela quantidade de dinheiro que se presume possuir ou pela quantidade de tinta que a caneta possa conter. Em outras palavras, mensagem positiva ou plano de governo que é bom e o povo espera, “necas”!
Tudo está se restringindo, então, ao que é alheio, ou seja, ao dinheiro alheio ou à tinta da caneta alheia. Ou, como se diz no jargão popular, à pólvora alheia, com a qual se atira sem se tomar chegada.
Nessas estratégias febris de conquista ou manutenção do poder, quase ninguém se dá conta que o que mais se vê hoje em dia, por este Brasil afora, são políticos, entre eles governadores, prefeitos e parlamentares, perdendo o mandato por falta de decoro, abuso de poder econômico ou uso indevido da máquina pública em campanhas políticas.
Talvez aqui no Piauí tanto desdém se deva ao fato da certeza de que tudo só acontece por último. Mas o fato é o que TRE vem bravamente desmistificando esta cultura do “derradeiro”. De vez em quando, dá um duro recado aos transgressores das leis e dos bons costumes. Porém, ainda existem aqueles que se acham imunes a qualquer sanção por parte das instituições que tentam colocar o Brasil dentro do contexto de uma Nação decente e respeitada.
Nunca é demais relembrar aquela célebre frase de John Randolph, na famosa convenção de Filadélfia, quando assim se expressou: “O mais delicioso dos privilégios é gastar o dinheiro dos outros”.
Isto, claro, enquanto a casa não cair.
O governo do PT no Piauí não quer nada da Prefeitura de Teresina, mas apenas que o prefeito Sílvio Mendes adie para agosto a inauguração do Shopping da Cidade, uma obra da qual o Estado não participa com nenhum centavo. O adiamento seria, em primeiro lugar, para coincidir com a entrega da extensão do Metrô. Em segundo lugar, para permitir que outra leva de vendedores ambulantes (cerca de 600) fosse cadastrada e pudesse se acomodar com os 1800 já selecionados pela Prefeitura.
O que o governo do PT está pleiteando, não de forma oficial, mas através de pronunciamentos de seus representantes na Assembléia, é o que ficou implícito na ocasião do lançamento das duas obras. Só que o Metrô, por força de muitos fatores alheios à administração municipal, está ainda se arrastando. O prefeito seria muito ingênuo se atendesse ao desejo do governo petista, ainda mais quando os acenos são feitos em meio a tumultuados debates na tribuna da Assembléia, em que a sua pessoa não é poupada de ataques verbais.
Foi num desses debates, na sessão desta quinta-feira, que o “tiro de misericórdia” ecoou: o Shopping deveria viabilizar o Metrô. Não seria o contrário? Como pano de fundo, a “tropa de choque” do PT na Assembléia tenta jogar os vendedores ambulantes não cadastrados contra o prefeito Sílvio Mendes. Eles estariam sob ameaça de expulsão pela força.
O equívoco do PT está em querer desqualificar a gestão municipal apenas com palavras. Mas, apesar de bem situado na opinião pública, Sílvio precisa ter cuidado com a empolgação de seus próprios partidários. A obra do Shopping da Cidade é fantástica, mas é uma experiência inédita que poderá trazer desgaste para o gestor municipal, não por parte dos contemplados, mas daqueles que não foram contemplados.
O que ainda favorece ao prefeito é a incoerência do governo petista, que cobra acolhimento ao excedente de vendedores ambulantes, ao mesmo tempo em que abre guerra contra os que ocupam os arredores do Hospital Getúlio Vargas. (Colaborou Raimundo Cazé)
Pela idade provecta ou por conveniência política, o deputado federal Alberto Silva, presidente regional do PMDB, não quer enxergar, mas o fato é que o governo Wellington Dias faz todo o esforço possível para apagar o seu nome da história. Por qual razão, só o próprio governo pode explicar, mas suspeito que a condição de mito político, que Alberto Silva já adquiriu, incomode em demasia aos petistas.
As grandes obras públicas que têm a sua cara e que aproximaram o dr. Alberto do governo Wellington Dias estão paradas, abandonadas ou desfiguradas. O prolongamento do pré-metrô, iniciado há mais de sete anos, nunca foi concluído. Pode uma obra de apenas um quilômetro se arrastar por tanto tempo? Quando o governo quis, retomou a obra do pronto-socorro de Teresina e a inaugurou em pouco tempo.
O que o governo fez com o estádio Albertão? Simplesmente transformou o seu entorno num monstrengo, no dizer do próprio Alberto Silva. E a Potycabana? Está aí também, abandonada. Como esquecidos estão ainda os projetos de conclusão do porto de Luís Correia e de revitalização da estrada de ferro Teresina-Luís Correia.
O Governo do Estado esqueceu, também, outro projeto de Alberto Silva, a barragem de Castelo. Voltou a falar nela depois da tragédia de Algodões. Mas não significa que vá abraçar a causa. Além do mais, o governo Wellington Dias é um sol que se põe. Em nove meses ele acaba.
Agora, o Governo do Estado entende de despejar a Companhia Metropolitana, dirigida pelo ex-vice-prefeito Marcos Silva, do prédio da estação. Pra quê? Só pode ser por provocação, pois o governo não precisa do prédio.
O que surpreende é que o deputado Alberto Silva fique surpreso com a medida, quando ele sabe mais que ninguém que o último compromisso que o governador quebrou com ele foi em relação ao Tribunal de Contas do Estado.
O senador João Vicente Claudino é o candidato a governador da preferência do presidente Lula. Ele é candidato da preferência também do governador Wellington Dias. Mas, apesar de contar com a simpatia desses dois cabos eleitorais de peso, o senador não viabilizará sua candidatura a governador do Piauí pelo esquema governista.
O governador Wellington Dias precipitou os acontecimentos das eleições de 2010. Dessa forma, viabilizou a sua candidatura ao Senado. As pesquisas de intenção de voto indicam que ele se elegerá para a primeira vaga de senador sem dificuldade, contando com o apoio de praticamente todas as correntes políticas.
Mas, no que procurou salvar a sua pele, o governador descuidou da própria sucessão. Assim, o governo não tem um candidato forte ao Karnak. Ele deu corda demais ao vice-governador. Em nove meses, Wellington transfere o cargo para Wilson Martins. A partir de então, é Wilson que passa a dar as cartas da sucessão.
Com a caneta na mão, o atual vice-governador não vai dar um tiro no pé, muito menos na cabeça. Ele não esconde de ninguém que será candidato a governador. Aliás, é o mínimo que se pode esperar dele. Além da caneta, Wilson tem o respaldo de uma boa estrutura partidária e mantém um bom intercâmbio com as demais forças políticas.
A avaliação que se faz hoje é que, nesses últimos três anos, o vice-governador se aproximou muito do PT, enquanto, paradoxalmente, o senador João Vicente se manteve distante dos petistas e até mesmo do governo.
Na hipótese, hoje remota, de Wellington fazer o sacrifício de ficar no governo até o final de seu mandato, ele apoiaria o candidato do PT e não o do PTB à sua sucessão. Talvez seja por isso que João Vicente tem procurado gás para a sua candidatura fora do Piauí, como declarou ontem ao Diário. De fato, aqui não há vaga para a sua candidatura pelo esquema governista.
O presidente do Senado, José Sarney, está no centro de mais uma crise de imagem do Congresso Nacional. Pressionado pela opinião pública, ele subiu à tribuna da Casa para falar dos escândalos que atingem a instituição desde que ele assumiu o cargo, no começo deste ano. Cobrado a responder, Sarney disse que a crise não era dele.
“A crise do Senado não é minha. A crise é do Senado. É essa instituição que nós devemos preservar. Tanto quanto qualquer um aqui, ninguém tem mais interesse nisso do que eu, até porque aceitei ser presidente da Casa.”O último escândalo envolve os mais de 500 atos secretos publicados ao longo dos últimos 14 anos no Senado e que foram usados para nomear, exonerar e aumentar salários de pessoas ligadas ao comando da Casa.
Através desse processo, segundo a mídia nacional, Sarney teve duas sobrinhas nomeadas por ato secreto. O presidente do Congresso afirmou que ninguém pode cobrá-lo de nada, pois tomou medidas para corrigir eventuais problemas na administração do Senado. Em suma, o senador se acha injustiçado, na sua terceira gestão como presidente do Senado.
Talvez Sarney esteja certo. O que está errado, sem dúvida, é a cultura política brasileira que permite que os presidentes da República possam assumir cargos públicos depois que passam a faixa presidencial. A reforma política deve introduzir uma lei estabelecendo que o cidadão que exerce a presidência da República deve ficar impedido de assumir qualquer outro cargo público, eletivo ou não. O que mais um cidadão que já foi presidente ainda pode dar à nação?
Nesse particular, os generais foram menos esfomeados de poder do que esses coronéis políticos sem farda. Quando cada um deles completou seu mandato, se recolheu disciplinadamente à merecida aposentadoria. O último, o general Figueiredo, teve a hombridade de pedir ao povo que lhe esquecesse. Sua vontade vem sendo feita.
1. Com relação à nota “Pauta impossível”, publicada ontem, nesta coluna, a Coordenadoria de Comunicação do Governo do Estado encaminhou e-mail com esclarecimentos abaixo: “Em nenhum momento o governo convidou jornalistas para mostrar as obras do aeroporto de São Raimundo Nonato, mas sim a conclusão da pista do aeroporto, com 1.650 metros, concluída no início do mês de junho.
Quanto à questão da clandestinidade, é preciso informar que a pista não é clandestina uma vez foi construída com o conhecimento de toda a sociedade piauiense e aguarda a liberação provisória da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para entrar em operação.
A CCom destaca, ainda, que foi assinada, na última segunda-feira (15 de junho), ordem de serviço para início das obras de construção de mais 850 metros de pista, para que o aeroporto possa receber aeronaves de grande porte. O governador também autorizou o início das obras da casa de passageiros, orçada em R$ 10,3 milhões.”
2. A propósito, em 30 de maio do ano passado, a CCom publicou no site oficial do Governo do Estado:
“A licitação para a construção da casa de passageiros do Aeroporto Internacional de São Raimundo Nonato, a 517 quilômetros de Teresina, deverá acontecer em junho ou julho (2008). O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira (30) pelo governador Wellington Dias, durante visita ao local da obra.
A pista principal terá 2.350 metros, para que possa oferecer condições de pouso com segurança a qualquer tipo de aeronave e deverá ficar pronta ainda este ano (2008).
A construção do aeroporto de São Raimundo Nonato, onde serão investidos cerca de R$ 40 milhões, vai transformar o Piauí no único Estado nordestino e um dos poucos do Brasil a ter três aeroportos internacionais.
Segundo o governador Wellington Dias, o aeroporto de Parnaíba já é internacional e a licitação para o de Teresina deverá ocorrer até o meio do ano (2008).
Com os três aeroportos internacionais e com o equipamento e melhoria de aeroportos regionais, como os de Picos e Bom Jesus, o Piauí passará a dispor de uma estrutura de alto padrão para atender os turistas.”
É feliz quem vive aqui!
A revista Isto É Dinheiro desta semana traz uma matéria especial com o ex-ministro Reis Velloso, apontando-o como “profeta do planejamento estatal e do desenvolvimento”. Segundo o texto, assinado por Gustavo Gantois, o ex-ministro passou 20 anos pregando no deserto, mas agora passou a ser ouvido. Eis alguns trechos da matéria:
“O economista João Paulo dos Reis Velloso é um personagem singular na cena política brasileira. Ministro do Planejamento de 1969 a 1979, portanto em dois governos do período da ditadura militar, dificilmente alguém o relaciona com o clima de medo que marcou os duros anos inaugurados em 1964.
Pensa-se em Reis Velloso mais como o visionário planejador da infraestrutura institucional voltada para o desenvolvimento do País nos anos 1960 e 1970. Depois que saiu do governo, em 1979, o economista fez uma breve incursão pela iniciativa privada, mas se reencontrou na tarefa de “pensar o Brasil”, além de apresentar ideias e projetos para o País no Fórum Nacional, que ele criou em 1988. À frente do Instituto Nacional de Altos Estudos, ele venceu pela teimosia e pela perseverança. Ignorado por governos anos a fio, Reis Velloso encontrou no Fórum um canal direto para propagar seus pensamentos. “Acho que fui um bom estrategista do desenvolvimento”, disse, durante a realização da 21ª edição do Fórum, no Rio de Janeiro, com a presença de duas mil pessoas. “O que me dá alegria é ver que as ideias pegaram.” De fato, muitas das teses que foram discutidas nos fóruns de Reis Velloso nos últimos 21 anos ajudaram a criar um novo consenso em torno da retomada dos programas de estímulo ao crescimento, como é o caso do PAC".
A revista concluiu o texto com um rasgado elogio ao ex-ministro: “Se aos 77 anos Reis Velloso continua sendo uma máquina de pensar políticas de longo prazo, o Brasil só tem a ganhar com isso.”
A Assembléia Legislativa vai se defrontar, amanhã, na audiência pública da Comissão Temporária dos Cerrados, com uma denúncia no mínimo inusitada: a prática de grilagem de terras na região justamente por parte do Governo do Estado, através do Instituto de Terras do Piauí (Interpi). A audiência está marcada para o Plenarinho da Assembléia Legislativa do Piauí.
Pelo menos três proprietários rurais do município de Santa Filomena estão contestando na Justiça uma Ação de Abertura de Matrícula de Terras Públicas. Os contestantes, Waldemar Alves de Góes, Paulo Roberto de Sousa Silva e José Paixão Carvalho afirmam que o autor do pleito não tem legitimidade para adquirir e/ou arrecadar tais áreas. Eles apresentam as justificativas de serem legítimos proprietários dos imóveis rurais Fazenda Carnaúba e Fazenda Baixão Fechado, ambas formadas por terras particulares das Datas Lagoa, Novas e Pedrinhas.
As petições foram protocoladas no último dia 5, na Vara Única da Comarca de Santa Filomena, através dos advogados Décio Hélder do Amaral Rocha e Marcos Dalla Barba. Na contradita, a alegação de que os imóveis constituem terras devolutas são improcedentes, tendo em vista a existência de escrituras públicas de compra e venda, lavradas nas Notas do Cartório do 2º Ofício da jurisdição.
O Edital de Citação (prazo de 15 dias), expedido e afixado no Fórum local, e publicado no Diário da Justiça em 21 de maio de 2009. Os requerimentos objetivam a regularização de 04 (quatro) propriedades rurais, totalizando 13.184,12 hectares. O Interpi garante serem todas formadas por terras públicas do Estado do Piauí, transcrevendo no edital as coordenadas, graus e rumos, com limites pouco específicos e de difícil compreensão por quem não seja técnico no assunto, além de não expressar a real dimensão das aludidas áreas.
Já os reclamantes expõem que a Ação é incabível, haja vista o requerente (Interpi) ser parte ilegítima para postular terras que não são públicas ou devolutas. Os contestantes se dispõem a comprovarem a legítima posse das glebas que motivaram a Ação, seja através do desenvolvimento de atividades agropecuárias, através do cultivo de grãos na lavoura de subsistência e da criação de gado bovino, assim como no soerguimento de benfeitorias, o que é do conhecimento público na região.
Há muita coisa positiva na chegada do PT governo. Mas há também muita coisa negativa. Uma delas é que os petistas praticamente conseguiram acabar com a oposição. Em conseqüência, quase acabam também com a fiscalização na administração pública. Anteriormente, este papel era exercido pelo próprio PT e por entidades do movimento civil organizado.
Com a chegada do PT ao poder, as ONG´s foram em sua maioria cooptadas pelo governo, em troca de polpudas subvenções. Elas abandonaram as ruas, a mídia, os parlamentos e os tribunais e hoje vivem no aconchego do bem-bom, apenas conferindo seus extratos bancários, engordados com transferências financeiras oficiais.
No Piauí, um dos movimentos mais presentes no combate à corrupção, no passado, foi a Força Tarefa Popular, uma articulação de entidades da sociedade civil e cidadãos. Mas ela, como tantas outras, caiu de produção. Agora está anunciando para o período de 2 a 28 de julho a sua oitava marcha contra a corrupção, entre os municípios de São João do Piauí e Floriano.
Como se sabe, o berço da Força-Tarefa Popular é Esperantina, onde seu coordenador, advogado Arimatéia Dantas, foi vereador pelo PT e, depois, auxiliar do governador Wellington Dias, no seu primeiro mandato. Há poucas semanas, foi noticiado que o salário do prefeito da cidade era o maior do Piauí.
A Força-Tarefa Popular, curiosamente, não tomou conhecimento disso. Não deu uma nota. Não pediu explicações. Nada. Simplesmente silenciou. Certamente porque não viu ilegalidade alguma no fato de um prefeito do interior receber o salário de R$ 19 mil 500. Nem ilegalidade nem imoralidade.
Ah! O prefeito de Esperantina é filiado ao PT, o mesmo partido do coordenador da Força Tarefa Popular.
"Particularmente não gosto de travar debates pela imprensa, mas a insinuação do ex-vereador Jacinto Teles de que não detém 'o controle de cooperativas criadas exclusivamente para burlar a Lei e garantir empreguismo politiqueiro em vários órgãos do atual governo' precisam ser melhor explicadas, principalmente por virem de um companheiro de partido. Gostaríamos que o ex-vereador apontasse quem são os beneficiados e quem são os beneficiadores. De outra forma é omissão ou pura e simples denúncia vazia.
Concordamos que ética, coerência e dignidade não se medem pela quantidade de votos e, não foi isso o que questionamos e o Jacinto sabe muito bem. Agora, minha opinião pessoal é de que a conduta extremada contra um governo que tem aprovação referenda pela grande maioria dos piauienses, não foi vista com simpatia pela população da capital. Lembro que o PT não tem caciques, mas correntes como a minha, Unidade na Luta. Acredito que o ex-vereador também não soube se articular em busca desse apoio. Reconhecemos que o mandato é importante para canalizar esforços para reeleição, mas não é determinante, pois é preciso conquistar os espaços e isso ele não dever ter sabido fazer.
Nosso governo tem acertos e defeitos e, como petista levo para fóruns internos as discussões de como contribuir para melhorar ainda mais a administração que aí está. Entendo que as reivindicações da categoria são legítimas, mas sei também que foi em nosso governo que o conjunto das categorias mais avançou, inclusive os policiais civis que estão entre os 10 melhores salários do país. Lembro ainda que a Justiça desse Estado já teve decisões revogadas em instâncias superiores.
Agora, desafio o ex-vereador Jacinto Teles a apontar e levar para o Ministério Público os proprietários e os beneficiários das cooperativas que ele diz burlar a Lei, sob pena de ser mais uma falácia. Em mim, a carapuça não serve e, por isso, se encontrada qualquer instituição como essa em meu nome ela será doada imediatamente.
Deputado estadual João de Deus, Líder do PT na Assembléia Legislativa do Estado do Piauí”
A que se resume a oposição no Piauí? Ao PSDB, a uma parte do DEM (à frente o senador Heráclito Fortes) e a outro pedaço do PMDB (à frente o senador Mão Santa). E só! As demais siglas com expressão eleitoral estão todas no governo, pelo governo e para o governo. “Tá tudo dominado”, como na letra do rap.
Os nomes postos até agora à sucessão do governador Wellington Dias são todos do bloco governista: o vice-governador Wilson Martins (PSB), o senador João Vicente Claudino (PTB), o secretário de Fazenda, Antônio Neto (PT) e o deputado federal Marcelo Castro (PMDB).
Uma vez ou outra, cita-se o prefeito Sílvio Mendes como opção das oposições. O nome dele tem boa aceitação na capital e forte penetração no interior, mas conta com muitos obstáculos para se viabilizar como candidato a governador.
Conta a favor de Sílvio que ele se destaca como administrador, é agregador, tem trânsito em todos os partidos, excelente respaldo político e significativa aceitação popular. Mas é só isso. No mais, seu fôlego é curto, como candidato a governador. Para começar, teria que renunciar ao segundo mandato antes de chegar à metade.
Este é o ponto crucial de todo o processo. Os tucanos não admitem lagar o filé que é a Prefeitura de Teresina em troca de uma aventura eleitoral. Por isso, escalam sempre um reserva para a partida principal. Em 1998, foi o ex-prefeito Francisco Gerardo. Em 2006, foi o ex-prefeito Firmino Filho.
Como é improvável a candidatura do prefeito Sílvio Mendes, é impensável, também, que o PSDB não apresente um candidato a governador. Quem será esse nome? Não é de todo impossível que seja o vereador Firmino Filho, presidente da Fundação Municipal de Saúde.
Com relação ao comentário “Uma tragédia atrás da outra”, publicado ontem, neste espaço, criticando o anúncio de empréstimo bancário para os sobreviventes de Algodões, ao invés do pagamento de indenização, recebei do Governo do Estado:
“Diversas ações estão sendo desenvolvidas desde o rompimento da Barragem Algodões I para atendimento às famílias atingidas. Além da assistência emergencial foram deslocadas equipes da Secretaria de Saúde, Sasc, Defesa Civil, Agespisa, Cepisa e Emgerpi para o atendimento às famílias e o restabelecimento dos serviços básicos dos municípios de Cocal e Buriti dos Lopes.
O Caminhão Digital, do projeto Cidadania Ativa, da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc), desde o dia (04/06), atende as pessoas que perderam seus documentos. Estão sendo expedidos documentos como certidão de nascimento, Carteira do Trabalho, Carteira de Identidade, CPF e cartão do Programa Bolsa Família.
Além dos recursos já assegurados através da Medida Provisória 093/2009 assinada pelo presidente Lula, (R$ 90 milhões) para os municípios atingidos pelas enchentes, o governador Wellington Dias apresentou um plano de trabalho no valor de R$ 35 milhões para o socorro emergencial de Cocal e Buriti dos Lopes.
Durante audiência, a Secretaria Nacional de Defesa Civil assegurou o envio de psicólogos para o atendimento às famílias de Cocal e auxilio na montagem de abrigos provisórios para os desabrigados.
No plano apresentado pelo governador Wellington Dias à Secretaria Nacional de Defesa Civil está prevista a construção de 540 casas, que corresponde ao número de famílias que tiveram suas residências totalmente destruídas nas cidades de Cocal e Buriti dos Lopes, a compra de duas patrulhas mecanizadas e ainda o plano de trabalho para reconstrução de estradas bueiros, pontes e pontilhões.
O governador anunciou que as 770 famílias já cadastradas, que tiveram suas casas destruídas ou danificadas parcialmente ganharão novas casas e que o governo estuda uma maneira de garantir um auxílio financeiro para a aquisição de bens perdidos, como camas, aparelhos de TV, geladeiras, entre outros.”
O Governo do Estado não cuidou adequadamente da manutenção da barragem de Algodões, em Cocal, certo? Quando, por falta de monitoramento, um grave problema foi detectado, o governo se mexeu e tratou de fazer uma intervenção emergencial para evitar o rompimento da barragem, certo?
Como, apesar disso, havia o risco iminente do rompimento, o governo determinou a imediata retirada das famílias que moravam no vale abaixo da barragem, certo? Mesmo não tendo passado o perigo do arrombamento da barragem, o retorno das famílias às suas casas foi autorizado, inclusive com audiência pública, ata e tudo mais, certo?
O governo garantiu, baseado em laudos técnicos, que a barragem não romperia e que, portanto, a volta das famílias para o vale do Piranji era tranqüila, certo? Mas a garantia do governo foi por água abaixo. A barragem rompeu, matando famílias inteiras, destruindo casas e povoados, arrastando tudo o que encontrou pela frente.
As famílias que conseguiram salvar a vida, perderam tudo o que possuíam: casas, pertences domésticos, roupas, plantações, animais, etc. Não esqueça que elas retornaram para o encontro com a morte e a desgraça porque o governo lhes assegurou que não havia perigo, que tudo estava sob controle, certo?
É inacreditável, mas é verdade: depois da tragédia, o governo apresenta como uma proeza sua um empréstimo de R$ 2 mil junto ao Banco do Brasil para os sobreviventes de Algodões. Ao invés do empréstimo, o governo deveria estar providenciando era a indenização das famílias que acreditaram na sua palavra.
Como essas famílias vão pagar o tal empréstimo se perderam tudo na catástrofe, inclusive os documentos? Quanta insensibilidade! Querem matar enforcados no banco os que escaparam de morrer afogados nas águas de Algodões!
Recebi do presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Penitenciários do Piauí (Sinpoljuspi), Jacinto Teles, ex-vereador de Teresina, longo e-mail em resposta a declarações do líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado João de Deus, do qual destaco os seguintes tópicos:
(...)Na realidade, o que eu mencionei a respeito do Governo do PT, partido ao qual sou integrante, foi com relação às ordens judiciais emanadas tanto do poder judiciário local quanto do Supremo Tribunal Federal (STF). Eu disse que o governo do meu partido faz pior do que os outros governos.
(...) Diminuiu o número de delegados de carreira, os diretores de penitenciarias continuam ilegalmente investidos na função (com exceção de uma minoria) e é justamente o partido que está no poder e que ontem lutava incansavelmente para cumprir a Constituição Federal e as decisões do Poder Judiciário que não está cumprindo as decisões.
(...) Em nenhum outro governo, nem mesmo do PFL ou do PMDB, essas duas gratificações (adicional noturno e adicional extraordinário) eram retiradas quando o servidor se afastava. O atual governo, em vez em amparar o servidor num momento difícil, como o afastamento por problemas de saúde, faz é tirar cerca de 30% do salário do trabalhador.
(...) Com relação ao fato de eu, quando vereador, não ter sido reeleito, os formadores de opinião do estado do Piauí sabem o motivo. Sabem que eu não tive nenhum grupo econômico-financeiro me apoiando, nem ajuda de qualquer um dos caciques do PT que têm bastante recursos financeiros e cargos comissionados. Os formadores de opinião sabem também que foi a primeira vez que a cúpula do PT não priorizou os parlamentares que já exerciam mandato. Sabem ainda que nós, nesses seis anos como vereador, nos posicionamos tanto para elogiar como para enaltecer os acertos do governo, como para criticar o que estava errado. E a minha atuação está aí: em seis anos de mandato, somos autores de mais de 30 leis em benefícios do povo de Teresina.
Companheiro e deputado João de Deus: ética, coerência e dignidade não se medem pela quantidade de votos, mas pela postura de cada cidadão.
Não sou eu que detenho o controle de cooperativas criadas exclusivamente para burlar a lei e garantir o empreguismo politiqueiro em vários órgãos do atual governo.
O que mudou não foi o estatuto do PT. Na realidade, a mudança está nas ações daqueles que detém o poder dentro do partido. Jacinto Teles Coutinho, Presidente do SINPOLJUSPI”
Chega o fim de semana, e o evento do momento é o Piauí Pop 2009, que acontece neste sábado. O 180graus quer saber: Qual destas atrações nacionais você acha que vai fazer o MELHOR SHOW?
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