Dois serão os problemas que afligirão a humanidade nas próximas décadas: a manutenção da paz mundial e o meio-ambiente.
A paz entre as Nações é assunto recorrente, debatido nos mais distintos fóruns internacionais, em todos os idiomas, por todas as pessoas, mobilizando multidões e amplificando idéias. Os grandes conflitos mundiais e o trágico saldo de cada um deles, notadamente as duas guerras mundiais e os adventos de Hiroshima e Nagasaki, no século XX, além do Iraque, Afeganistão, Bósnia-Herzegovina, genocídios na África e golpes de estado sangrentos, tiveram o condão de desenvolver uma visão tão clara quanto uma postura de condenação enérgica dos povos a qualquer violação dos direitos humanos e de desrespeito à democracia. Sabemos que a liberdade sempre vencerá.
Mas na questão ambiental, mais delicada e ainda hoje pouco conhecida da grande massa populacional do planeta, estamos perdendo tempo.Poderia resumir:estamos perdendo terra, ar, água, vida e deixando de legar às gerações do amanhã um planeta saudável e melhor do que aquele que herdamos de nossos antepassados.
Felizmente, desde fins dos anos 80, culminando com a realização da ECO 92, no RJ, o homem parece ter acordado de um sono de pedra para o drama da sobrevivência na Terra. Passamos séculos maltratando nossa casa, devastando suas florestas, poluindo seus rios, transformando metrópoles em ante-salas do apocalipse. E, com ingenuidade ou maldade, parecíamos acreditar que a Mãe Natureza a tudo suportaria sem qualquer reação, reciclando-se e só nos ofertando, só nos dando, só nos provendo, suportando a degradação e o mau uso das riquezas que nos ofertou faz milênios. Não foi bem assim.
O clima do planeta tem mudado. A cada ano as calotas polares degelam quantidades assustadoras. Isso não parece fazer diferença para nós. Mas nossos netos sofrerão e nos terão na conta de grandes irresponsáveis se não tomarmos as medidas necessárias para evitar essa marcha batida rumo a um trágico final. Os tsunamis, as inundações em todos os continentes, as tempestades devastadoras jamais vistas, invernos mais rigorosos, verões mais tórridos. Sabem o que é isso? Isso, meus leitores, somos nós.
A natureza tem sinalizado que precisamos tratá-la com mais respeito e carinho. O que, no fundo, é uma exigência de políticas sustentáveis, de manejos ambientais corretos, do fim de qualquer tolerância com a poluição do ar. Agora mesmo, um vulcão com nome impronunciável, na longínqua e bela Islândia, resolveu expelir suas cinzas e, apenas, paralisou o tráfego aéreo europeu por dias. Em Alagoas, na Serra da Barriga - onde Zumbi, herói da libertação do povo negro edificou o quilombo dos Palmares - de repente, ergueu-se uma onda num rio e destruiu cidades, fez milhares de desabrigados, carregou dezenas de toneladas por mais de vinte quilômetros! Em GO, minha terra amada e querida, arde em chamas a Serra das Emas, um dos recantos mais lindos do país. E o mesmo fogo queima territórios na Rússia, em queimadas semelhantes, com o mesmo e nefasto resultado.
A ganância e a ambição do capitalismo selvagem provocam desastres brutais como o do Golfo do México, onde a British Petroleum, não conseguiu debelar um vazamento em águas profundas e inundou uma das áreas mais formosas do planeta com milhões de toneladas de óleo cru, comprometendo por décadas (séculos, quem sabe?) a fauna e a flora marinhas, num desastre ecológico que provoca lágrimas, pasmo, revolta e, principalmente, exige profunda discussão sobre o tema.
Aqui, felizmente, já existe uma consciência ambiental que cresce a cada dia. Quem defende como eu o meio-ambiente e se preocupa com os mínimos detalhes na luta por sua preservação, já não é mais um “eco-chato”. A fase da ridicularização e do folclore parece já ter passado. Não podemos acreditar que substituir os sacos plásticos nas compras do supermercado pela velha sacola de pano é uma “bobagem”. Nem acreditar que uma boa caminhada substituindo o automóvel, é “frescura”. Separar o lixo orgânico, os metais, tudo isso é fundamental e a natureza agradece.As pequenas atitudes são fundamentais para a vitória da existência do planeta. E o conjunto de todas elas, se tornará uma força imensa na luta por uma terra que continue a se desenvolver com sustentabilidade e paz.
Os brasileiros assumem papel de vanguarda na questão ambiental. Entre todas as nossas riquezas naturais, temos a Amazônia, pulmão do planeta, que temos preservado com competência e firme decisão política nos anos do governo Lula, com o desenvolvimento de políticas de integração social, de preservação ambiental, de defesa de nossas fronteiras contra o narcotráfico e o contrabando e de resgate da cidadania de nossos irmãos que tem a suprema alegria de viver naquela região abençoada, a qual o poeta Thiago de Mello batizou de “Pátria d’água”.
Tratemos a natureza com o respeito que ela merece. Ela nos deu tudo e nada pediu. Já é tarde, mas ainda é tempo.
Na definição milenar a democracia é o governo do povo, para o povo e pelo povo. Desde a Grécia antiga, quando em praça pública os cidadãos se reuniam para debater os problemas da cidade e traçar seu destino, ela tem prevalecido como a mais refinada e ao mesmo tempo, paradoxalmente, a mais simples das formas de governo. Talvez aí esteja, em sua sutil equação, o mistério da longevidade do melhor dos regimes políticos concebidos pelo homem.
A democracia, porém, tem custado caro aos que lutam por ela e que crêem na perenidade de seus valores. Em todo o mundo a luta entre o bem e o mal pode ser representada entre os que acreditam na pluralidade democrática e os que insistem em subjugar os povos a regimes de força, tanto na ditadura política pura e simples, marcada pela violência e o autoritarismo, quanto na cruel dominação do regime econômico, num capitalismo que quase nunca oferece oportunidades.
Quantos e quantos foram os golpes de estado e retrocessos institucionais que atrasaram processos de evolução política, social e econômica de países de todos os continentes? Centenas! A África, jóia da humanidade em recursos minerais, em beleza natural e riqueza humana, suportou séculos de dominação colonial, desumana exploração econômica, cruentas guerras de libertação e, depois de décadas de conturbados processos políticos regionais, agora parece despontar como terra fértil para a disseminação da democracia e da pluralidade de pensamento, amparada por desenvolvimento notável de sua economia, especialmente nos países da franja austral (Angola, Namíbia, África do Sul e Moçambique), além da Nigéria, Quênia, Tanzânia e outros. Eles tanto souberam aproveitar suas potencialidades naturais (turismo, petróleo, mineração) quanto tiveram a sensibilidade de atrair capitais de todo o mundo, notadamente asiáticos, para financiar o progresso econômico e social, e daí para o fortalecimento de regimes democráticos como o da África do Sul, como para governos socialistas e que operam com grande sucesso processos de abertura democrática e eleições livres, foi um passo.
Na América Latina a luta pela democracia se confunde com a vida de nossa gente. São milhões de homens e de mulheres que se doaram ao longo dos anos na incessante tarefa de consolidar as instituições do jovem continente, a que os colonizadores espanhóis e portugueses, com imensa acuidade, chamaram “o novo mundo”. De Simon Bolívar a San Martin, de Sucre a O’Higgins, de Artigas a Lopez, de Tiradentes a Pedro I, com todos os próceres, eternizados em bronze nas praças das capitais latino-americanas, e nas revoltas populares vivas no coração popular e na memória do tempo, a luta pela libertação antecedeu à pela democracia. Essa foi obra posterior, mas, não menos dura, trabalhosa, sofrida e heróica.
Libertados os países latino-americanos do julgo do dominador europeu, vieram os conflitos internos na luta pelo poder. Caudilhos, ditadores, líderes carismáticos, lideranças revolucionárias e simples representantes das elites locais ou do capital mais descomprometido se alternaram em governos efêmeros, regimes fugazes, marcados pela improvisação ou responsáveis por mudanças tão profundas que causaram rupturas traumáticas e, portanto, inaceitáveis para as grandes potências que mantinham influência decisiva na região. Mas, por detrás de todos os conflitos, de todos os interesses políticos, partidários, sociais e econômicos em jogo, no fundo existia a luta entre os que acreditavam e os que empreendiam cego combate à democracia.
Hoje, num continente marcado por episódios de esquecimento impossível, como a crise institucional que nos levou ao suicídio de Getúlio Vargas, a traumática deposição e morte de Salvador Allende, as ditaduras assassinas da Argentina, Chile e Uruguai, o auto-golpe de Fujimori e sua década autoritária no Peru, a democracia é o maior e mais valioso dos bens da cidadania continental. São milhares de mortos e desaparecidos, histórias deploráveis de abusos aos direitos humanos e revelações de torturas medievais a homens, mulheres e até crianças. Foi esse o preço, o altíssimo preço, que pagamos para que hoje vivêssemos em plenitude democrática, sob a proteção do regime das liberdades individuais e do respeito ao Estado de Direito.
O Brasil fez opção clara e firme pelo regime democrático. Dele não mais iremos nos separar. Existe um elo forte e seguro, inquebrantável e indissolúvel, lastreado pelo voto popular que elege, pelo Congresso Nacional que legisla soberano, pelo Poder Judiciário que não recebe ingerências e cumpre com sua missão constitucional, e o presidente da República é o guardião maior desse sistema perfeito, harmônico, insubstituível e soberano.
O presidente Lula tem dado uma lição de comportamento democrático irretocável, presidindo o país sem rasgos de autoritarismo, olhando por todos, priorizando a questão social, não discriminando as classes, mantendo com o empresariado uma relação de cordialidade e parceria; com a imprensa, uma relação de imensa e respeitosa tolerância; com os adversários, uma relação onde o confronto político não impediu a civilidade no trato. Lula é a encarnação da democracia em nosso país.
Sofremos muito para saber o valor da liberdade e o preço alto da democracia. Freqüentamos os cárceres da ditadura. Os que tiveram a sorte de sair vivos puderam ir às ruas na campanha das “Diretas, Já!” e ver o país redemocratizado. Muitos morreram pela liberdade e pela democracia. Nós viveremos por elas.
A realização da Copa de 2014 em nosso país será um verdadeiro divisor de águas em nossa história, em diversos setores, especialmente no econômico e no social. Trata-se de oportunidade ímpar de consolidação do Brasil como potência emergente e como Nação que se impõe aos olhos de todo o restante do cenário internacional.
Com sua visão de Estadista o presidente Lula anteviu os benefícios que o Brasil terá com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 e lutou por suas realizações em nosso país. Estava coberto de razão e o exemplo sul-africano é eloqüente e incontestável.
Se não temos, ainda, toda a infra-estrutura necessária para a realização daqueles certames, ela já existe em sua maior parte e o que se faz necessário já está sendo alvo dos melhores esforços do governo federal dentro de estrito planejamento estratégico com a participação de toda a estrutura do governo federal e dos Estados nos quais irão se realizar os encontros esportivos de 2014 e 2016.
Devemos encarar 2014 mais do que como a realização de um campeonato mundial de futebol. É um passo seguro na consolidação de nova realidade sócio-econômica, como agora ocorreu com a África do Sul.
Depois de décadas de odioso regime segregacionista, marcado pela chaga do racismo e condenado pelo mundo livre, o país se reencontrou consigo mesmo após o fim do ‘apartheid’, pelas mãos de dois Estadistas, o branco Frederik de Klerk e o extraordinário líder negro Nélson Mandela, fazendo decidida opção pelo regime democrático, integrando o seu povo, superando suas dificuldades, fortalecendo sua economia de mercado e, com a realização bem-sucedida da Copa de 2010, se mostra ao mundo como um país moderno, unido, alegre, bem-sucedido e preparado para o mundo globalizado e competitivo dos nossos dias.
Qual o saldo da Copa 2010 para nossos irmãos sul-africanos? Um crescimento instantâneo de 0,4% do PIB, principalmente na área da construção civil, empregando milhares de operários, especialmente das camadas mais carentes da população; reforma das rodovias e ferrovias; ampliação ou construção de novos aeroportos; apenas na rede de transportes foi realizado um investimento de mais de R$ 2,8 bilhões, com a geração de empregos, impostos e toda uma cadeia produtiva impressionante.
Há um trem que percorre 35 km em 15 minutos, em média. O tempo de percurso entre cidades como Johannesburg e outros grandes centros urbanos foi reduzido em 2/3! Em Soweto, o mítico e libertário bairro dos negros, a passagem foi barateada em torno de R$ 1,40 possibilitando a locomoção de milhares de mais passageiros.
A África do Sul deixou de ser um país distante e misterioso, marcado por um passado de tenebroso racismo. Hoje é uma pátria alegre, de um povo acolhedor e festivo, cujos sons e sorrisos, belezas e riquezas naturais se tornaram conhecidas de todo o mundo, num ganho de custo imensurável. Não houve um senão, um único problema grave, um atentado, um ato dissonante. Os sul-africanos deram ao mundo uma mostra de organização, disciplina e competência organizacional. Só ganharam, e muito, com isso. A República Sul-Africana e todo o continente africano só ganharam com a realização da Copa do Mundo naquele continente rico, injustiçado e ainda pouco conhecido.
Em 2014 será a vez do Brasil. Temos pela frente muito a fazer. Mas, em realidade, já temos a grande base de tudo já pronto. Temos aeroportos e estádios. Eles precisam ser adequados e ampliados. Precisam de investimentos e de modernização. Temos condições, dispomos de capacidade de investimento e de competência técnica e material humano para realizar todas as empreitadas necessárias.
Nossa rede hoteleira é de muito boa qualidade e deverá ser ampliada. O empresariado tem as condições necessárias para isso e a indústria turística a cada ano vem realizando os investimentos necessários para a ampliação da rede receptiva da indústria que mais cresce no mundo. Com a Copa de 2014 em nosso país, atingiremos os maiores índices de visitação jamais alcançados em um país que a cada ano quebra seus próprios recordes no turismo internacional.
Nossas estradas, nossos portos e nossas ferrovias também tem sido alvo da atenção do governo federal e da iniciativa privada. Os problemas existentes serão sanados, mas convém lembrar que eles são praticamente nada se comparados ao que eram quando o presidente Lula recebeu o governo federal sucateado em inícios de 2003. Não há motivos para não crer quer nossas rodovias, especialmente, não posam ligar os principais centros urbanos das regiões sul, sudeste, centro-oeste e nordeste de forma satisfatória e segura. Milhões de automóveis irão circular durante a realização da Copa entre as principais capitais do país naquele período, movimentando toda uma indústria ligada à área que vai dos postos de abastecimento aos restaurantes e áreas de serviços diversos.
O Brasil terá uma oportunidade excepcional de mostrar-se ao mundo como já o é: um país moderno, em transformação permanente, competitivo, dos mais ricos do planeta, com um povo que superou suas dificuldades e conquista seu lugar entre os principais países do mundo. Vamos dar mais um passo rumo ao desenvolvimento pleno, revelando ao mundo o país onde, nos últimos sete anos, quase 30 milhões de cidadãos deixaram a pobreza de ingressaram na classe média numa autêntica revolução social pacífica e silenciosa.
A Copa de 2014 no Brasil não será, tão somente, um encontro de Seleções de Futebol no país de craques como Pelé, Garrincha, Didi, Leônidas da Silva, Zagalo, Zico, Ronaldo e outros. A Copa no Brasil não será um gol contra, nem uma falta, nem um pênalti mal cobrado. Nada disso, meus amigos. Será a oportunidade de todo o mundo conhecer, ainda mais, um país que está sendo campeão em tudo o que faz.
O Brasil demorou muito a olhar para o cerrado e enxergar nele toda sua riqueza e potencial. Ele se distribui por uma área impressionante, por vários Estados, dominando boa parte de nosso território nacional, mas somente em meados do século passado os brasileiros o trataram com o respeito merecido.
Pedro Ludovico, com a construção de Goiânia e a modernização do Estado de Goiás, chamou a atenção para as potencialidades da área mais central do país, sendo seguido por JK com a interiorização de nosso progresso através da construção de Brasília e a vitoriosa “Marcha para o Oeste”. Desde então o Brasil sabe que a vegetação que já chegou a dominar cerca de dois milhões de quilômetros quadrados, era (e, felizmente, ainda o é) uma de nossas grandes riquezas e um celeiro de fartura.
Hoje, restaram 20% do território original, com cerca de 2% protegidos por reservas ecológicas e parques de preservação ambiental. O antigo e árido território foi invadido por cidades que crescem em acentuada velocidade; é habitado por população que se multiplica de forma impressionante; abriga uma das agriculturas mais rentáveis e exitosas de todo o mundo; é cortado por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul (São Francisco, Prata e Tocantins/Araguaia); é o segundo maior bioma brasileiro e se expande por oito Estados: Goiás, Tocantins, Minas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e, também, pelo Distrito Federal. A regularidade pluviométrica, a flora abundante e a rica fauna, se conjugam formando um cenário de biodiversidade raramente encontrável em outras paragens do planeta.
Os diversos ecossistemas que se harmonizam no cerrado brasileiro deram origem a uma riqueza que merece especial atenção dos brasileiros e de toda a humanidade. Mais de dez mil espécies vegetais são encontradas em seu vasto território, muitas das quais, ainda não exploradas, são verdadeiras reservas estratégicas para a ciência, já que podem dar origem a medicamentos.
O que parecia ser apenas um desafio da natureza ao homem, um solo de savana tropical e uma vegetação seca e retorcida, acabou por se firmar como uma das grandes reservas naturais do Brasil e da humanidade.
O subsolo do cerrado guarda reservas de ferro, alumínio e níquel, além de outras tantas que se constituem em patrimônio de nosso país. A exploração racional e sustentável das riquezas do cerrado, bem como a preservação de seu território contra a devastação indiscriminada, são tarefas que se impõe nossos governantes e à sociedade civil.
A Universidade Federal de Goiás (UFG), em alentado estudo, calcula em 800 mil quilômetros quadrados a área devastada do cerrado brasileiro no ano de 2002. E alerta que, se não houver uma política responsável e consistente de preservação ambiental e proteção do segundo maior e mais importante bioma brasileiro depois da Amazônia, esses números preocupantes poderão chegar aos 960 mil quilômetros quadrados em apenas três décadas. Um território comparável ao do Estado de Goiás… O professor Manuel Eduardo Ferreira, da UFG, calcula que 60 mil quilômetros quadrados serão incorporados à área agrícola, com base em imagens de satélite e nos estudos já realizados.
O Brasil precisa resolver uma equação importantíssima: crescer sem depredar, aumentar sua produção agrícola mantendo níveis responsáveis e necessários de preservação territorial, compatibilizando nossa fabulosa agricultura, um dos motores de nosso desenvolvimento, com o indispensável respeito ao meio-ambiente e ao nosso cerrado.
É, sim, possível a convivência e a integração de uma agricultura que cresce e alavanca o progresso do país com o respeito à natureza. Em minhas andanças por Goiás constato que os produtores rurais tem hoje uma visão generosa e responsável da questão ambiental. Sabem os homens da terra que nenhum progresso é válido se o meio-ambiente for agredido. Existe uma conscientização crescente de que duas questões se impõe à humanidade, ocupando espaço nos foros internacionais de estudo, debate e negociação entre os países: a paz mundial e a questão ambiental.
A ONU e organismos internacionais já olham o cerrado com o respeito que ele merece e impõe. O governo do presidente Lula desenvolve políticas inéditas para a área, e hoje os organismos de fomento econômico e social, como o BNDES e o Banco do Brasil, aprovam projetos sustentáveis e comprometidos tanto com a produção agrícola quanto com a preservação do imenso território do cerrado. Isso demonstra a possibilidade de convivência do homem e de sua necessidade de produção com a manutenção de uma das mais importantes riquezas do Brasil e de seu povo.
O cerrado não é a terra de ninguém de décadas atrás. Ele é, apenas e tão somente, fundamental para o crescimento do Brasil e o futuro de nossas gerações.
O futuro já chegou a dezenas de milhões de lares em nosso país. Mais de 73 milhões de brasileiros acessam o mundo e o futuro com toques nas teclas de seus computadores, vencendo a distância que os separava da informação, do saber, da cultura, do planejamento, das artes, da economia, da diversão. A inclusão digital é uma realidade e ela vem mudando a vida das pessoas.
Mais de 2,9 milhões computadores foram vendidos no primeiro trimestre no Brasil, uma alta de 40% se comparado o mesmo período de 2009. Numa demonstração eloqüente de que o mais fantástico instrumento de informação e de busca do saber deixou de ser um luxo para tornar-se uma realidade ao alcance de nosso povo. Segundo dados oficiais, os consumidores das classes C e D responderão por 87,5% das vendas de computadores em 2010 e em 2011 esse impressionante indíce crescerá mais ainda!
Desses mais de 73 milhões de brasileiros que acessam a rede mundial de computadores e que transformaram essa máquina em instrumento de trabalho, informação e educação, mais de 45 milhões o fazem em suas casas; 48 milhões o fazem em casa e no trabalho e 69 milhões tanto em casa quanto no trabalho. Tais números servem para demonstrar não só a ascenção social e a melhoria econômica de nossa população em todas as suas classes, notadamente na base da pirâmide social, quanto para deixar patente a informatização das empresas, a modernização da indústria e do comércio, além do setor de prestação de serviços. Esses números, certamente, são indicativos importantíssimos da impressionante mobilidade social e da modernização econômica do Brasil bem-sucedido e futuroso do presidente Lula.
Há seis anos atrás, quando Lula ainda “arrumava a casa” e administrava a “herança maldita” do governo de Fernando Henrique e de três sucessivas quebras da economia nacional, o acesso à Era Digital em nosso país era distribuído da seguinte forma (número de computadores existentes no país): classes A e B – 65%; classe C – 29%; classes D e E – 6%.
Ou seja, somente os ricos e pequena parcela da classe média possuiam computadores e acessavam a internet. Nas classes populares, ou seja, a imensa massa trabalhadora tinha pequeníssimo acesso e o fazia, quase sempre, em seus locais de trabalho ou em lan-houses. Agora, seis anos depois, os números encontrados por interessante pesquisa realizada conjuntamente pelo IBOPE/Nielsen, mostra um quadro bastante diverso, com distribuição mais igualitária e ascenção das classes C, D e E, portanto, a classe média e a classe trabalhadora avançam no domínio da tecnologia da informação e no acesso à internet. Ei-los: classes A e B – 50%; classe C – 42; classes D e E – 8%
Até mesmo o que pode parecer pequeno, os + 2% nas classes D e E, assume significação especial, já que milhões de brasileiros deixaram essas categorias e migraram para a classe C, ou seja, se tornaram de classe média, melhorando consideravelmente o seu padrão de vida e o de suas famílias, numa autêntica revolução social e econômica, realizada de forma pacífica e democrática pelo governo Lula. E as classes A e B, embora tenham um índice numericamente menor de participação, hoje tem mais computadores do que antes!
O governo Lula é o responsável pela expansão da internet e pela Cidadania Digital em nosso país, com sua utilização crescente nas escolas, na área de saúde, nas pesquisas, nos lares. De 2004 até o final de 2009, as classes C, D e E, pularam de 16% para 41% na utilização dos computadores. E nas classes A e B mais de 80% já são internautas. Os números do governo passado são irrisórios e desprezíveis.
A distribuição regional da utilização dos computadores e do acesso à internet, mostra uma concentração razoável na região sudeste, mas já constata que as demais regiões apresentam indíces superiores aos de poucos anos atrás. O Sudeste representa 67% dos usuários de internet do país, levando em conta o acesso em casa e no trabalho, seguido pelo Sul, com 14,2%, o Nordeste (10,7%), o Centro-Oeste (6,1%) e o Norte (2%). A região Sudeste é responsável por 64,9% dos minutos gastos na web no Brasil, seguido por Sul (15,7%), Nordeste (11,6%), Centro Oeste (6%) e Norte (1,8%), segundo pesquisa da consultoria comScore, que também 38% da população brasileira já vive a Era Digital.
Há ainda uma florescente indústria da tecnologia da informação, a TI, com centenas de empresas brasileiras que se inscrevem dentre as melhores do mundo, produzindo tanto computadores quanto softwares de aceitação internacional, empregando milhares de pessoas, desenvolvendo projetos ambiciosos, ganhando mercados, gerando riquezas e trazendo divisas para o país.
O computador mudou o mundo e a internet interferiu diretamente na vida das pessoas, dando-lhes mais informação, saber, cultura, facilitando os relacionamentos e as comunicações, fazendo o mundo menor e os cidadãos mais participantes. O governo Lula, responsável maior pela Era Digital em nosso país, impulsionou a utilização do computador quando estabilizou a economia e tornou possível aos brasileiros adquirirem máquinas de boa qualidade a preço baixo. A Era Lula trouxe a Cidadania Digital, melhorando o espectro social de nosso país e democratizando a informação e o saber.
Temos pela frente o desafio de colocar na mão de cada professor, de cada estudante, de cada pesquisador, de cada trabalhador na área do ensino, enfim, nas mãos de todos os que simbolizam o futuro de grandeza que nos espera, um computador que os auxilie em seus trabalhos e em seus estudos.
A história registrará que dentre as grandes conquistas do governo que mudou o Brasil para muito melhor, o acesso de nosso povo à tecnologia da informação é uma das mais extraordinárias.
Há várias maneiras de se promover transformações profundas na história de um país e na vida de seu povo. O Brasil já experimentou várias delas. Creio, mesmo, que já passamos por todos os experimentos institucionais, desde o rompimento de Pedro I com a coroa portuguesa, passando pela queda da monarquia e a proclamação da República. Purgamos as eleições a bico-de-pena e seus governos ilegítimos na República Velha e assistimos a revolução de 30 promovida pela Aliança Liberal e os quinze anos de Getúlio no Catete, marcados tanto por profundas e benéficas mudanças sociais quanto pelo autoritarismo político.
Passamos pela redemocratização, em 1945 e em 1985; pela tragédia do suicídio de um presidente em 1954, a deposição de outro em 1964 e o impeachment de um terceiro em 1992. Fomos às ruas em 1984 pelas diretas e reconquistamos na Constituinte de 1988 o direito de eleger pelo voto direto o nosso presidente. Fomos submetidos a traumas institucionais que vão desde a renúncia de Jânio, em 1961, à formação de uma Junta Militar, oito anos depois, que jogou o país numa longa noite de terror e sofrimentos. Superamos tudo.
A história do Brasil e de sua brava gente é a crônica de lutas e sofrimentos. Mas, graças a Deus, também é um belo roteiro de recomeços, esperanças e conquistas. Somos um povo excepcional, cujas provações enfrentadas serviram para solidificar o caráter férreo e a sincera decisão de lutar sempre e jamais entregar os pontos ou fugir da raia.
Mas nunca, jamais, em tempo algum, tivemos a oportunidade de vivenciar dias como os de hoje, quando uma revolução silenciosa e irreversível, sem sofrimentos e sem derrotados, muda a face do país e o prepara para emergir como uma das grandes potências do século que mal se inicia. Nunca!
Estamos inseridos numa das mais belas e decisivas páginas da história social, política e econômica de nosso Brasil. Poucas vezes foi tão emocionante, tão belo e tão desafiador ser brasileiro. Temos um presente de sucesso e bonança que nos enche de alegria e orgulho, e um futuro promissor que nos exige mais trabalho e responsabilidade redobrada.
Nada veio de mão-beijada para o povo brasileiro. Tudo o que temos é fruto de talento, garra e determinação. O governo do presidente Lula, o mais popular e bem-sucedido desde Getúlio e JK, reorganizou um Estado arrasado pela incompetência gerencial e a traição aos interesses nacionais. O enorme patrimônio de nossas conquistas, desde a Petrobrás, passando pelo Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, foi protegido, reformulado e fortalecido, escapando de um destino inglório traçado pelos que promoveram o desmonte de boa parte das riquezas nacionais na década infame dos anos 90 – aqueles em que não saíamos dos balcões do FMI e fomos à lona em três quebras sucessivas.
Quando relembramos da década dos tucanos e miramos o presente, temos a oportunidade de comparar o Brasil humilhado e vencido de FHC, com o desmonte da máquina pública, com a entrega de algumas de nossas maiores riquezas, com as filas imorais do desemprego em massa, com o apagão e as mazelas do neo-liberalismo, com o Brasil vitorioso e promissor de Lula, o país que acredita em si e no seu poder criativo, no talento de seus empreendedores e na força de seu povo genial.
Estamos vivendo os dias de uma revolução pacífica, de mudanças profundas em nossa sociedade, de transformações que se concretizam com absoluta paz e sem o derramamento de uma única gota de sangue. Hoje, sob a batuta do mais popular, respeitado e querido de nossos presidentes nas últimas quatro décadas, derramamos é suor, trabalhando como nunca num país de oportunidades, com a economia aquecida, a justiça social sendo feita, o mais exitoso processo de redistribuição de renda e a consolidação da mais forte das democracias de todo o continente.
Não é por ser professor de matemática, mas por ser um cidadão brasileiro que ama seu país e seu povo, que faço questão de comentar alguns poucos números e seu significado para o Brasil:
· 2,9 milhões de computadores foram vendidos no primeiro trimestre no Brasil, alta de 40% se comparado o mesmo período de 2009;
· Os consumidores das classes C e D responderão por 87,5% das vendas de computadores em 2010;
· O consumo de energia elétrica cresceu 10,5% no mês passado em relação a maio de 2009. São mais lares com luz, são mais empresas produzindo dia e noite;
· Pela primeira vez, em 34 anos, segundo o IBGE, as famílias gastam menos de seu orçamento para comer mais;
· Apenas no mês de maio foram gerados 298 mil novos postos de empregos formais, o maior índice para esse mês desde 1992;
· Em sete anos de governo Lula, foram criados 13 milhões de novos postos de empregos formais, na maior geração de empregos da história do Brasil;
· Até o mês de dezembro mais 2 milhões de novos empregos formais serão criados num país que já não sabe o que é desemprego;
· Em 2009, 93% das categorias de trabalhadores conquistaram aumento real de salários. Outras 17 categorias profissionais (2,7% do total) obtiveram a reposição da inflação. Nenhum trabalhador perdeu um centavo;
· A Copa de 2014, cuja realização em nosso país foi uma batalha pessoal do presidente Lula, vai injetar R$ 142 bilhões na economia brasileira, trazendo um ‘boom’ turístico jamais visto em todos os tempos;
· O programa de erradicação do trabalho infantil tirou milhares de crianças de condições sub-humanas e as levou para a escola, dando-lhes dignidade e futuro;
· A indústria do material de construção atinge os maiores índices de venda em todos os tempos: é o povo construindo, realizando o sonho da casa própria. Além disso, R$ 69,92 bilhões foram investidos em habitação. Um aumento de 600% em relação a 2002;
· O PIB ultrapassa as estimativas mais conservadoras do próprio governo e deverá passar dos 7% em 2010, mostrando o acerto da política econômica do presidente Lula e o crescimento de nosso país;
· O percentual da população pobre caiu de 42,7% para 28,8% na Era Lula. Mantida a tendência de crescimento médio da economia, o Brasil cortará a metade o número da pobreza até 2014, menos de 8% da população. O equivalente a meia França saiu da pobreza e ganhou cidadania e dignidade pelas mãos do governo Lula.
Poderia continuar com números impressionantes em todas as áreas, especialmente na educação, na saúde e na geração de empregos, mas prefiro lembrar que ainda há muito a ser feito e que é necessária a continuidade do trabalho do presidente Lula e de sua equipe. Não podemos retroceder, voltar atrás, dar marcha-à-ré , retroagir aos anos da injustiça social, da quebradeira econômica, da venda do patrimônio nacional a preço vil em privatizações danosas, do desemprego que tornou-se dramático e do apagão nunca dantes experimentado.
Vivemos hoje um dos melhores momentos de nossa vida nacional. Somos parte da história e nos reencontramos com o futuro preconizado desde sempre pelos que acreditam em nosso destino de grandeza e sonharam uma grande Nação. Hoje somos o oposto do que éramos faz pouco tempo, no início de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva recebeu de Fernando Henrique Cardoso uma herança maldita: um país quebrado, desacreditado, cheio de dívidas e de mazelas. Homem de fé, com espírito de luta e conhecedor de sua gente, Lula lutou e venceu. Ao contrário do antecessor tucano, deixará para sua sucessora um país reorganizado, respeitado em todo o mundo, com as contas em dia, vitorioso em todas as áreas, com a auto-estima recuperada e um futuro mais que promissor.
Eu vos digo meus irmãos brasileiros: a herança de Lula será bendita.
Delúbio Soares
Foi em novembro de 2003, em Pretória, a capital da África do Sul, que o então presidente sul-africano Thabo Mbeki, pediu ao presidente Lula o apoio oficial do Brasil à realização da Copa do Mundo de 2010 em seu país. Recordo-me bem da resposta bem-humorada do presidente, por mim assistida: “Apoio, mas não me peça para perder! O Brasil vai ganhar a Copa na África do Sul!”. Já é história. Mas, história que se tornou realidade.
Futebol é o outro nome da paz. O mundo se esquece de seus conflitos por exatos 90 minutos. Dois times, duas bandeiras, duas cores, vinte e dois homens, milhões de corações e mentes, esperança, talento e garra no gramado. Muito mais que uma disputa, que um campeonato, a Copa é um excepcional congraçamento de Nações, um encontro de desportistas do mais alto nível, a realização do sonho de bilhões de torcedores em todos os países, num momento mágico de paz e alegria.
Nesse campo, o Brasil é campeão. Já provamos isso em 1958, na Suécia; em 1962, no Chile; em 1970, no México; em 1994, nos Estados Unidos e na Coréia em 2002. Agora haveremos de repetir o feito, unidos rumo ao hexa-campeonato, nos gramados sul-africanos.
O Brasil sempre hipnotizou o mundo com o talento de nossos atletas, desde o inesquecível Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, até Ronaldo, “O Fenômeno”, passando por uma galeria onde brilham o genial Didi e suas jogadas; o insuperável Vavá e seus gols; Garrincha e suas pernas tortas, fazendo dos adversários os célebres “Joões”, humilhados por seus dribles desconcertantes; e o Rei Pelé, gênio dos gênios, orgulho do Brasil e do futebol mundial. São nossos atletas que levaram longe nosso nome e o invulgar talento dos brasileiros no trato com a bola. São legendas do mais popular, do mais alegre, do mais universal dos esportes. Se os ingleses criaram o futebol com engenhosa criatividade, os brasileiros o aperfeiçoaram com inimitável competência, dando-lhe bossa, emprestando-lhe alegria, impregnando-o de fraternidade.
A realização da Copa Mundial de Futebol no continente africano adquire singular importância. Sinaliza novos tempos, uma nova geopolítica internacional, com a valorização de um continente riquíssimo, porém marcado por absurdas desigualdades, secular exploração por potências coloniais, além de problemas gravíssimos e inadmissíveis em pleno século XXI, como a fome, várias endemias, mortalidade infantil altíssima, sucessivos golpes-de-estado e permanentes conflitos tribais.
Mas para muito além de um quadro assim, desolador, existe uma “Mãe África” que desponta soberana, rica e esperançosa. Ela é espelhada pelo petróleo que brota na Nigéria, na Guiné Equatorial, no enclave de Cabinda e por toda Angola. Ela é vislumbrada na indústria do turismo desde os safáris até o litoral exuberante, passando por reservas ecológicas e campos e floretas ricas e belíssimas, com ecossistema impressionante que se espalha por todo o vasto território continental. Na franja austral, por exemplo, Moçambique já ultrapassou o antigo bolsão de miséria e desponta como uma terra de promissão. As vinícolas, as riquezas minerais, a indústria forte da África do Sul são a face vitoriosa de um país que soube se reencontrar consigo mesmo. A Namíbia e a África do Sul atraem investidores de todo o planeta, já figurando entre os países que escreverão a nova história econômica e social do século que se inicia.
São centenas de empresas brasileiras que hoje investem e trabalham na África do Sul, na Nigéria, na Namíbia, no Congo, em Moçambique, em Angola, em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe, dentre outras Nações africanas. A distância que nos separa de nossos irmãos negros já não é tanta, atalhada por centenas de vôos, por bilhões de reais, por bons negócios e um relacionamento diplomático aprimorado durante o governo do presidente Lula, o brasileiro que olhou a África com olhos de Estadista, visando parceria e companheirismo e não com o habitual colonialismo, comiseração ou desprezo anteriormente destinados ao “continente negro”.
Nossos irmãos da raça negra são atletas invulgares. A maioria dos jogadores norte-americanos de basquete são afro-descentes, como Michael Jordan e Shaquille O’Neal, além do grande “Magic” Johnson, também campeão na luta pela vida e uma bandeira contra a AIDS. O maior pugilista de todos os tempos, Cassius Clay, o Muhammad Ali, também bem representa os afro-descendentes que brilharam e brilham no cenário desportivo mundial. Mesmo aqui, no Brasil, nos acostumamos a ver os velozes corredores do Quênia vencendo, ano após ano, a Corrida de São Silvestre, com mérito e humildade.
Nada mais justo do que a realização da Copa na África do Sul. É mais do que uma manifestação esportiva, é uma condenação ao racismo e a todos os tipos de segregação racial ou social. É a valorização da África Austral, uma das regiões que mais se desenvolvem em todo o mundo. É a consagração da grande pátria sul-africana, nossa parceira nos BRIC’s, uma aliança comercial e política que emerge como uma união de potências emergentes e futurosas. A Copa se realiza no país que viveu a mais hedionda das segregações, o mais brutal dos regimes políticos, e por conta de dois grandes homens, o líder branco Frederik de Clerk, e o Estadista Nélson Mandela, o elevado espírito que deixou quase três décadas de cárcere para consolidar a transição democrática e pacífica do odioso ‘apartheid’ para a democracia plena. A Copa na África do Sul é um reconhecimento a um continente sofrido e seu extraordinário povo.
Quando esse artigo estiver sendo lido, na manhã desta sexta-feira, os olhos e os corações de todo o Brasil estarão voltados para a bela festa de abertura do maior de todos os encontros esportivos, o mais popular, o mais querido, aquele em que nós, os brasileiros, somos fortes candidatos ao hexa-campeonato. Irmanados, estaremos defendendo nossas cores no campo da paz. Que tal momento sirva, especialmente, como reafirmação de nossos compromissos com a paz, a fraternidade e a união entre os povos.
As grandes civilizações se desenvolveram as margens de grandes rios ou baías, alicerçadas no transporte marítimo ou fluvial, com portos que centralizaram suas atividades econômicas e mesmo a vida das sociedades locais. Com o Brasil não foi diferente. Nossos portos tiveram desde sempre importância invulgar no progresso de nosso país, já que temos 8.500 km de costa absolutamente navegáveis. A riqueza de nossa geografia, com a privilegiada localização de nossas principais cidades e seus portos, é prova eloqüente disso.
Desde os primórdios de nossa história, quando o Rio de Janeiro e Salvador eram os principais destinos das importações e escoadouros de nossa produção a ser exportada, o transporte marítimo se desenvolveu de maneira impressionante, dando suporte a um país que foi crescendo e assumindo papel invulgar no contexto internacional. Mas, lamentavelmente, os investimentos na área sofreram autêntica paralisação ao longo das duas últimas décadas. Somente no governo Lula, com a competente ação da Secretaria Especial de Portos da Presidência da República (SEP/PR), o Brasil voltou, novamente, seus olhos para o maior, melhor e mais eficiente sistema de logística e transporte, fundamentais para nosso desenvolvimento.
Temos exatos 37 portos públicos, sendo que 16 deles estão operando por concessão a Estados e Municípios, 42 terminais utilizados pela iniciativa privada e três grandes complexos portuários operados por concessão a particulares. É uma infra-estrutura invejável e que, se tivesse recebido os investimentos necessários, poderia estar oferecendo um suporte ainda maior às necessidades do país tanto em importações quanto nas exportações, sem falar no insípido transporte de passageiros no setor de cabotagem e no turismo, nicho que está se firmando ainda que de forma lenta e gradual.
O governo do presidente Lula olhou para nossos portos com os olhos de futuro, buscando buscar o tempo perdido. Existem dados que nos obrigam a priorizar a reestruturação do sistema portuário com urgência máxima e o governo teve a sensibilidade de captar isso. Um deles, por exemplo, é irrespondível e preocupante: o engenheiro Paulo Augusto Vivacqua, um dos nossos maiores e mais respeitados especialistas no assunto, alerta para o fato de que ao longo dos últimos quinze anos o movimento de contêineres dos vinte maiores portos mundiais aumentou em mais de 400%. Isso reflete a extraordinária ascensão comercial do setor e onze localizam-se na Ásia, dos quais seis eram insignificantes ou simplesmente não existiam até recentemente. Um deles, o novato Port Klang, na Malásia, já movimenta volume de contêineres equivalente ao total de todos os portos brasileiros!
Um navio-gigante, hoje comum nos portos mundo afora, transporta, em média, US$ 1 bilhão por empreitada! O custo da operação diária se eleva a 0,8% desse total, exigindo eficiência dos portos no recebimento e no despacho, sob pena de pesadas perdas para os exportadores. Portos inadequados, insatisfatórios, sem a marca da modernidade e o cumprimento das exigências crescentes do mercado, simplesmente estão de fora, marginalizados e riscados do mapa do agressivo comércio marítimo internacional. E o Brasil, infelizmente, ainda não apresenta as condições necessárias para competir em igualdade de condições num mercado dominado por gigantes, com embarcações cada vez maiores e mais sofisticadas, que exigem portos com capacidade de absorção das exigências crescentes para sua operação.
O descuido dos governos anteriores, que relegaram uma das maiores economias do mundo à verdadeira semi-indigência no segmento portuário, afunilando nossas exportações exatamente no momento em que a indústria e a agricultura vivem os seus melhores anos, com exportações expressivas e supersafras, está sendo reparado pela política de valorização de nossa rede portuária pelo governo do presidente Lula. Os investimentos tem sido voltados para a recuperação e a expansão dos portos existentes. O Programa Nacional de Dragagem (PND) investirá este ano R$ 1,2 bilhão, contra R$ 800 milhões aplicados no ano passado. O trabalho de melhoria no acesso de navios aos portos vem sendo desenvolvido desde 2007, ao mesmo tempo em que a ampliação de piers e a realização de obras para aumentar a profundidade necessária à atracação de embarcações de 125 metros a 330 metros de comprimento.
O governo Lula implementa um plano de longo prazo, com planejamento para as próximas duas décadas, colocando o Brasil no mapa do transporte e do comércio marítimo internacionais, pensando grande e pensando bem as necessidades do país. Com a conclusão da Ferrovia Leste-Oeste, que liga o centro-oeste, saindo de meu Estado, Goiás, ao litoral da Bahia, além da finalização das adiantadas obras da Ferrovia Norte-Sul, cria-se uma nova realidade no binômio produção/exportação, com a integração modal. Prepara-se o país para o escoamento de safras que surpreendem o mundo a cada ano, tanto pela qualidade de nossos produtos quanto pela altíssima competitividade que já temos e que aumentaremos com uma logística eficiente, de baixo custo e alicerçada em portos modernos e eficientes.
Aí estão a soja, o milho, o café, os manufaturados, a indústria automobilística, o expressivo setor da tecnologia da informação, aí está o Brasil que se reencontrou consigo mesmo sob o comando clarividente do presidente Lula e de seu governo exitoso e competente. O Brasil vai recobrando de forma clara, irreversível e decidida seu lugar no cenário mundial. Já não pedimos licença, nos tornamos protagonistas. O Brasil, mais que nunca, é um porto seguro para o desenvolvimento econômico e social.
A bem-sucedida missão do presidente Lula e da respeitada diplomacia brasileira em Teerã, jogando cartada decisiva em favor da paz e do desarmamento, é motivo de alegria e de orgulho para todo o povo brasileiro. Reafirma-se a importância crescente de nosso país no cenário internacional, além do perfil de Estadista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que renova seus compromissos com a paz e o entendimento entre os povos.
O confronto e a guerra não interessam, de forma alguma, aos povos. Em pleno século 21 não podemos nos privar do diálogo e do entendimento, nem podemos crer que as soluções de força e o enfrentamento possam produzir nada além da destruição, da morte e da disseminação do ódio. O Brasil, tanto pela índole pacífica de seu povo quanto pela tradição de competência diplomática, jamais abriu mão da defesa da autodeterminação dos países e da via pacífica na solução dos conflitos. Agora, sob o comando do presidente Lula, nosso país se recupera de vários anos longe do cenário das decisões internacionais, marginalizado dos centros do poder político e econômico, em posição desimportante que não se coaduna com a vocação de grandeza e o desenvolvimento que apresentamos diante de todo o restante das Nações.
A política externa do Brasil sob a égide do governo Lula voltou a gozar da respeitabilidade que nos marcos em tantos momentos da história. Desde a figura excepcional do Barão do Rio Branco, mediando conflitos, traçando as linhas de uma diplomacia do mais alto nível e de excelente reputação em todo o mundo, passando pelas figuras de Raul Fernandes, San Thiago Dantas, Mário Gibson Barbosa, Azeredo da Silveira, Paulo Tarso Flecha de Lima, Samuel Pinheiro Guimarães e o chanceler Celso Amorim, dentre tantos outros, nomes que consagraram nosso serviço exterior e nos representaram com coragem e competência nos momentos mais decisivos.
Longe vai o tempo em que o chanceler do governo passado, amesquinhando sua investidura, arrancava os sapatos para uma revista em pleno salão do aeroporto de Washington, ou a vergonha dos vários anos em que o Brasil, simples e vergonhosamente, deixou de pagar a mensalidade devida à ONU, humilhando-nos diante de nossos pares no mais alto organismo de convivência e entendimento entre as Nações!
E o protagonismo do Brasil, absolutamente compatível com sua nova realidade econômica e social, como um dos países ascendentes no concerto das Nações, se dá num momento especialíssimo, quando o mundo chegou a ver-se às vésperas da possibilidade de trágico conflito envolvendo o Irã. Quando as mais importantes potências mundiais, diante da ausência absoluta de interlocução entre os Estados Unidos e o Estado iraniano, já não apostavam na solução pacífica do impasse acerca do programa nuclear iraniano, o presidente Lula, competentemente assessorado pelo Itamaraty, teve papel decisivo no encaminhamento de uma solução que desate o nó da falta de diálogo e preserve a paz tão cara a todos os povos. Acreditando no poder do entendimento, nas melhores expectativas de paz do povo iraniano, no apoio dos países envolvidos na questão e na delicada negociação levada a cabo por nossa diplomacia, o presidente Lula evitou o pior e conseguiu o que nem a ONU nem as grandes potências haviam logrado conseguir: um acordo razoável em torno da mais delicada questão do cenário internacional na atualidade.
A declaração de Teerã, com a reafirmação do apoio iraniano ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), assinada por Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, Tayyip Erdogan, primeiro-ministro da Turquia e o presidente Lula, se reveste de singular e histórica importância, não apenas pelo encaminhamento prática de tão crucial questão, mas como prova de que não há melhor alternativa para os impasses internacionais do que o diálogo franco, aberto e transparente, tendo a paz como meta e o entendimento como meio.
O que fez o presidente Lula em um país distante, envolvido em tão intrincada questão? Além de buscar a paz que tanto interessa a humanidade, Lula faz com que o Brasil dê mais um passo seguro e necessário rumo ao lugar de destaque que a histórica lhe reserva nos mais altos conselhos internacionais e nas situações de decisão em que nosso país, potência emergente e novamente respeitada em todo o mundo, deve obrigatoriamente ter palavra e posição.
Venceu a paz, evitando um conflito de conseqüências desastrosas, particularmente na questão nuclear. Perderam os que acreditavam na incapacidade de diálogo das partes envolvidas e apostavam na guerra com toda sua extensão de flagelo e perdas humanas. Venceram os homens de boa vontade e de larga visão, como Lula e o premiê turco, Tayyip Erdogan, que encaminharam conjuntamente o primeiro e sólido passo rumo à solução definitiva que as grandes potências não tiveram habilidade ou interesse em dar.
O caminho para o entendimento final no Oriente Médio e no Golfo Pérsico é longo. Mas o Estadista Luiz Inácio Lula da Silva, assessorado por uma das diplomacias mais profissionais e competentes do mundo, representada pelos que fazem do Itamaraty um orgulho de nosso país, evitou o pior, apresentou uma saída digna para os envolvidos no impasse, preservou as aspirações do Irã de avanço tecnológico no domínio da energia nuclear para finalidades pacíficas, e mostrou ao mundo o valor, a garra e o talento de um povo invulgar e comprometido com a paz, o povo brasileiro.
Visão equivocada da realidade é crer que a redução da jornada de trabalho não é necessária. Pior que isso: a redução da jornada de 44 horas semanais seria um “luxo” ou, mesmo, um absurdo sua discussão em um país com as carências do Brasil. Em verdade, a jornada de 40 horas é a que melhor se ajusta à realidade e necessidades de toda a classe trabalhadora, de toda a sociedade brasileira e mesmo de nossa economia.
Na Assembléia Nacional Constituinte, em 1988, houve um considerável avanço, fruto do esforço dos sindicatos e associações de classe e da conscientização dos Constituintes, de que era preciso e viável que a velha e pesada carga semanal de 48 horas fosse reduzida para 44 horas semanais. Assim foi feito. Qual o problema acarretado por aquela conquista social? Nenhum. Mais postos de trabalho foram criados, o Brasil continuou seu caminho rumo ao desenvolvimento pleno, sequer uma única empresa quebrou por conta da redução da jornada e os trabalhadores tiveram mais tempo para suas famílias, para seus estudos, para o lazer.
Em mais de duas décadas o Brasil é outro país, bastante diverso e mais desenvolvido, com indicadores sociais e econômicos invejáveis e várias vezes superiores aos daquele já distante ano de 1988, e urge reformular conceitos, revisitar questões fundamentais e debatê-las com absoluta transparência em benefício de toda a sociedade civil. Com uma jornada menor, seguramente, cria-sem mais empregos num país em franco desenvolvimento e que venceu o desemprego, tormento dos trabalhadores e de suas famílias até o início do governo Lula, em 2003, quando o Brasil adentrou o ciclo virtuoso em que vivem sua economia e sua sociedade depois de experimentarem o desastroso período de um “liberalismo” que não contemplava de forma alguma os trabalhadores.
Vivemos em um país onde o empresariado teve a competência de investir massivamente na tecnologia de ponta, dando-nos invejável competitividade no mercado internacional e aumentando nossa já alta qualidade na produção. Hoje se produz mais em menos horas. As máquinas, longe de tomarem o lugar do homem, tornaram possível uma jornada menor e mais produtiva de trabalho. E nossos empresários – arrojados e modernos em sua imensa maioria – constatando tal realidade, já se conscientizaram faz tempo de que a jornada imposta aos nossos trabalhadores está entre as maiores do mundo e que reduzi-la é imperativo para a manutenção do equilíbrio nas relações entre o capital e o trabalho.
Algumas das maiores empresas do Brasil, em todos os setores, apresentam elevado nível de produtividade com menos empregados. A indústria automobilística é um exemplo clássico da alta tecnologia que tomou conta de sua linha de montagem, permitindo mais produção com menos trabalhadores. Nos serviços bancários, área onde o Brasil está elencado entre os primeiros e melhores do mundo, deu-se o mesmo, com um volume crescente de demanda respondida por menos trabalhadores do que antes. Uma das melhores empresas do país, orgulho do Brasil nos céus do mundo, a Embraer, é outro exemplo cristalino de uma produção intensa e crescente com o emprego cada dia maior de tecnologia e decrescente mão-de-obra humana.
Na agricultura, sucede o mesmo: pelos campos nos deparamos com mastodontes tecnológicos que fazem de nossa agricultura uma das maiores e melhores do mundo. Máquinas de última geração substituem o homem e multiplicam por centenas de vezes a capacidade de plantio ou de colheita nas plantações de soja, arroz, café, milho e algodão. Recordo-me do arado puxado pelo boi, nos idos do final da década de 60, quando, ao lado de meus irmãos, ajudava meu pai em sua propriedade rural de Buriti Alegre, no interior de Goiás, e vejo a impressionante transformação de nossa agricultura, de nossa economia, enfim, de nosso país. Toda a produção de arroz era colhida manualmente. Cortava-se o arroz com o cutelo, depois ele era batido em feixes na “banca”... Alguns anos depois apareceu a “batedeira”, antes da colheitadeira, que já fazendo o trabalho de mais de 30 homens! Hoje, pelos campos desse país-continente, autêntico celeiro do mundo, a maioria esmagadora das colheitadeiras dispõe de GPS, altíssima tecnologia em todos os seus itens funcionais, além de cabines com ar condicionado. Do arado de boi à localização por satélite nossa agricultura deu um salto fabuloso e não há razão, aí também, para que a jornada de trabalho não seja reduzida.
A economia cresce e absorve a mão-de-obra em variados setores, fazendo do desemprego uma imagem triste de passado que nos envergonha. A média anual de geração de empregos do governo FHC foi de 99 mil postos de trabalho. No governo Lula a média anual é de 1 milhão 246 mil. A média mensal de geração de empregos do governo FHC foi de 8 mil postos de trabalho. No governo Lula a média mensal é de 104 mil. Tínhamos um salário mínimo de pouco mais de US$ 70 em 2002. Hoje, na Era Lula, o salário é de mais de US$ 250, não há desemprego, sobram vagas, nenhuma empresa quebrou e nossa economia dá mostras de vitalidade e competitividade invejáveis. Qual, então, o motivo para não termos mais essa conquista, a das 40 horas semanais de jornada de trabalho?
O Brasil tem vencido etapas importantíssimas na atualidade. O governo do presidente Lula, de forma competente e sem traumas, realizou a proeza de correr atrás do tempo perdido na década infame que antecedeu sua investidura na presidência da República. Antes, num governo onde o desemprego imperou e a economia se eclipsou em várias oportunidades, discutia-se até mesmo a abolição dos direitos trabalhistas, o fim da Carteira de Trabalho, a volta da classe trabalhadora aos primórdios da República Velha, sem direitos e sem o respeito dos patrões. Hoje, numa economia ascendente, num Brasil ganhador e respeitado, com o desemprego debelado e o trabalhador tendo reconhecidos todos os seus direitos fundamentais, passamos à discussão de uma necessidade, a da redução de sua ainda muito pesada jornada de trabalho.
Mais qualidade de vida para os trabalhadores que fazem do Brasil um dos países escolhidos para liderar o mundo no século XXI, mais tempo para os estudos, mais tempo para o lazer, mais tempo para o convívio com suas famílias. Essa gente fabulosa que carrega nas costas o país que amamos, esses trabalhadores extraordinários que fazem de nossa economia uma das mais fortes do mundo, esses brasileiros que dão o melhor de si pela grandeza de sua pátria, merecem mais tempo para viver melhor.
“A Mãe é a mais bela obra de Deus”
Almeida Garret
Existe uma única entidade perfeita por sobre a face da terra. Ela é inatacável, absoluta, irreparável e à prova de todas as provações.
Ela dispensa tratados internacionais e maiores explicações. Suas razões ultrapassam o previsível, o justificável, o usual. Em verdade, ela se impõe pela força intrínseca do amor e da fé que remove as montanhas e enfrenta o mundo.
Não há força que supere a sua força. Não existe medo que a intimide, nem percalço algum que a desanime.
No gênero humano a perfeição se materializou na figura da mãe. Seu ventre abriga por parcos meses o homem de amanhã, mas suas mãos conduzem vida afora aquele que jamais deixará de ser criança frente aos olhos de seu coração.
Retorno num lapso de tempo, no mais profundo da memória ainda vida, e me reencontro no chão de Buriti Alegre, com o cheiro da terra, com o barulho do vento balançando as árvores, meu pai tangendo o gado, as longas caminhadas pés descalços rumo à escola na cidadezinha distante. Tantas boas lembranças de uma infância pobre, mas feliz. Mas nenhuma delas superando o olhar significativo, perspicaz e doce de minha mãe. A mesma mirada firme, resoluta, suave e solidária, que em mais de meio século acompanha minha vida, dá alento, é refúgio e dá paz.
Minha mãe sempre soube a hora certa de deixar que cada um de seus filhos seguisse seu caminho pela vida. Mulher de pouquíssimas letras, Dona Jamira é mais sábia que os quatro filhos que formou. Chego a pensar que os canudos que recebemos nas universidades são pouco ou nada se comparados à sabedoria daquela suave senhorinha do interior goiano... Tendo mal saído das terras amadas de Buriti Alegre, é cidadã do mundo, versada em vida e doutora nos mistérios da existência humana.
A figura da mãe é o espelho de nossas almas. E essas mulheres que batalham e formam famílias, que geram filhos e os educam, que trabalham e lutam, que constroem caminhos e enfrentam a dureza dos desafios da vida, são exemplos a serem exaltados, homenageados e seguidos.
Aproveitemos o comercialíssimo Dia das Mães no que ele tem de bom: a lembrança da instituição perfeita, da entidade do bem, da mais sublime das criaturas.
E vale destacar que o Brasil de hoje trata muito melhor a mulher, dá à cidadã o tratamento respeitoso que lhe é devido, resgata as potencialidades de nossa imensa força de trabalho feminina e as igualdades de oportunidade no mercado de trabalho. A mulher deixou a posição subalterna que a sociedade atrasada e reacionária insistia em destinar-lhe e ela, com a coragem que lhe reconhecemos, jamais aceitou. As mulheres brasileiras continuam criando seus filhos, mas também comandam grandes empresas. Não perderam a doçura, mas assumem responsabilidades e sabem tomar decisões. Estão entre as mais belas do mundo, mas são guerreiras destemidas quando chamadas à luta.
Milhões de mulheres compõe a força produtiva da economia nacional, mostrando ao mundo sua capacidade e a diferença que fazem na construção de um país que tem colecionado indicadores sociais e econômicos que apontam sua rápida caminhada rumo ao primeiro mundo. No governo Lula a situação da mulher na sociedade brasileira apresentou avanços impressionantes, com maior participação política, social e econômica, inclusive com a ocupação de postos de relevância na administração pública, mostrando o estágio avançado a que está se chegando o protagonismo da cidadania feminina na gestão dos destinos de nosso país.
Mas, por outro lado, persistem graves problemas a serem superados na sociedade brasileira em relação à mulher. E, por incrível que pareça, apesar de todos os avanços que já presenciamos, a discriminação ainda existe e pode ser notada, e ela é fruto da desinformação tanto quanto do preconceito. E se a política de cotas raciais foi um sucesso garantindo aos nossos irmãos afro-descendentes e indígenas o acesso às universidades públicas, proponho que se estabeleça a discussão de cotas mínimas para a participação da cidadania feminina em várias modalidades, como, por exemplo, o serviço público. As mulheres têm mostrado seu valor e conquistado seus espaços na sociedade brasileira por méritos próprios, mas nem por isso devemos deixar de reconhecer a existência lamentável de forte resquício de machismo e tentar eliminá-lo criando mecanismos que ampliem os horizontes de tais conquistas.
Falar do valor de nossas mulheres é prestar homenagem sincera às mães. Eles embalam nossos sonhos, curam nossas feridas, olham por nós e se doam por completo, desdobrando fibra por fibra, com a doçura e a fortaleza que só elas têm. Faz poucos meses os brasileiros se comoveram com história tipicamente brasileira, quando a figura suave e forte de Dona Lindú, mãe-coragem, emergiu das telas dos cinemas com a força de sua sofrida e belíssima história, criando sozinha os filhos, dando-lhes amor e os encaminhando na vida. Um deles, Luiz Inácio, engraxate, vendedor de laranjas, torneiro-mecânico, líder sindical e presidente do Brasil acaba de ser apontado como um dos principais e mais influentes líderes do mundo pela revista Time.
Homenageio as Mães em seu dia nas figuras das mulheres pobres e desconhecidas que vi no nordeste de antes do governo Lula, percorrendo dezenas de quilômetros para buscar água e alimento para os filhos seus. Homenageio as Mães relembrando as mulheres sofridas da Plaza de Mayo, em Buenos Aires, que numa marcha marcada pelo silêncio, as lágrimas e a coragem, não permitiram que a poeira do tempo cobrisse a memória dos filhos que a ditadura lhes arrancou. São hoje as Mães da sólida democracia argentina. Homenageio as Mães voltando meio século, no mais profundo e belo da memória que jamais se apagará, para recordar o brilho dos olhos e o sorriso imorredouro de Dona Jamira, cuja presença discreta e forte é uma benção de Deus em minha vida.
O velho provérbio nos ensina que “ninguém é profeta em sua terra”, mas nem ele serve de consolação ou desculpa para os que não vêem (ou não querem ver...) o retumbante êxito do governo Lula. Se alguém ler o noticiário político dos jornais verá um Brasil diferente, com críticas ao presidente Lula, em sua maioria improcedentes e injustas, movidas pela paixão do período eleitoral. Mas, se o mesmo leitor avançar algumas páginas e fizer uma leitura mesmo que superficial das páginas dos cadernos de economia, irá se sentir confuso, surpreso ou saberá que desde o governo JK o Brasil não experimentava um momento tão positivo em sua vida econômica, fruto de um governo competente e visionário. São, portanto, dois “Brasis”, o do primeiro caderno, e o do caderno de economia.
O povo brasileiro, em uma maioria esmagadora que ultrapassa os 80% segundo as pesquisas, reconhece, aplaude e apóia o presidente que mudou a face do país, devolveu-lhe a auto-estima, recobrou o prestígio internacional perdido, recuperou a economia devastada e comandou a mais profunda, bem-sucedida e pacífica revolução já vista na história latino-americana, ao realizar a redistribuição de renda e levar dezenas de milhões de brasileiros de condições de quase indigência para a plena cidadania.
Mas existe, para mais além de todos os êxitos reconhecidos do governo Lula, aquele que mais diretamente fez diferença na vida de nossa gente: o fim do desemprego. Hoje, ao contrário dos anos 90, a “década perdida”, sobram empregos. E não há obra pública, viaduto, porto, aeroporto, super-safra que substitua o emprego de uma mãe ou pai de família. É o emprego, é o salário, a justa remuneração, a base da estabilidade da vida do cidadão e de sua família, da felicidade de seu lar e da educação de seus filhos, do planejamento de sua vida e do futuro. Sem ele, nada feito.
Antes do governo Lula o desemprego era o fantasma que assaltava as famílias, que destruía lares, que levava a intranqüilidade e semeava a incerteza justamente na base da sociedade brasileira. Assistíamos ao triste e degradante espetáculo das filas quilométricas dobrando quarteirões, onde jovens e idosos, homens e mulheres, nas cidades do interior e nas grandes capitais, disputavam avidamente as poucas posições de trabalho que apareciam na economia convulsionada daquele Brasil decadente e desacreditado. Nos rostos abatidos daquela gente humilhada, o retrato de um Brasil que é passado e não deixou saudades. O Brasil dos anos 90, do governo que queria matar a “Era Vargas” mas não criou um único emprego, não gerou uma única divisa, não possibilitou que o trabalhador brasileiro colocasse um único tijolo em sua casa. Tristes tempos. Mas, felizmente, tempos passados e que não voltarão.
Quando o presidente Lula assumiu as rédeas da condução de nosso país, em 2003, o desemprego galopava e havia ultrapassado a impressionante marca dos 13% da população economicamente ativa. Não havia família sem um desempregado. Era essa, em verdade, a pior parte da herança maldita deixada pelos tucanos ao governo do PT. Hoje o quadro é outro, radicalmente mudado: mais de 1 milhão de empregos formais foram gerados nos primeiros meses de 2010, e as perspectivas são impressionantes. Em São Paulo, serão 700 mil vagas ao longo do ano; no Rio de Janeiro quase 200 mil; o mesmo número em Minas Gerais; 150 mil no Paraná; 130 mil no Rio Grande do Sul; 84 mil na Bahia; 70 mil em Pernambuco; 23 mil no Pará; 11 mil em Goiás. E a economia informal, grande geradora de postos de trabalho, não está computada. São os números de um país que cresce, que se desenvolve, que busca o seu destino de grandeza e de prosperidade, absolutamente oposto ao Brasil do início da década, aquele país decaído e desmoralizado, o freguês do FMI, o que quebrou três vezes nos anos 90, o Brasil do passado.
A revista Istoé Dinheiro, em matéria competente do repórter Hugo Cilo, mostra a realidade de nossa economia em relação ao aquecimento do mercado de trabalho, com o país caminhando para o pleno emprego, mostrando empresas que oferecem milhares de vagas e renovam seus compromissos de confiança e aposta no Brasil do presente e do futuro. Fiquei impressionado com a qualidade da matéria, a quantidade de informações e as empresas que se mostram confiantes como nunca e abrem milhares de novos empregos: Carrefour, Fiat, Accenture, Petrobrás, Rossi Residencial, Teleperformance, PriceWaterhouse e dezenas de outras gigantes da economia nacional e internacional. (Disponibilizei-a no www.delubio.com.br)
Mais do que palavras o governo Lula tem números para mostrar. E são muitos. E vamos nos ater nos do primeiro trimestre de 2010, na geração de empregos. Foram mais de 204 mil novos empregos na indústria. Quase 130 mil na construção civil. Nos serviços chegaram a 250 mil, 18 mil na agropecuária, 34 mil no comércio, 4 mil na extração mineral, dentro outros. Chegaram aos 657.259, segundo a Caged, citada pela Istoé Dinheiro.
Na nova realidade econômica brasileira, fruto do governo Lula, as empresas estão pagando salários mais altos, há planos de carreira, mais bonificações por desempenho, promoções mais rápidas, investimentos em treinamento e cursos de aprimoramento, valorizando o profissional, seja ele de que nível for, tratando-o com a dignidade e o respeito que lhe são devidos. É uma cultura necessária e que se faz possível num país com a economia sólida, em expansão, diferente do passado bem próximo.
A história tem seus caprichos. Churchill era um político decadente e derrotado, foram buscá-lo em casa para a tarefa quase impossível de defender a velha ilha do avanço do III Reich. Mandela passou grande parte de sua vida dentro de uma prisão de segurança máxima, saindo de lá para pacificar seu povo, acabar com a segregação racial e dar início ao que hoje é uma das democracias mais estáveis e uma das economias mais prósperas de nosso tempo. Quis o caprichoso destino que um operário consertasse os erros da elite, fizesse o brasileiro voltar a crer em si mesmo e em seu país, e comandar o vitorioso processo de soerguimento da economia nacional, transformando o país grande em grande Nação.
"Eu já aumentei em 74% o salário mínimo e não deu inflação"
Presidente Lula
O salário mínimo é o máximo para dezenas de milhões de brasileiros que vivem dele. Desde que foi criado em julho de 1940, com o valor de 240 mil réis, ele é a expressão da realidade econômica da avassaladora maioria da massa trabalhadora brasileira. Bem ou mal, é dele que vivem homens e mulheres, pais e mães de família, nos centros urbanos, nas cidades do interior ou nas zonas rurais, batalhando em fábricas, no comércio, acordando antes que o sol nasça nos campos do Brasil profundo.
Mesmo que o salário mínimo e a legislação trabalhista tenham sua origem e inspiração na Itália de Mussolini, moldadas na “Carta Del Lavoro”, promulgada em 1927 pelo regime fascista, no Brasil da República Velha, eles foram um avanço. Éramos um país onde os trabalhadores não tinham qualquer direito reconhecido, recebiam o que lhes pagava o humor ou a “caridade” do patrão, eram demitidos ou enxotados ao bel-prazer do empregador depois de anos e anos de trabalho em regime de semi-escravidão, em condições insalubres e desumanas, em condições de degradação e indignidade.
País multifacético, onde os contrastes convivem de forma impressionante, o Brasil registra em sua história riquíssima que o presidente Getúlio Vargas, em sua fase como ditador, instituiu o salário mínimo e garantiu os direitos iniciais para a classe trabalhadora. E, bem mais de meio século depois, ocupando a mesma presidência, só que pelo voto popular, o presidente Lula conseguiu aumentar o salário mínimo em 74% ao longo de menos de sete anos de governo, transformando a realidade dos que vivem dele e aumentando extraordinariamente a capacidade de compra das classes D e E, ou seja, a absoluta maioria da população brasileira.
Os 74% de aumento no que realmente ganha a massa trabalhadora, um ganho real jamais visto no país, é coroado por uma economia estável, baseada em fundamentos sólidos, sem a ameaça do processo inflacionário e, por conseguinte, da brutal corrosão dos salários.
De 1994, lançamento do Plano Real, até a posse do presidente Lula em 2003, o Brasil foi à bancarrota três vezes. Freqüentamos, humilhados, os balcões do FMI – hoje nosso devedor, quem diria... – com o estigma de uma condução econômica desastrosa em todos os aspectos, mas, essencialmente, no que diz respeito à política salarial. Na década que precedeu à chegada do governo Lula, o salário mínino nunca foi tão mínimo: R$ 64,79 (março de 1994) e R$ 180,00 (março de 2002). Em oito anos, dentro de um panorama econômico desfavorável e com perdas contínuas para os brasileiros, a inflação subiu velozmente pelo elevador enquanto o salário subia sofrivelmente pela escada. Jamais se encontraram. Salvavam bancos quebrados torrando bilhões, mas não aumentavam os salários dos que fazem o Brasil!
A realidade do povo brasileiro mudou. O Brasil mudou por isso. A mudança de um país é a mudança de seu povo, não a mudança de um presidente ou de um partido no poder. A mudança fundamental e que a todos nos interessa é a que se vê, a que se constata, a que se testemunha, a que se presencia nas gôndolas dos supermercados lotados de consumidores e nas panelas cheias das casas simples das periferias. A mudança ocorrida no Brasil é a do salário mínimo que, ainda longe de satisfazer o que sonhamos para nossa gente, já não é mais o salário de fome e de vergonha pago no passado recente de quebradeiras e de falências, de concordatas e de desemprego.
O ganho real do salário mínimo no governo Lula é o maior da história! O poder de compra do brasileiro é o maior em todos os tempos! A renda do brasileiro cresce 10% em média e a renda média mensal atingiu R$ 1.285 e não interrompeu tendência de ascensão social. Há produtos que o trabalhador consome nos dias de hoje, nos dias do governo Lula, e que não faziam parte de sua realidade, nem eram cogitados quando o carrinho de compras deslizava pelos supermercados do país: iogurte, creme hidratante, leite longa vida, fibras, cereais, sucos, água mineral. Coisas simples para a classe média. Coisas banais para os ricos. Sonhos para pessoas que viviam na penúria que lhes foi destinada nos anos anteriores ao governo de transformações sociais do presidente Lula.
Há dados recentes do governo Lula que mostram a razão do sucesso e o porquê do apoio que ele recebe da totalidade dos trabalhadores do país: de 1909 até 2002 foram inauguradas 140 escolas técnicas em todo o Brasil. Em menos de oito anos de governo Lula foram construídas 214 novas escolas técnicas, modernas, de excelente qualidade, todas funcionando. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estima que o Brasil irá crescer 6% em 2010 e informa que os desembolsos do BNDES bateram recorde e chegaram a R$ 25,5 bilhões no primeiro trimestre, crescendo 37% em relação ao ano anterior, financiando o desenvolvimento, gerando mais empregos e mais riqueza.
Quando o salário mínimo (governos anteriores) era de R$ 200 o saco de cimento custava R$ 22. Hoje o salário é de R$ 510 e o mesmo saco de cimento custa R$ 15! Isso explica tantas casas de trabalhadores sendo reformadas, tantos “puxadinhos” trazendo conforto e alegria para essa gente humilde que constrói o pais. Com o mínimo anterior, o litro de gasolina custava R$ 2,30 a R$ 2,50. Continua custando o mesmo, mas o salário mais que dobrou, e a indústria automobilística, também, passou dos 1,5 milhão de automóveis/ano para os quase 5 milhões de novos veículos entregues em 2009.
Esse é o país das forças democráticas que venceram em 2002 as eleições mais disputadas da história. Nossos adversários criaram o “risco Lula” e o “risco Brasil” chegou à estratosfera. Hoje ele é pouco mais de 170 pontos. O dólar que chegou a mais de R$ 4,00, na especulação eleitoreira, placidamente repousa faz meses em patamares já costumeiros.
A grande tarefa é a continuidade do governo vitorioso do Estadista Luiz Inácio Lula da Silva, garantindo as vitórias do Brasil, de seus trabalhadores, de seus empresários, o seu presente de paz e o seu futuro de grandeza.
“Há algo mais nos céus que os aviões de carreira”
Aparício Torelly, o “Barão de Itararé”
Há algo mais nos céus do Brasil que os aviões de nossas empresas aéreas. Há brasileiros que nunca haviam voado em suas vidas. Há gente que reencontra suas famílias no nordeste ou no sul, no centro-oeste ou na amazônia. Há cidadãs e cidadãos que descobriram nos últimos sete anos o transporte aéreo como meio seguro, eficiente, rápido e barato de se locomover em nosso país e vencer suas dimensões continentais. Irmãos que não se viam desde décadas se reencontram em aeroportos abarrotados de gente alegre e emocionada. Há jatos que desligam as turbinas para abraços que se abrem em reencontros tantas vezes adiados. Pessoas humildes disputando as “janelinhas”, descobrindo o branco das nuvens, admirando a “aeromoça”, vendo a imensidão do azul e não escondendo a lágrima que cai na emoção do primeiro vôo. Há menos malas Louis Vuitton a bordo e mais sacolas de viagem e mochilas surradas. Há povo voando.
Durante décadas voar no Brasil foi um luxo. Somente uma pequeníssima parcela da população, o que os sociólogos costumam chamar de “o topo da pirâmide social”, guardava para si o que se convertera em luxo e era inacessível tanto à grande massa trabalhadora quanto à classe média. Longe de exercer um papel de integração nacional – coisa que o Correio Aéreo Nacional, incentivado pelo brigadeiro Eduardo Gomes e com o pioneirismo dos extraordinários pilotos da nossa FAB, já havia iniciado nos primórdios dos anos 30 – a aviação comercial brasileira tornou-se um instrumento de segregação social, de tirania econômica e de atraso.
Tal situação se afunilou após o golpe de 64, quando a saudosa Panair do Brasil – essa, sim, empresa pioneira e inovadora, com grandes serviços prestados à integração nacional e ao Brasil – foi sacrificada em favor da Varig, mancomunada com a ditadura que se instalava, e o monopólio nas rotas internacionais foi estabelecido da noite para o dia, tornando uma simples viagem ao exterior em aventura milionária para qualquer cidadão brasileiro. Foram quase três décadas de absoluta reserva de mercado, até que outras empresas aéreas nacionais puderam voar para o exterior, barateando as passagens e, enfim, abrindo as portas do restante do mundo para milhões de pequenos empresários, estudantes, profissionais liberais, famílias inteiras, turistas, que haviam se tornado vítimas e prisioneiras de odioso monopólio com contornos de segregação social e, também, de exploração econômica nas altíssimas tarifas praticadas.
Hoje isso mudou. Mudou muito. Mudou demais. Há novas empresas, de novos e modernos empresários que apostam num mercado onde se ganha na escala, ou seja, quanto mais pessoas voarem maior será o ganho de suas companhias.
Nos últimos anos, não por acaso os anos do governo Lula, surgiram diversas novas companhias aéreas, de vários perfis, atuando em todas as regiões de nosso país, oferecendo serviços de toda ordem para milhões de passageiros que são agregados a cada ano ao transporte aéreo. E, o avião, luxo dos ricos nos governos recentes, hoje é ferramenta do desenvolvimento nacional e transporte usual da cidadania.
Há números eloqüentes. No mês de fevereiro passado, para desespero dos que fazem oposição ao governo Lula e para alegria dos que apostam no futuro do Brasil, o movimento de passageiros em nossas empresas aéreas cresceu “apenas” 43% em relação ao mesmo mês do ano anterior! Países como a Alemanha, Canadá e Estados Unidos não apresentaram crescimento assim no tráfego aéreo...
A monopolista Varig, que transformava simples viagem ao exterior em caríssima aventura para poucos aquinhoados, já não existe. Mas alguns empresários de muito boa qualidade, modernos, audaciosos, com responsabilidade social e ampla visão de futuro, estão transformando a aviação comercial brasileira em autêntico instrumento de integração nacional e de desenvolvimento econômico. Novas empresas surgiram e avançam ajudando a ampliar o mercado e transformar para melhor a realidade do transporte aéreo. A Trip, de Campinas, apresentou 90% de crescimento na demanda; a carioca Webjet, cresceu 142%; a Passaredo, nascida em Ribeirão Preto, 190%; a Azul, voando com jatos fabricados pela Embraer e consagrados em todo o mundo, 336%. Mesmo as grandes, como a TAM, líder de mercado, cresceu 21,7%, e a GOL, pioneira na aviação de baixo custo e que vem logo em seguida, apresentou expressivo crescimento de 47,9% no período. Poderia substituir todos esses nomes e números por apenas uma frase: o governo Lula possibilitou que o povo brasileiro voasse massivamente pela primeira vez.
A distribuição de renda e a justiça social chegaram à aviação comercial brasileira. As empresas aéreas descobriram o povo. O povo brasileiro sempre quis, mas somente agora pode voar. Tudo isso é obra do governo do presidente Lula. Enquanto governos anteriores gastaram fortunas subsidiando o transporte aéreo para os ricos, salvando empresas elitistas e quebradas, descomprometidas com a integração e o desenvolvimento nacionais, o governo Lula democratiza esse meio de transporte e investe pesadamente na infra-estrutura aeroportuária para dotar o país de terminais de passageiros e de cargas que façam frente à crescente demanda e aos desafios do futuro como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Há muito a ser feito. Temos menos cidades servidas por transporte aéreo do que em 1960! É preciso que as pequenas empresas regionais possam operar em mais e mais localidades interioranas, ligando-as aos pólos de desenvolvimento regional e aos grandes centros urbanos. Não se pode permitir qualquer tipo de reserva de mercado, monopólio ou duopólio, além de incentivar a concorrência e possibilitar que as novas empresas voem em todos os aeroportos, de todas as cidades, fomentando a concorrência e barateando as tarifas.
Nossos aeroportos centrais, como o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e o de Congonhas, em São Paulo, sempre estarão carecendo de mais investimentos porquanto o crescimento de tráfego continue na velocidade dos dias de hoje. Há capitais como Goiânia, uma das que mais crescem em todo o país, com intenso movimento de passageiros e de carga, com instalações muito aquém de suas necessidades e urgência na construção de novo terminal de passageiros, dotando-a de condições de receber, inclusive, vôos internacionais. Todavia, com todos os senões, a aviação brasileira vai muito bem, e o povo é o seu grande usuário.
No domingo passado, em histórica entrevista à Rede Bandeirantes de Televisão, o presidente Lula respondeu de forma respeitosa, tranqüila, elevada e, mais que tudo, com extremo conhecimento de causa sobre todos os temas de nossa atualidade, discorrendo com segurança sobre as questões que lhe foram colocadas diretamente por alguns dos jornalistas mais experientes do país – e todos eles, é bom salientar, sem nenhuma simpatia pelo presidente ou pelo seu governo. Lula, entre as conquistas do povo brasileiro em seu vitorioso governo, lembrou o acesso das camadas mais humildes da população à aviação comercial. E estava coberto de razão.
Como dizia o inesquecível Aparício Torelly, o “Barão de Itararé”, primeiro grande humorista e critico de costumes no início do século passado: “Há algo mais nos céus do Brasil que os aviões de carreira”. Há, sim, eu vos digo: é nosso povo que cumpre seu destino de voar.
“São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar”
(“Gente Humilde”, Chico, Vinicius e Garoto)
Um dado da maior importância por muito pouco não passou batido no noticiário recente: mais de 10 milhões de brasileiros deixaram de morar em favelas na última década. Os dados, que por si só são impressionantes, fazem parte de relatório da Organização das Nações Unidas, a ONU, e salientam que esse notável avanço social se deu, “principalmente após 2005”, com o programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo Lula, onde a população de mais baixa renda está realizando o tão acalentado sonho da casa própria.
Não é sensato se pensar em sociedade minimamente estruturada, com justiça social e distribuição de renda, se alguns de seus pilares básicos não estão solidamente firmados: saúde, educação, emprego e moradia. E o governo do presidente Lula tem sido impecável na atenção a todas essas áreas extremamente sensíveis do tecido social brasileiro. A tal ponto que a própria ONU reconhece essa profunda transformação no Brasil que todos estamos construindo com solidariedade humana e fé no futuro.
A continuidade do programa “Minha Casa, Minha Vida”, sem sombra de dúvidas, é de vital importância para que tiremos mais vários milhões de irmãos de condições precárias de habitação para casas confortáveis, bem construídas, bastante diferentes do padrão até pouco tempo existente em se tratando de espaço e área útil, além das facilidades de crédito da Caixa Econômica Federal e da imensa cadeia produtiva que se estabelece com o programa que se está implementando. Empresas de construção contratando milhares de trabalhadores em todos os Estados, gerando impostos, movimentando a indústria e o comércio, solidificando o ciclo virtuoso vivido pela economia brasileira na Era Lula, além da entrega a cada dia de milhares de unidades habitacionais nas mais longínquas cidades desse país-continente.
Só Deus sabe a tranqüilidade de espírito de uma Mãe e um Pai de família que podem partir para o trabalho com a chave de sua casa no bolso, sabendo que oferecem à família uma habitação digna, com condições de conforto e de higiene que incidem diretamente na vida escolar, na capacidade cognitiva dos filhos, enfim, no futuro de nosso país.
Lembro-me do velho ditado lá no interior: “quem casa, quer casa”. E nos dias de hoje, grande parte dos atendidos pelo programa da Caixa Econômica Federal são jovens casais brasileiros com filhos menores, que já começam sua vida com a segurança de um lar próprio. E a experiência demonstra que todos os que tiveram acesso aos programas habitacionais, mais cedo ou mais tarde, dentro da modéstia de seus recursos, com as parcas economias da família, conseguiram aumentar a área habitável, construindo mais cômodos, dando mais conforto aos familiares, criando o brasileiríssimo “puxadinho”. Na humildade de nosso povo e com sua capacidade criativa, suas casas populares vão, ao longo do tempo, tomando as feições de vivendas de classe média, com a construção de mais um, dois, três quartos, ou uma lavanderia... Isso é o Brasil mais justo e fraterno pelo qual tanto lutamos!
Mas o programa habitacional desenvolvido pelo governo Lula, e desdenhado em parte ou relegado a plano inferior por administrações anteriores, é financiado por essa extraordinária poupança popular, vinda do esforço do próprio trabalhador, através do FGTS, cujos recursos bilionários movimentam a construção civil e o saneamento básico em nosso país.
Não existe um único caso de reparo ou fracasso no exitoso programa habitacional desenvolvido sem barulho e sem propaganda pelo governo Lula. Foi preciso que a ONU reconhecesse que 10 milhões de brasileiros deixaram as favelas e vivem em condições bastante melhores, exercendo sua cidadania em plenitude, para que a imprensa internacional noticiasse mais essa vitória de um governo que erradicou a fome, o desemprego e caminha a passos largos para fazer o mesmo com o analfabetismo em nosso Brasil. Isso é a mobilidade social e o nascimento de um novo país.
Existe uma tendência, defendida e executada inclusive nos países europeus, de que não e pode “confinar” a população mais simples em bairros distantes, ou construir conjuntos habitacionais sem estruturas de vida comunitária próprias (recreação, comércio local, educação e saúde, transporte fácil, áreas de lazer). Pois o “Minha Casa, Minha Vida”, sem qualquer alarde, só aprovou projetos que contemplassem condições assim, de habitação humanizada, com um panorama estrutural exatamente como aquele que os bairros de classe média de países da Europa possuem. Ou a popularidade do presidente Lula e a altíssima aprovação de seu governo não são fruto de uma gestão correta e competente?
O Brasil sediará uma Copa do Mundo de Futebol e será sede das Olimpíadas e os olhos do mundo estarão fixados num país que sempre exportou talentos e beleza. Vamos mostrar aos que nos visitarem e aos que nos assistirem via satélite, um Brasil muito melhor, bastante mudado, onde ainda existem favelas, palafitas, mocambos e alagados. Mas já não é lá onde a maioria de nossos irmãos mais humildes vive com suas famílias. E até lá, com certeza, será muito menos ainda.
Porém, muito mais importante do que isso, é saber que a cada novo ano do governo de transformações sociais do presidente Lula, milhões de brasileiros tem um teto, uma casa própria, trabalham em paz, deixam seus filhos em segurança em boas escolas, se sentem mais cidadãos, amam mais o país em que nasceram e está sendo menos injusto para com eles.
Uma das imagens mais fortes que trago na memória, pela dureza do instante ou por retratar um tempo que jamais poderemos esquecer, é a do menino judeu com os braços levantados no Gueto de Varsóvia, ao lado da mãe e de seus familiares, sob a mira das metralhadoras da Gestapo.
Era professor em Goiânia, nos anos 70, e me deparei com a foto histórica em livro sobre a segunda guerra mundial. A visão daquele pequeno menino, que não vertia uma lágrima e parecia um Davi diante dos Golias do III Reich, jamais saiu de minha memória... Não deixou registrado em cadernos escolares o seu depoimento como Anne Frank, nem sequer sabemos seu nome. Mas seu olhar profundo, suas mãos abertas levantadas, os braços erguidos de um menino de seis, sete anos de idade, não mais que isso, colocado num transe brutal, é de serenidade pungente e trágica, absolutamente inesquecível. Terá sobrevivido ao holocausto? Terá tido sacrificada sua infância ao lado da família diante da brutalidade de um regime demoníaco? Não tenho a menor idéia, mas confesso que a imagem faz parte de minha consciência política e do horror que professo às injustiças, ao radicalismo, à ausência de diálogo e de fraternidade entre as pessoas.
Já dei todas as provas ao longo de minha vida pessoal, de minha militância política e sindical, do apreço que tenho ao povo palestino e minha defesa de seu inegável direito à sua autodeterminação, à existência soberana de seu Estado e, especialmente, o seu direito à vida com dignidade e paz. Por isso mesmo, posso declarar, pela primeira vez, minha admiração pessoal e meu respeito pelo povo judeu e sua história, tão parecida com a dos palestinos, no sofrimento, na determinação e na luta por sua terra.
A visita que o presidente Lula empreende ao Estado de Israel, aos territórios palestinos e à Jordânia, é de singular importância histórica. Mas, no caso de Israel, ela é de transcendental significação. Foi em Assembléia das Nações Unidas, presidida por um invulgar estadista brasileiro, o gaúcho Osvaldo Aranha, que se reconheceu ao povo judeu o direito à sua pátria depois de séculos de perseguições e sofrimentos. E os judeus, exercitando uma de suas mais reconhecidas virtudes, a da gratidão, jamais esqueceram os esforços de Aranha e o reverenciam até os dias de hoje emprestando o seu nome a kibutz, bosque e logradouros públicos em Israel. E agora, em quase sete décadas de existência do Estado judeu, outro estadista, o presidente Lula, torna-se o primeiro presidente a visitar nossos irmãos israelenses. Uma pergunta se impõe, sem circunlóquios e com crua objetividade: os seus muitos antecessores não o fizeram por qual motivo? Desconheciam que a colônia judaica é de grande importância na formação social, econômica, política e cultural do Brasil? Não sabiam que Israel e o Brasil sempre mantiveram parceria comercial das mais fluídas e prósperas? Ninguém lhes disse que nossos povos são irmãos?
O fundamental da visita do presidente Lula ao Estado de Israel precisa ser ressaltado: o primeiro presidente brasileiro a visitar o Estado judeu, a reconhecer de fato a Nação democrática, o bom parceiro comercial, o povo guerreiro que luta pelo direito à sua existência e à paz. Os que o criticam por detalhes não criticaram o regime militar, por exemplo, quando no governo do general Ernesto Geisel o Brasil na Assembléia Geral da ONU – aquela em que Osvaldo Aranha assinou a “certidão de nascimento” de Israel, diante das lágrimas emocionadas de Ben Gurion, de Golda Meir e outras figuras excepcionais da história do povo hebreu - votou contra o sionismo, ao lado de outros poucos países. Não podemos nos perder nas filigranas quando vivemos um momento histórico para nossos povos. Impeçamos que interesses inconfessáveis nublem o singular evento da primeira visita de um mandatário brasileiro aquele país. Isso, sim, é o que importa e interessa. O mais é nada.
Orgulho-me dos amigos judeus que fiz ao longo da vida. São impecáveis, corretos e firmes em suas demonstrações de solidariedade. Na fundação do PT, na formação da CUT, no decorrer da vida pessoal e no magistério tive a oportunidade de travar relacionamento e solidificar laços de amizade. Deles muito me orgulho.
Os judeus fazem parte da história do Brasil. Leon Feffer, Miguel Lafer, Maurício, Salomão e Hessel Klabin iniciaram a indústria do papel e da celulose em nosso país. Mendel Steinbruch, empresário de larga visão, modernizou a indústria têxtil. O inesquecível José Mindlin, um dos grandes intelectuais de nosso tempo, imortal da Academia Brasileira de Letras, amante dos livros e empresário progressista, se recusou a financiar a operação OBAN e a tortura aos presos políticos no auge da ditadura militar. Horácio Lafer, competente ministro da fazenda de Juscelino Kubistschek em um dos melhores momentos de nossa vida econômica. Isso sem falar em artistas, em escritores, em filantropos, em cientistas, em músicos.
O PT elegeu o primeiro judeu a governar um Estado brasileiro. Na velha e secular Bahia, Jacques Wagner realiza um governo com a marca do trabalho, da perseverança e da fé. Ele enfrentou a descrença, o atraso e o coronelismo. E venceu. Sua eleição foi paradigmática, representou uma revolução na história política e social da velha e querida Bahia. Antes de ser governador, Jacques foi líder da bancada na Câmara dos Deputados e Ministro do governo Lula. Trata-se de um brasileiro que se orgulha de sua origem judáica, e que a nós, brasileiros, nós orgulha por ter essa origem e por governar um de nossos mais importantes Estados.
Torço pela paz no Oriente Médio. Tenho certeza de que a visita do presidente Lula contribuirá em muito para o avanço desse processo. Não podemos negar a nenhum dos povos envolvidos no conflito o direito à existência de suas Pátrias. Partindo da premissa de que o Estado judeu e o Estado palestino são duas realidades irremovíveis, os detalhes serão discutidos e adequados.
Já faz três décadas que fundamos um partido e escolhemos uma estrela como sua marca. Ela simbolizava – e simboliza – o pensamento de generosidade humana, de esperança, de democracia. Nascia o PT e surgia Lula, o seu líder. Hoje ele é o primeiro presidente brasileiro a visitar Israel.
Já lá se vão quase sete décadas que um povo culto e talentoso, de invulgar coragem e impressionante disposição para o trabalho, colocou fim ao sofrimento de um exílio milenar e voltou à terra prometida. A mão de um estadista brasileiro bateu o martelo que decretou o nascimento do Estado de Israel. Os judeus optaram pela democracia e foram fiéis a ela. E escolheram, como símbolo de sua Pátria, a estrela estampada em sua bandeira.
Uma estrela guiou os três reis magos. Uma estrela iluminou o Rei Davi, símbolo dos pequenos e dos humildes que vencem os poderosos e os arrogantes. Nada disso foi por acaso. Há sempre uma estrela a nos guiar e a nos unir. Shalom!
Nunca tive dúvidas de que as sociedades evoluem com os governos, sem os governos, apesar dos governos ou mesmo contra os governos. Se o poder de turno estiver antenado com as aspirações nacionais, se tiver sensibilidade social e conseguir captar nos mínimos detalhes a mudança dos tempos, a virada dos ventos, a evolução do homem, a transformação das coisas, tanto melhor.
Na histórica fábula, o galo de Chantecler acreditava que o sol nascia somente depois que ele cantava. Até o dia em que ele, mudo, assistiu o mais belo alvorecer. O governo Lula instituiu a política de cotas raciais nas universidades brasileiras não só como resposta à uma exigência da evolução da sociedade, mas como reparação de injustiça histórica com nossos irmãos afrodescendentes e indígenas, por ter sensibilidade humana e social e por saber que seu sucesso vem da identidade que tem mantido com toda as camadas da sociedade brasileira.
Não só respeito como defendo o direito dos que não concordam com a política de cotas. Defendo de forma veemente o direito que cada cidadã ou cidadão tem de discordar de uma medida do governo do presidente Lula. Mas, com absoluta sinceridade, nesse caso, mesmo defendendo tal faculdade, tenho imensa dificuldade em compreender como se pode negar a quem tanto já sofreu - e ainda sofre, pois não? - tantas e odiosas formas de discriminação, o direito de ter acesso ao ensino superior e de ascender socialmente.
Não creio que seja uma forma de racismo discordar das cotas. Não chego a tanto. Sempre, até por minha formação democrática e socialista, aprendi a conviver fraternalmente com os opostos e estabelecer amizades duradouras e verdadeiras com pessoas que não pensam como eu. A intolerância, com a graça de Deus, não é o meu forte. E é por isso mesmo que defendo as cotas raciais e vejo nelas a possibilidade de reparar injustiças e relegar ao passado o debate em torno de uma questão espinhosa e nada grata a um país que demorou séculos para livrar-se da nódoa repulsiva da escravidão.
O Brasil tem uma dívida imensa com seus negros, seus indígenas, seus idosos, seus deficientes físicos. Por qual motivo não se podem reparar injustiças em relação a esses irmão que não foram senão discriminados? Que tiveram seus direitos negados parcialmente ou em sua totalidade ao longo de séculos? Por motivo nenhum!
A Universidade de Brasília (UnB), através a palavra de sua reitoria em recente audiência pública, mostrou que em 2001 apenas 2% de seus alunos eram negros. Hoje são 12,5%! E o desempenho da quase totalidade desses brasileiros afrodescendentes que chegaram à universidade através da política de cotas raciais empreendida pelo governo Lula é invejável! São estudantes que aproveitaram a possibilidade de estudo universitário com extraordinária seriedade e notório afinco. A vida universitária deles é o coroamento de uma atitude corajosa e necessária que somente um governo com raízes populares e sensibilidade social poderia ter tomado.
Em 60 universidades públicas brasileiras o sistema de cotas foi adotado de forma democrática, respeitando a autonomia de cada instituição, e com grande aceitação pela comunidade acadêmica. O Ministro Edson Santos, que desenvolve excepcional trabalho na pasta da Igualdade Racial, sempre relembra que não estão em jogo apenas as cotas para negros, mas as ações afirmativas do governo Lula em favor das mulheres, dos deficientes físicos e de outros segmentos sociais. Há mais em jogo: há futuro, igualdade, democracia e possibilidades.
Os Estados Unidos, a mais importante potência mundial, celebrou a eleição de Barack Obama para a Casa Branca por vários fatores: sua honradez pessoal, sua passagem brilhante pelo Senado norte-americano, as idéias inovadoras que defendeu na campanha que sacudiu o país, sua juventude e equilíbrio. Mas sua negritude foi elevada à condição de marco histórico e verdadeira revolução nos costumes políticos e sociais de um país que ainda luta contra resquícios de uma chaga que causou até mesmo uma guera civil do norte rico, progressista e anti-racista contra o sul atrasado e escravagista.
Se os norte-americanos entenderam que a eleição de um jovem negro para a Casa Branca, além de todos os seus méritos, simbolizava um basta ao racismo, então defendamos a política de cotas raciais nas universidades brasileiras como um marco na emancipação de uma imensa parcela do povo brasileiro, a de nossos compatriotas negros. Não sejamos hipócritas e sigamos o belo exemplo do povo norte-americano: o racismo se combate com atitudes concretas e com exemplos simbólicos.
Muito se dizia da democracia racial e da mistura de raças que forma esse país fascinante em que tivemos a graça divina de nascer. Mas existia um elevado grau de racismo que se manifestava de forma discreta mas efetiva, e na pior de suas formas: a segregação social. Eu mesmo creio que, hoje já não seja em grau tão elevado quanto foi no passado. A própria sociedade brasileira, em sua evolução segura rumo ao futuro de grandeza que a espera, se encarregou de eliminar muitos dos terríveis preconceitos que penalizaram esses segmentos sociais e nos envergonharam a todos. Mas, lamentavelmente, muita coisa ainda persiste e não vamos fechar os olhos para essa realidade.
Nélson Mandela pacificou a Africa do Sul quando, depois de décadas no cárcere, adentrou o estádio lotado para cumprimentar a seleção sul-africana de rúgbi, que vencia importante campeonato. Todos os atletas eram brancos, quase todos os que enchiam as arquibancadas eram brancos, mas o esporte era a paixão de todos em seu país. Em segundos, Mandela era ovacionado, era o verdadeiro campeão. Uniu seu país com o gesto generoso, com a grandeza de sua alma, com a dignidade de Estadista. Assisti o belíssimo filme “Invictus”, ao lado de Monica, minha mulher, onde o fabuloso Morgan Freeman interpreta Mandela e nos revela essa linda página da história do povo sul-africano. Recordei-me de nossos irmãos negros brasileiros e da generosidade que deve presidir as relações entre todos nós, qual seja a raça, pois nossa cor é uma só: a cor do Brasil, a cor do futuro.
Poderia relembrar nomes e fatos relativos a grandes vultos femininos que permeiam a história do Brasil e do mundo em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Poderia cobri-las de elogios. Mas sei do fundo da alma e com a experiência de mais de meio século de vida, de que esse ser forte, determinado e invencível, o que menos espera da vida é elogios.
As mulheres, meus amigos, é que movimentam a máquina do mundo e giram a roda da vida. A coragem delas é absolutamente superior a dos homens. Qualquer mulher, por mais miúda, desprotegida, pobre, analfabeta, seja numa aldeia africana ou na periferia de uma metrópole, na defesa de um filho ou de sua família, de uma causa ou de um ideal, se tornará maior que um tanque de guerra. Existe, porém, fundamental diferença: pode-se derrotar um tanque, jamais uma mulher.
Nos anos em que milito na vida sindical e política, aprendi uma dura realidade que poderia ter ferido os meus brios de macho, mas acabou por me ensinar muito: onde um homem faz bem, uma mulher faz melhor. Quando um homem pode não dar conta, uma mulher enfrenta. Quantas e quantas vezes como dirigente da CUT deleguei missões a companheiras nos rincões mais distantes deste país e testemunhei a força, a alegria, o entusiasmo e a competência com que cumpriram seus papéis e trabalharam tão bem quanto qualquer companheiro homem o faria!
Na fundação do PT, idem. Sem tirar nem por. As mulheres tiveram um papel excepcional. Algum companheiro poderá dizer de forma muito bem-intencionada, mas não conseguindo esconder o machismo, que “elas estiveram firmes na retaguarda”. Não foi bem assim. Aliás, não foi assim de jeito nenhum: as mulheres estiveram sempre à frente da maioria dos homens; tão firmes quanto o mais bravo dos machões; enfrentaram as adversidades com tanta coragem quantos os homens e são peças fundamentais em trinta anos de vida do maior partido de esquerda de toda história da América Latina.
É rara a semana que não viajo pelo interior de Goiás sendo paraninfo ou patrono de formandos em nossas faculdades. Desfruto algo muito maior que a honra da homenagem que me prestam e o carinho com que sou recebido em Itumbiara, em Caldas Novas, em Goiatuba, em Goiânia ou em outras tantas cidades. Naquele clima de empolgação, de alegria, com jovens inteligentes deixando os bancos universitários para traçarem seus caminhos pela vida, os pais cheios de orgulho, os irmãos vibrando, os amigos fazendo barulho, eu, lá no alto da mesa que preside os trabalhos, me fixo nos olhos das mães. Não há vaidade, nem triunfalismo. Há o amor no seu estado mais elevado: a ternura. Naqueles olhares serenos e profundos posso sentir a força absoluta e invencível da mulher, o sentido de missão que emprestam às suas vidas.
O fato de vivermos numa sociedade machista – hoje menos que ontem, mas ainda muito preconceituosa em relação ao papel da mulher, não impediu que muitas delas adentrassem nossa história de forma definitiva. Cada um de nós tem um exemplo feminino altamente construtivo, uma mulher que nos marcou para além da própria família e que não é a primeira namorada. Há mulheres extraordinárias que não vem na vida a passeio, vem com missão. São fachos de luz a clarear as trevas e apontar caminhos. Ai de nós sem elas!
Jamira, apesar do pouco estudo que tem é sábia na vida e foi sempre uma mulher extremamente avançada. Na roça de uma cidade do interior, longe das letras e íntima da sabedoria, fez o quatro filhos estudarem. Formou um a um. Despachou os quatro de casa, cada um a seu tempo. A dor da partida era problema seu, íntimo, solitário, maternal. O futuro era mais importante! A mulher que enxergou longe, que desejou educar seus rebentos, vê-los ter as oportunidades que lhe foram negadas, se impôs forte e resoluta, nunca perdendo nem a espontaneidade nem o carinho. Nunca a vi reclamar, maldizer, blasfemar, apequenar-se, fazer dramas. Em momentos difíceis de minha vida não vislumbrei nos olhos ternos de minha mãe senão têmpera e suavidade. Que mulher forte, meu Deus!
Em Buriti Alegre, minha cidade Natal, fui aluno da professora Eleide, mulher inquieta, competente, boa mestra, nos instigava à leitura, falava de um mundo maravilhoso que existia para muito além daquela cidadezinha querida. Levou Cora Coralina, já famosa em todo Brasil, para declamar seus poemas a uma platéia de meninos boquiabertos frente à figura carismática da genial poetisa. Não bastasse o feito, dezenas de vezes sacava de sua pasta, com o cerimonial miraculoso de um mágico, as cartas recebidas de um amigo mineiro que vivia no Rio de Janeiro e com quem se correspondia freqüentemente. Nunca se viram, mas eram íntimos e ele recomendava as leituras que Eleide nos ministrava. Eu, menino de pés descalços no chão rude e fértil do sul goiano, lia o que Carlos Drummond de Andrade sugeria aquela mulher audaciosa e excepcional.
Gercina, moça bonita e de família tradicional lá de Rio Verde, no rico sudoeste goiano, foi educada num colégio de freiras francesas no interior paulista e casou-se com o jovem médico Pedro Ludovico, a quem o destino reservaria um lugar extraordinário na vida de Goiás. Certo dia um batalhão com trinta soldados comandados por um tenente alcoolizado chega à porta de sua casa. A missão era prender seu marido, que dias depois, nas voltas que o mundo dá, seria nomeado interventor do Estado. Munido de um estilinque, aos oito anos de idade, o menino Mauro presenciou o primeiro dos dois episódios que lhe marcariam para sempre. “Tenente, aqui em casa vocês só entram passando por cima do meu cadáver”. Gercina sozinha era muito mais forte que todo o batalhão. Desmoralizados, bateram em retirada. Décadas depois, o governador Mauro Borges, já cassado pela ditadura militar, está sitiado no Palácio das Esmeraldas, ameaçado de bombardeio por jatos que o sobrevoam em espetaculares rasantes. O Brasil acompanha cada minuto do que se passa no coração de Goiânia. A mesma Gercina comunica ao filho que está indo para o Palácio. “Para que mamãe?", se espanta o menino do estilingue no pior dos seus dias, e a suave Gercina, mostra que as mulheres não vergam nem com o peso dos anos: "Ora, Mauro! Para morrer com você, meu filho.”
Escolhi três mulheres da minha terra - a lavradora sem letras mas de imensa sabedoria, a professora audaciosa e visionária e a aristocrata corajosa que foi nossa grande primeira-dama – três vidas absolutamente distintas, três universos generosos, três cidadãs invulgares. Na figura dessas goianas homenageio a mulher brasileira justamente no ano em que outra mulher, a mineira Dilma, que reúne a sabedoria de Jamira, a competência de Eleide e a coragem de Gercina, tem a oportunidade de disputar, com grandes chances de vitória, a presidência da República.
Até o início dos anos 60, nos Estados Unidos, os negros não podiam entrar na maioria dos restaurantes e eram obrigados a ceder seus assentos nos ônibus coletivos aos brancos em alguns Estados do sul. Hoje, um deles entrou para a história sendo o primeiro presidente negro da mais poderosa Nação democrática do mundo e está trabalhando no salão oval, ocupando a mesma cadeira de Lincoln, Roosevelt e Kennedy. No Brasil, de tantas desigualdades sociais e preconceitos, um operário sem curso superior chegou à presidência da República e está fazendo o maior governo da história desde JK e Getúlio. Recuperou a economia, a credibilidade, a autoestima, a dignidade do Brasil e dos brasileiros. A aprovação popular ao seu governo é a maior já alcançada em todos os tempos. Seu prestígio no Brasil e no exterior é impressionante. Os indicadores sociais e econômicos de sua gestão são invejáveis. Em 2010, as mulheres brasileiras, como o negro da Casa Branca e o operário do ABC, terão sua chance de fazer história. E tenham certeza de que farão muito bem feito, como só as mulheres sabem fazer.
“O Tejo não é mais bonito que o rio que passa na minha aldeia” (Fernando Pessoa)
Há um rio a ser salvo em Goiás. Sua história não difere muito de outras que escandalizaram países e revoltaram populações. Sua degradação tem sido um “competente” trabalho de anos e anos, num misto de omissão de todos nós e de criminosa irresponsabilidade dos que o assassinam silenciosamente a cada detrito atirado, a cada litro de substância tóxica vertida em seu leito, a cada tonelada de lixo despejado em suas águas, a cada nova canalização clandestina de esgoto ao longo de seu curso.
O rio Meia Ponte é dos mais importantes de Goiás, nascendo em Ituaçu, na Serra dos Brandões, e em Taquaral há outra nascente, descoberta em 2006. Suas águas percorrem 415 km pelas barrancas de 37 Municípios goianos, até Cachoeira Dourada, divisa com Minas Gerais, desaguando no caudaloso e majestoso Rio Paranaíba. O Meia Ponte tem, ainda, seis ribeirões afluentes: Anicuns, Dourados, Caldas, João Leite, Santo Antônio e São Domingos.
Não é pouca coisa. Muito pelo contrário, é uma das maiores riquezas de nossa terra, um de seus valores intangíveis, um presente da natureza e um legado para o futuro se fizermos o que tem que ser feito e assumirmos os compromissos para com sua preservação e sustentabilidade.
Na área de influência de sua bacia hidrográfica vive mais da metade de toda a população goiana e suas águas são utilizadas para as mais diversas finalidades: abastecimento potável, irrigação de lavouras, dessedentação de animais, lazer e despejo de esgotos domésticos e industriais, segundo interessante estudo de Dra. Francis Lee Ribeiro, da Economia Rural da Universidade Federal Viçosa, uma das mais respeitadas do Brasil. E Goiânia, fruto da ousadia visionária de Pedro Ludovico, teve na abundância das águas do Meia Ponte um dos fatores fundamentais na escolha de sua localização geográfica, possibilitando a construção da histórica usina hidrelétrica do Jaó. Esse rio foi decisivo para o nascimento de Goiânia. Goiânia não pode continuar a ser decisiva para a sua morte.
Hoje o rio continua tendo a mesma importância, mas está muitíssimo longe de possuir a mesma vitalidade. Dos mais de 80 mananciais mais de 90% deles possuem algum tipo de degradação – segundo o competente estudo de Francis Lee – que vão desde a ocupação irregular de suas margens até a erosão, assoreamento, lançamento de esgotos, etc... Sendo que este último acinzenta as suas águas na época da estiagem no planalto central, dando-lhe o duro e tristonho tom de seu anunciado fim. E numa ciranda dramática, o homem polui e degrada o Meia Ponte, mas tira dele a água com a qual irriga suas plantações. O produto contaminado vai para a mesa dos consumidores e acarreta problemas de saúde. O homem destrói o rio, a natureza dá o troco.
A sociedade goiana dá os primeiros passos rumo à preservação do rio que clama por sua vida. E são passos seguros, estudados, confiantes. Ambientalistas, empresários, lideres comunitários, cidadãs e cidadãos, artistas e intelectuais, políticos de vários partidos, prefeitos e vereadores, ONG's, sindicalistas, representantes dos governos Federal, Estadual e Municipal se reuniram no auditório do Sinduscom, em Goiânia, no dia de ontem, para deixar clara uma posição quanto ao gravíssimo problema de um dos nossos rios mais importantes. Foi lançada a vitoriosa “Expedição Rio Meia Ponte 2010”.
Inicia-se um debate, uma busca de soluções e, essencialmente, um conjunto de ações efetivas vindas da sociedade civil, do empresariado, do poder público, dos ambientalistas, da imprensa, de cada cidadão, enfim, para que todos juntos possam reverter um quadro dramático, logo ali, na nossa frente, pouco adiante, saindo pelas torneiras de nossas casas e penetrando em nossos corpos e consciências. Acabou-se a indiferença!
A questão ambiental é a grande causa do século XXI. Em Montreal ou em Goiânia. Na Nigéria ou no Brasil. Nossos filhos e netos serão as vítimas de nosso comodismo e indiferença ou agradecerão os nossos esforços e conscientização nos dias de hoje. Tudo depende de nós. Não há tempo a ser perdido, só trabalho a ser feito.
Os ingleses viram o rio Tâmisa absolutamente apodrecido, sinônimo de poluição e irresponsabilidade ambiental. Fizeram dele, em muito poucos anos, um dos mais saudáveis do planeta, cheio de vida, autêntico cartão postal da Inglaterra após tantos anos de degradação e vergonha. Não seremos capazes de salvar o Meia Ponte, tão importante para o nosso presente e para o nosso futuro, como foi de indiscutível importância histórica quando Goiás se modernizou e buscou em suas águas a geração de energia para o surgimento de sua nova capital? Sim, seremos!
A história de Goiás é feita por homens e rios. Muito antes da expedição do Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o legendário Anhanguera, chegar às terras de Goiás, os historiadores atestam que a rica província era notícia na sede do Império tanto pelo ouro quanto pelos rios que banhavam as terras férteis e as matas habitadas pelos índios Goyá. Agora seremos notícia pela salvação de um desses rios, o Meia Ponte.
A economia que mais cresce no país, o Estado que exporta para o mundo e que surpreende pelo talento de seus empresários e a garra de seu povo, não permitirá que a sentença de morte contra o Meia Ponte seja cumprida.
Desde que o general João Figueiredo encerrou, melancolicamente, o ciclo militar iniciado em 1964, deixando pela porta dos fundos o Palácio do Planalto, o Brasil vive um regime de plenitude democrática. Justiça seja feita a todos os nossos poderes, a todos os nossos partidos, às nossas forças armadas, à toda sociedade brasileira. Nos defrontamos em momentos extremamente críticos, nos debatemos no jogo da vida partidária, da conquista do poder político, das profundas reformas concebidas pela Assembleia Constituinte de 1988, atravessamos crises políticas e institucionais, tivemos um ‘impeachment’ de um presidente, mas em nenhum momento, por um segundo sequer, uma viva alma teve a ousadia de ao menos abrir a boca para propor a quebra da legalidade constitucional ou da vigência democrática. Amadurecemos.
A democracia se instalou no país em seus mínimos detalhes. A sociedade esteve à frente dos partidos políticos. Desses partidos, alguns estiveram mais identificados com o povo brasileiro e puderam dar respostas aos seus anseios e clamores. Mas isso não se deu apenas no Brasil, é um fenômeno mundial e recorrente: partidos com capilaridade social e comandados por líderes carismáticos operam transformações profundas nas sociedades. Com traumas ou sem. Para o bem ou para o mal.
Temos exemplo pedagógico na histórica recente da Inglaterra. Na velha, monárquica e democrática Inglaterra. Margareth Tatcher marcou a história do Reino Unido num momento econômico gravíssimo, onde as fórmulas do velho trabalhismo pareciam não surtir mais efeito para debelar os sérios problemas enfrentados por uma potência cambaleante. A ‘dama de ferro’ tomou o caminho mais fácil e mais duro: cortou garantias e direitos sociais, estrangulou salários, elevou os impostos à estratosfera, privatizou os serviços do Estado e aplicou o liberalismo econômico às suas últimas conseqüências, sem falar num enfrentamento com os sindicatos que permeou seu longo reinado, de bem mais de uma década, do primeiro ao último dia.
Durante muitas décadas o Fundo Monetário Internacional não inovou milímetro sequer em seus ditames presumivelmente salvadores à países em apuros. E naquele balcão draconiano nós fomos clientes assíduos... A fórmula era simples: arrocho salarial, aumento de impostos, desinvestimento no social, privatização da máquina do Estado e, por óbvio, liberalismo econômico. Sendo o regime autoritário, melhor ainda. Se o país se chamasse Brasil, México ou Gambia, isso não fazia a menor diferença. A fórmula era essa, somente essa, apenas uma e estávamos conversados e condenados à recessão mais brutal e, inevitavelmente, ao caos social. Hoje, depois do vexame daqueles desembarques triunfais de Ana Maria Juhl (recordam-se?, era a fiscal do FMI, que vinha fiscalizar se o Brasil estava fazendo o dever de casa...), o presidente Lula, num gesto magnânimo, sabendo que o FMI estava com os cofres vazios e sem poder atender países em apuros, ordenou que o Tesouro Nacional realizasse empréstimo de emergência ao FMI, para que o fundo socorreresse os paises necessitados, sem perder de vista a politica do governo brasileiro de mudar seus critérios e mecanismos, modernizando e democratizando as instituições multilaterais mundiais, à luz desses novos tempos de crise.
Nosso PIB chegou a crescer, nos tempos duros do governo do general Garrastazú Medici, até incríveis 11% anuais! E então se dizia claramente que não se podia fazer abertura política porque “a economia ia bem”. E desde quando economia saudável e democracia não podem andar juntos? E desde quando elas se excluem ou são conflitantes? Nem o general Médici e nem miss Tatcher estavam certos. Um regime democrático pleno é requisito básico para que a economia seja pujante. Ela até pode não ir bem numa democracia, mas numa ditadura, logo, logo, a máscara do “milagre econômico” cairá como caiu no “Brasil Grande” pós-64 e na Inglaterra recessiva pós-tatcherista.
Conseguimos nas ruas com as “Diretas Já” a volta da democracia plena. Com a Constituinte de 1988 iniciamos as reformas de fundo reclamadas por uma sociedade em permanente transformação. Em 2002 a história deu um salto fenomenal com a chegada ao poder das forças progressistas representadas pela candidatura do presidente Lula. Aí começa uma nova fase para a democracia no Brasil: a democratização das oportunidades.
E ao longo dos últimos sete anos o Brasil, que já tinha consolidada sua democracia política, passou – talvez mesmo sem se dar conta de tal fato histórico – a consolidar uma democracia social, com o mais vigoroso programa de distribuição de rendas da história da América Latina, com uma mobilidade social jamais vista em nosso País, com transformações no tecido social realizadas de forma pacífica e com absoluta ausência de traumas por um líder carismático e de índole absolutamente democrática e não-confrontacionista como é o presidente Lula.
O Brasil olhou-se no espelho e, assustado, não se viu como queria que fosse. A verdade era bem outra. Legiões de miseráveis em todas – rigorosamente todas – as regiões do País simplesmente não comiam. Como falar em democracia com pessoas que tinham a barriga vazia? O governo Lula fez do Fome Zero o mais profundo e mais abrangente programa social já realizado em toda nossa história. Poderia falar muito sobre ele. Sobre a grandeza de sua concepção e o alcance de seu trabalho. Os milhões de crianças, de mulheres e de homens que não mais dormem com fome. Poderia falar de pessoas que passaram a acreditar na vida e na solidariedade humana, que começaram a acreditar em seu país e vislumbrar alguma luz no futuro de suas vidas tendo a fome saciada. Porém, apenas constato que democracia também é não permitir que um brasileiro, seja ele quem for, em qualquer rincão desse país-continente, não tenha o que comer vivendo justamente no celeiro do século XXI, no Brasil das super-safras, na emergente superpotência agrícola.
Enfrentou-se problemas como o do acesso das camadas marginalizadas às universidades, aí incluídos nossos irmãos afro-descendentes, vítimas de um racismo silencioso, persistente e inaceitável. Em plena virada do século XXI assistimos até manifesto de intelectuais contra a medida. Mas o país aplaudiu, ela foi implementada e é um sucesso. Democracia é garantir ao filho do operário e do agricultor, ao negro e ao indígena, o direito de chegar à universidade e formar-se em engenharia, medicina, direito, veterinária. As universidades públicas, sabidamente de boa qualidade, estavam fechadas a esses que, também, precisavam ter acesso aos estudos. Fez-se democracia na educação. De maneira efetiva, enfrentando os preconceitos mais inexplicáveis e elitistas, mas vencemos.
A Fundação Getúlio Vargas, uma das instituições mais respeitadas e mais competentes da vida intelectual do Brasil, reconhecida internacionalmente por sua seriedade e alto nível, reuniu um grupo seleto de economistas sob a orientação do insuspeito professor Afonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central. Foi feita rigorosa radiografia da economia nacional nas últimas décadas pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos. Desnecessário dizer da impessoalidade e rigor científico aplicados no trabalho. Cruzamentos de dados históricos, números, gráficos, a performance dos mais diferentes setores da economia brasileira ao longos dos anos, mereceram de Pastore e sua equipe o olhar crítico e abalizado que apenas os iniciados possuem em temas de tamanha profundidade.
Chegou-se a conclusão objetiva de que os melhores anos da economia brasileira nas últimas três décadas foram sob o comando do presidente Lula. De junho de 2003 a julho de 2008 foi o maior período de expansão da economia brasileira. Nesses cinco anos, a indústria se expandiu, as vendas do comércio registraram alta e a geração de emprego e renda cresceram. O que é isso, caros leitores, senão a democracia levada à economia, gerando empregos e renda, num modelo absolutamente inverso ao praticado pelo modelo autoritário e ultrapassado do FMI e do neo-liberalismo?
Foi preciso que lutássemos três décadas e que um governo de sabidas raízes populares se estabelecesse e realizasse a administração capaz e democrática que o presidente Lula vem realizando, aplaudido pelos brasileiros e admirado pelo mundo. Valeu a pena.
Não se sabe o que nasceu primeiro, se o Brasil ou o sentimento carnavalesco de seu povo. Mas isso, em verdade, não faz a menor diferença diante de grande e insofismável realidade.
Entre nossos valores mais caros, lá, enraizado entre a fé em Deus, o patriotismo exacerbado, o apego à família, a paixão pelo futebol arte, o gosto pela culinária nativa, está o espírito carnavalesco. Não adianta. Se alguém lhe disser que não gosta de carnaval, não acredite totalmente. Alguma marchinha ele conhece. Ou sabe algum verso daquele samba-enredo que marcou uma geração. Ou cantarola “quanto-riso-ó-quanta-alegria-mais-de-mil-palhaços-no-salão-Arlecrim-está-chorando-pelo-amor-da Colombina-no-meio-da-multidão...”. Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Definitivamente. O samba nasceu lá na Bahia, veio da senzala, conquistou as quadras das escolas de samba, as avenidas, o Brasil e o mundo.
Não há quem não acompanhe, extasiado, o desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí ou não veja a alegria contagiante dos baianos indo atrás do trio elétrico, pois só não vai quem já morreu...
Não há uma única cidade neste Brasil continental e tão diverso, de tantos sotaques e de tanta pluralidade cultural, em que não haja uma manifestação carnavalesca, por menor que seja, uma apenas e tão somente, que simbolize a alegria do carnaval. Está na formação e no espírito da raça, está no calendário cultural e turístico, mas também está na alma.
Republicanos até a medula, reverenciamos com respeito e alegria o Império de Momo e caímos na folia durante os dias de descontração, alegria, música e dança. É, apenas e simplesmente, a maior festa popular do mundo. Vemos no ronca-ronca da cuíca, gente pobre e gente rica, deputado e senador, madame e cabrocha, o alegre mais alegre, o triste em estado irreconhecível, se rendendo ao instante mágico em que o Brasil festeja sua diversidade racial, cultural, seus sons e cores, suas crenças e afetos, em que festejamos a imensa dádiva de termos nascido na grande nação onde o carnaval não é festa pagã coisa nenhuma: é síntese do Brasil alegria.
Dos cordões ingênuos que animavam os carnavais do Rio de Janeiro, capital da Colônia lusitana, ao entrudo embalado pelas marchinhas irônicas ou aos modernosos abre-alas de Chiquinha Gonzaga, mulher avançada e compositora de enorme talento, o carnaval tem sido um apurado retrato da evolução de nosso País. Ele entrou o século XX com os corsos, desfiles de automóveis, onde as nascentes burguesias urbanas carioca e paulistana, motorizadas, percorriam as ruas arborizadas das duas maiores cidades de um Brasil ainda pasmacento e sem criminalidade, e entre marchinhas, lança-perfumes, serpentinas, confetes e máscaras, davam início as festividades.
Da década de 40 para cá, o carnaval tomou outra importância, tornando-se quase uma “commoditie” para a economia nacional. O carnaval “vende” a imagem do Brasil no exterior, atrai turistas e investimentos, capta divisas, movimenta a indústria do turismo (hotéis, restaurantes, locadoras, bares, receptivos turísticos, empresas aéreas).
Numa simbiose fantástica, a alegria de nosso povo mais humilde, o talento de nossos compositores dos morros cariocas, a empolgação das escolas de samba, o pau elétrico inventado por Dodô e Osmar, os milhões de decibéis dos trios elétricos imortalizados pelo gênio de Gilberto Gil no “Expresso 2222”, os requebros e a graça de nossas lindas mulatas, as multidões arrastadas pela tradição do Galo da Madrugada nas ruas do Recife, e nas seculares vielas de Olinda gigantesca figura do Homem da Meia-noite, a dignidade dos mestre-salas e a imponência majestosa das porta-bandeiras, rainhas das avenidas e soberanas do desfile que eletrizam o mundo e explodem em luz, cor e som nas telas de TV, nos trazem alegria e movimentam uma bilionária indústria sem chaminés, não poluente, sustentável, do bem, absolutamente da paz, fundamental para nosso desenvolvimento econômico e par a a preservação de nossa cultura.
Essa formidável indústria que gera alegria e empregos, descontração e divisas, trará quase 2 milhões de turistas estrangeiros ao Brasil no carnaval de 2010. No Rio de Janeiro, eles chegarão ao 700 mil e deixarão cerca de R$ 700 milhões. No carnaval da Bahia, passam de 500 mil e as cifras alcançam os R$ 700 milhões. Mesmo São Paulo, que num momento de rara infelicidade foi qualificado como o “túmulo do samba”, hoje tem um dos melhores carnavais do País com escolas de samba de altíssimo nível, 30 mil turistas gastarão R$ 50 milhões.
Na festa onde a igualdade e a fraternidade dão o tom com a mesma competência com que o lendário mestre André comandava a bateria da Unidos de Padre Miguel, relembremos os blocos de sujos, o Cordão da Bola Preta, a imorredoura criação de Jorge Amado na imagem de Vadinho, folião travestido morrendo num domingo de carnaval nos braços de sua amada dona Flor, as comissões de frente de outrora com Pixinguinha, Monarco, Cartola, Braguinha, um tempo que, infelizmente, não voltará jamais.
Um carnaval de muita alegria e de muita paz para todos.
No futuro distante os historiadores que se debruçarem por sobre os dados biográficos, a longa vida e a rica trajetória de Cora Coralina, se surpreenderão. Como pode uma moça do interior de Goiás nos primórdios da virada do século XIX para o século XX já se aventurar pela literatura e dar os primeiros sinais de uma alma livre e um espírito libertário?
Que Cora foi uma das maiores poetas da língua portuguesa nós todos já sabemos. E, felizmente, na contramão de nossos hábitos de ingratidão e não reconhecimento tão costumeiros, isso foi reconhecido em vida, com todas as homenagens e honras prestadas. O que falta dizer é que Cora foi uma das mais universais figuras de nosso país em todos os tempos. Foi das personalidades mais cosmopolitas que geramos, apesar de sua despretensão, de sua modéstia e de sua absoluta ausência de vaidade ou presunção. Sua obra é marcada pela grandeza que vem do simples, da constatação do cotidiano. Certamente é o tipo mais difícil de literatura, de poesia, de prosa. É a mesma de Machado de Assis, e de dois amigos pessoais e admiradores declarados de Cora Coralina, Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade.
Minha leitura recorrente, Cora volta a extasiar-me com nova coletânea de seus escritos, fotos, lembranças, cartas. É uma autêntica obra de arte intitulada Cora Coralina, Coração do Brasil, do Museu da Língua Portuguesa, de São Paulo, patrocinada pelo governo de Goiás, pela Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira, pelo Museu Casa de Cora Coralina e tendo o copatrocínio da Imprensa Oficial de São Paulo. A idealização e produção, aliás, excelentes, são da FazerArte.
É um dos melhores livros que tive a oportunidade de ler nos últimos tempos. E digo isso como leitor compulsivo, voraz e crítico. Nele nos deparamos com a trajetória de uma mulher simples, uma goiana nascida em 1889 (e chamada Ana Lins dos Guimarães Peixoto) duas semanas antes da queda da monarquia e da proclamação da República. Órfã de pai aos dois meses, foi menina estudiosa e produziu seu primeiro conto aos nove anos de idade, antes da chegada do século XX.
Aos quatorze anos, em pleno interior de Goiás, numa sociedade reacionária e machista, escreve para jornais do Rio de Janeiro, faz conferências, movimenta a vida cultural de sua terra. Hoje, mais de um século depois, uma adolescente de quatorze anos, por mais inteligente que seja, com internet banda larga instalada em casa, dificilmente conseguirá publicar um artigo em um jornal diário carioca. Pois, Cora, meus amigos, publicava, mais de um século atrás, mandando os seus manuscritos pelos Correios, em lombo de burro. O segredo? Talento e genialidade! Aos dezesseis anos funda com outras moças o jornal A Rosa, com claros ideais feministas, impresso em um papel ordinário e barato, cor-de-rosa, e que difunde as ideias que jamais haviam chegado até aquele sertão de Goiás. Antes dos quinze anos já é articulista do importante jornal Goyaz – era a sociedade de seu tempo cedendo, bem ou mal, ao seu inegável talento literário e à sua coragem pessoal. Por essa época Ana vira Cora, Cora Coralina, o nome que Goiás, o Brasil e a literatura consagrariam pela eternidade.
Uma vida rica, multifacetada, vivida com simplicidade, com coragem, com amor, com tenacidade, foi se desenvolvendo. Amou e foi amada. Casou-se contra a vontade da família, mudou-se para São Paulo, para o interior de São Paulo, para São Paulo de novo, nascem filhos, escreve em jornais da capital, do interior, reconhecem seu valor, faz fama, angaria admiradores.
Em 1922 o Brasil é sacudido pela Semana de Arte Moderna. Um grupo de artistas plásticos, poetas, escritores, se reúne e dá um novo rumo ao movimento cultural em nosso País. É um novo marco na vida de nosso País fincado por Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Clóvis Graciano, Monteiro Lobato, Flávio de Carvalho, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Heitor Villa-Lobos, Guiomar Novaes, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Di Cavalcanti, Guilherme de Almeida. Enfim, a nata da intelectualidade se reuniu para dizer “NÃO” ao velho, ao arcaico, ao importado, ao ruim, e estabelecer um novo padrão estético e cultural para o Brasil. Monteiro Lobato transmite a Cora Coralina o convite em nome de todos eles para que ela participe do seleto grupo que mudaria os rumos da cultura naquele histórico e calorento fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo.
O marido de Cora, o advogado Cantídio Brêtas, sabe-se lá por que motivos, opõe-se à sua participação e Cora fica em Jaboticabal, no norte de São Paulo, onde residiam. Mas apenas esse convite já demonstra a importância e o prestígio que nossa querida conterrânea já adquirira em muito poucos anos com o que existia de melhor na fina flor da intelectualidade nacional. E serve para mostrar aos que pensam que Cora Coralina foi a simpática velhinha doceira que fazia versos numa cidade bonita do interior goiano que ela, aos olhos de Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, era, apenas, uma deles.
Lutou na revolução constitucionalista de 1932 ao lado das tropas de São Paulo, alistando-se como enfermeira e costurando uniformes. Foi intelectual do ano em 1983, recebendo o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira dos Escritores e da Folha de S. Paulo. A primeira mulher a receber a honraria e a única goiana. Foi doceira de mão- cheia, famosa e requisitada. Foi íntima de Drummond e de Jorge Amado. Foi mãe e foi avó. Foi goiana apaixonada e foi cidadã do mundo sem sair da cidade onde nasceu.
Senti vontade de homenagear Cora Coralina ao me deparar com esse livro fabuloso. E me emociono com o que vou encontrando em suas páginas. Vou reconfirmando essa alegria verdadeira, esse sentimento profundo, essa sensação que vem das raízes da terra goiana, dos pés rachados, do chão da infância, da memória que jamais se apagará. Quantas e quantas outras Coras Coralinas existirão perdidas em existências humildes pela vastidão de nosso País? Quanto talento e quanta genialidade não estarão sendo desperdiçados por falta de ousadia, de oportunidade, de reconhecimento? Quantos de igual envergadura não serão marcados pela sorte e a notoriedade, infelizmente?
Sinto imenso orgulho de termos tido Cora Coralina.
Leia abaixo a íntegra do discurso do Lula em Davos:
"Minhas senhoras e meus senhores, Em primeiro lugar, agradeço o prêmio "Estadista Global" que vocês estão me concedendo. Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida.
Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando - mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado.
Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos. Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial.
Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado. O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo.
O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo.
O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível,mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional - mesmo para os que não gostam de mudanças.
Meus senhores e minhas senhoras, O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos.
Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical.
Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.
No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos.
Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações. Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática.
E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.
Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos.
Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês - e, mais que isso, nos olhos do meu povo - e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu.
Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.
Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial.
Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.
O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza.
Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga. Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?
Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte? É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família.
Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.
Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos - e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.
Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.
Minhas senhoras e meus senhores, O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou? Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil.
Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu - e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta.
Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?
Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente?
Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral?
Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos. E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.
Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora.
E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.
Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.
Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto?
Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?
Meus senhores e minhas senhoras, Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso?
Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.
Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas.
Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?
Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia.
Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham?
Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?
O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas?
Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.
Meus senhores e minhas senhoras, Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise.
Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre. Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.
Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas - ou políticas - equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado.
Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.
O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social.
E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.
Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil.
Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.
Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão.
Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.
Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros.
Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.
Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.
As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito.
Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de "crédito consignado", que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.
Minhas senhoras e meus senhores, Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil. Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país.
O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora.
O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente. Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global.
A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação.
Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.
Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias.
É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar.
Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.
Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar.
Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde.
Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos.
E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.
Muito obrigado."
Por obra do imenso talento de sua gente, da competência de seus empresários e de uma reconhecida vocação progressista, Goiás é um dos Estados brasileiros que mais diversificaram sua economia nas duas últimas décadas. De uma economia basicamente agropecuária, Goiás partiu para a industrialização em seus mais diversos setores, avançando de forma rápida sobre o mercado de vários outros Estados, gerando divisas e acumulando capital com investimentos. Isso proporcionou aos mais variados ramos a possibilidade de explorar o potencial goiano como fonte de produção e expansão dos negócios. Quero enfatizar um setor que, até o final da década de 90, poucos acreditavam que seria – como hoje - um dos mais promissores do Estado: o da tecnologia da informação.
Vivemos uma autêntica epopeia econômica: do boi/grãos ao computador em poucos anos. Conseguimos continuar tocando nossa vocação agropecuária sem desprezar as possibilidades de diversificação na indústria, no comércio ou nos serviços. Agregamos valor, geramos riqueza, construímos novas plataformas de negócios e desenvolvemos tecnologias. Goiás tem dado mostras ao Brasil e ao mundo do valor e da capacidade de trabalho, da criatividade e da pujança tão típicas dos goianos. Goiás, especialmente nos anos do governo do presidente Lula, tem progredido de forma impressionante.
Como todo processo desenvolvimentista, a mudança dos paradigmas da economia goiana foi possibilitada por alguns fatores. A lei Estação Digital, o financiamento pelas instituições financeiras com a abertura de linhas de crédito específicas e o apoio das entidades de pesquisas foram alguns deles e tornaram Goiás uma referência da indústria de software no País. O próprio Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo Lula, que elevou de forma impressionante a taxa de investimentos do País, contribuiu de forma evidente para que esse mercado tomasse o impulso que tomou, e mostrasse sua força para o País e o mundo. Empresas de desenvolvimento, pesquisa e tecnologia se tornaram mais competitivas, despertando nas faculdades e universidades do Estado a necessidade de implantação de cursos de Ciência da Computação, que foi, por sinal, o que mais cresceu no ensino superior do País.
Diferente do que aconteceu (e acontece) com inúmeras outras profissões, em que as faculdades despejaram no mercado milhares de pessoas formadas com o mínimo de vagas, o setor de tecnologia da informação absorveu a mão-de-obra em Goiás – jovens talentosos e dispostos a criar, inventar, promover, ultrapassar o limite do possível – que transformou a realidade do setor no Estado, e proporcionou a abertura de novos mercados expandindo as vendas.
Só para se ter uma ideia, o Polo Tecnológico de Goiás compreende hoje mais de 2,5 mil empresas, gera 20 mil empregos diretos e fatura, anualmente, R$ 2 bilhões. De tudo isso, a indústria de software corresponde a aproximadamente 50%. O custo da produção de softwares no Brasil é um dos menores do mundo, o que facilita a exportação dos nossos produtos, com qualidade igual e até superior ao que é produzido em qualquer outra parte do mundo. Goiás, nesse quesito, também se destaca com algumas das maiores empresas de serviço em Tecnologia da Informação. Uma delas, por exemplo, tem nada mais nada menos do que Banco Central como um dos clientes, a CIA e o Departamento de Estado dos EUA. A empresa se destacou na oferta de produtos para os setores da indústria e, principalmente, do agronegócio, alcançando cifras milionárias de faturamento. Depois dos atentados de 11 de setembro, os aeroportos dos Estados Unidos passaram a contar a identificação pela retina, equipamento fabricado por empresa goiana, que ganhou a licitação promovida pelo país mais rico e poderoso do planeta. Isso sem falar que as empresas de software de Goiás são responsáveis pela segurança de concursos e vestibulares em todo o País.
Mas nada disso seria possível sem o engajamento do governo federal, que impulsionou a iniciativa privada para alavancar o mercado goiano no Brasil e no mundo. A construção de um Arranjo Produtivo Local, o envolvimento das empresas e a busca de soluções para o setor – na oferta de certificação e capacitação de mão-de-obra – foram algumas das ações realizadas para que esse fortalecimento se tornasse pujante como hoje podemos constatar. A participação mais efetiva no Fórum Empresarial, consolidação dos sindicatos e associações, participação de encontros do setor – com visitas frequentes ao mercado de outros Estados – fizeram com que Goiás desse mais um salto em busca da solidificação de seus produtos no País, garantindo a implantação efetiva do Polo Tecnológico Goiano, hoje reconhecidamente um dos mais promissores entre os de todos os demais Estados.
Esse importante setor, que é referência em Goiás, mas se tornou forte em todo o País, mexeu com a vida de toda a sociedade. Do estudante mais humilde nos rincões desse Brasil afora, que antes não tinha contato com o computador e agora descobre o mundo a partir de ferramentas como a internet, às empresas que se utilizam da tecnologia para a fabricação de medicamentos, por exemplo. Na educação, o governo soube com maestria aproveitar desse momento criado com base em uma economia sólida e pujante. Criou o projeto Um Computador por Aluno (UCA), que permitiu avanços no aprendizado com a pesquisa, revolucionando a educação, transformando os paradigmas educacionais, promovendo a inclusão digital – permitindo a utilização dessa ferramenta em casa, com acesso via escola.
O potencial de desenvolvimento da indústria de software em Goiás continua em franca expansão, com novos desafios que vão se delineando diante de inovações apresentadas pelo setor, com programas dinâmicos, bem elaborados e criativos. Hoje se encontra produtos goianos em praticamente toda a América Latina, Estados Unidos, Europa, China, e até nos chamados “Tigres Asiáticos”. Goiás não tem mais fronteiras na indústria tecnológica, que continua avançando com incrível dinamismo, levando o Estado ao ápice do que, hoje, a modernidade pode contemplar.
“A bandeira acredita que a semente seja tanta
Que essa mesa seja farta, que essa casa seja santa”
(Bandeira do Divino, Ivan Lins & Vitor Martins)
Algumas das imagens mais fortes de Goiás em minha memória são as de seu folclore, suas manifestações culturais e religiosas, as de seu povo nas ruas celebrando a fé e a vida.
No início de um novo ano, quando se renovam compromissos e se recarregam as energias para mais uma jornada, temos a oportunidade de presenciar a beleza dos rituais, da dança, das cores, da tradição secular da Folia de Reis, celebrada em todas as cidades goianas, em demonstrações de riqueza cultural e de imensa espiritualidade de nosso povo.
Tanto a Folia de Reis quanto a Folia do Divino chegaram ao Brasil por volta do século XVI, trazidas pelos colonizadores portugueses. Em Goiás e Minas Gerais estão suas manifestações mais profundas e belas, que ainda guardam os traços profundos de fé, esperança e alegria que impressionaram tanto o botânico austríaco Johan Pohl quanto o celebrado naturalista francês Saint-Hillaire, que perambularam pelos sertões goianos no século XIX e registraram para a posteridade as surpreendentes comemorações que presenciaram em mais de um lugarejo.
Ao longo do tempo, por incrível que pareça, não houve uma descaracterização maior, nem se perdeu a beleza da coreografia ou a significação do que se celebra. Esse é um fato de alta relevância: o povo do interior de Goiás, como o de Minas Gerais ou do Espírito Santo, guardou em seus corações uma tradição secular e a preservou com a força de seus sentimentos e a pureza de sua fé. Independente do apoio de organismos oficiais, do poder público, de qualquer tipo de patrocínio, na quase totalidade dos municípios de tais Estados o seu povo mais humilde se organiza e cumpre o rito de comemorar o nascimento de Jesus, a visita dos Reis Magos, as andanças do filho de Deus e de seus 12 apóstolos, e assim por diante.
E é surpreendente que uma das mais importantes facetas de nossa cultura, que arrebata corações e enche olhos, que deslumbra intelectuais, maravilha fotógrafos, inebria multidões e dá imenso orgulho aos cidadãos de cada uma das cidades onde as Folias de Reis e do Divino, a Congada e as visitações ocorrem, não se faça a partir de incentivo oficial ou qualquer forma de financiamento público! São os moradores de cada uma dessas pequenas cidades, gente simples, mulheres e homens do povo, que se organizam, que se cotizam, que preparam a festa e a fazem resistir pelos anos afora, talvez não tendo sequer a ideia de que são os responsáveis por uma das mais significativas manifestações de nossa cultura. É uma festa que vem do povo no mais amplo e poderoso sentido.
A Folia de Reis representa o pagamento de uma promessa e é celebrada noite adentro. São dezenas de devotos que cantam, dançam e tocam alguns instrumentos musicais e em seguida visitam casas de famílias. De porta em porta, levando os votos de saúde, de amizade e de prosperidade, a folia é recebida com alegria e respeito, não raro com o oferecimento de comidas e bebidas, e assim vai até o sol raiar.
Há uma festa de encerramento na casa de quem fez a promessa e onde se reza o terço diante da bandeira dos Santos Reis. No ano vindouro tudo se realizará novamente, na reafirmação da fé e da devoção. Tudo isso num ambiente de amizade entre os homens, de carinho entre as famílias, de fé em Deus e de grande esperança no ano que se inicia. Desde minha infância em Buriti Alegre as imagens dessa festa não me saem nem das retinas nem do coração.
As manifestações no interior de Goiás são de uma beleza impressionante, de uma força pungente, de um colorido sem par. Sempre as acompanhei e me sinto feliz em poder tornar pública a minha grande admiração pelo que vem do fundo da alma de nossa gente mais simples, demonstrando seu apego aos valores que o tempo não apagou. A Procissão do Fogaréu em Goiás Velho; as cavalhadas em Pirenópolis e Jaraguá; a festa do Divino Pai Eterno, em Trindade, reúnem milhões de goianos e de brasileiros de diversos Estados, em demonstrações impecáveis de fé e alegria.
Quando vejo manifestações exóticas e absolutamente divorciadas de nossa realidade, sem nenhuma identidade nacional ou importância cultural, serem comemoradas no Brasil, sinto imensa decepção e me revolto sinceramente. No País do Maracatu, da Capoeira, da Catira, das Congadas, das Folias de Reis e do Divino, do Boi-Bumbá em Parintins (quem não conhece e não gosta do Garantido ou do Caprichoso?), do Tambor-de-Crioula e do Bumba-meu-Boi maranhenses, isso toma as conotações de um atentado à cultura nacional. No País do Carnaval, a maior festa popular do mundo, não podemos abrir mão de nossa identidade nacional.
Câmara Cascudo, o mais importante folclorista de todos os tempos, registrou tais manifestações populares como sendo o mais cristalino traço de genialidade e brilho do povo brasileiro. Acrescento à sentença definitiva do inesquecível mestre a constatação de que, graças a Deus, o exitoso Brasil do presente, que marcha a passos largos para um futuro impressionante, não abriu mão da beleza das manifestações que vêm do coração de seu povo.
“O último dia do ano não é o último dia do tempo. (...)
O último dia do tempo não é o último dia de tudo.
Surge a manhã de um novo ano. (...)
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.”
Carlos Drummond de Andrade
Em poucas horas estaremos começando uma nova etapa em nossas vidas, com a chegada de um novo ano, de uma nova década.
A cada fim de ano temos o renovado milagre da esperança e a certeza de que nossas melhores expectativas irão se realizar, nossos ideais mais acalentados poderão se materializar, que as utopias generosas, as idéias mais audaciosas, os projetos mais revolucionários estarão ao alcance de nossas mãos, fazendo parte de nossas vidas, dando o ar de suas graças.
E tudo isso não é apenas muito bom. Antes de tudo, é necessário para que continuemos lutando e prosseguindo na caminhada, acreditando em nossos sonhos. O que seria da raça humana, do planeta, da vida, se os sonhos não dessem a exata medida de cada homem e de sua capacidade de superação?
Faz três décadas que um grupo de brasileiros sonhou um País melhor, mais fraterno, mais justo, mais humano. Vivíamos em plena ditadura militar e uns poucos sindicalistas, alguns intelectuais, operários, estudantes, mulheres, negros, resolveram fundar um partido e lutar pela realização do sonho impossível. Não foi fácil, mas em 2002, os brasileiros resolveram dar uma chance ao sonho e transformarem o seu País.
Fico pensando com meus botões, matutando feliz ao ver as profundas transformações que o governo que nasceu de um sonho impossível realizou no Brasil, com muitas saudades e um suave sentimento de dever cumprido, admirando a incrível máquina do tempo e da vida. O quanto lutamos em três décadas e o que se fez em sete anos de governo Lula.
Reflito a dimensão das mudanças e a importância histórica de um projeto de Nação que consolidou a democracia, que distribuiu renda, que diminuiu a pobreza e ascenderam socialmente dezenas de milhões de brasileiros, que encheu panelas, barrigas e vidas, que construiu casas, abriu universidades aos negros e aos pobres... Nem em nossos melhores sonhos poderíamos pensar que conseguiríamos chegar tão longe, fazer tanto, responder com competência o desafio de um País que ansiava ter uma chance.
Não importa se, pelos caminhos da luta, o sofrimento nos marcou. Se alguns pagaram tanto a tão poucos pela ousadia de ter vencido a luta. O que são as pessoas se olhadas individualmente? Nada. O que somos se olhados pela lente da história, pela força de nossos sonhos e a tenacidade com que perseguimos sua concretização? Muito.
O que os brasileiros podem esperar de 2010? O que será de um ano marcado pelas paixões na luta política e nas lides eleitorais? Até onde o País sonhado corre o risco do retrocesso, do reencontro com o passado? São várias as indagações que se impõe e que merecem ser respondidas.
Posso garantir que o Brasil não dará um passo atrás. Não permitirá que se volte um único milímetro na rota certa do desenvolvimento com justiça social, da democracia com plena liberdade, da inserção social de milhões de brasileiros que adquiriram sua cidadania com o governo que construímos após a vitória de 2002. Tenho andado por esse País e pelo interior de meu Goiás. Até eu mesmo, que nunca duvidei da força do povo, me surpreendo com a garra de nossa gente e a consciência de que é preciso avançar cada dia mais, não voltar atrás, não ceder nas conquistas e não abdicar do sonho que se tornou realidade.
Não importa se alguns meios de comunicação insistem em retratar as coisas como elas não são. Não fará diferença a tentativa inglória de manipular a opinião de um País que mudou e de um povo que se tornou o agente principal de seu destino. Essa “gente miúda”, sem sobrenome importante, sem brasão e sem rosto conhecido, essa gente que parte da elite descomprometida ignora, é quem faz as revoluções e movimenta as indústrias, dinamiza o comércio e alavanca a agricultura. Esse “povinho”, que para os adversários do governo Lula não passa de um número nos gráficos do IBGE ou um dado a mais nas teses defendidas na USP ou na Unicamp, é quem faz a história, derrubou a Bastilha, rompeu os preconceitos, acabou com ditaduras e castigou ditadores, morre nas trincheiras das guerras em defesa da liberdade e vive trabalhando pela grandeza de seu País. Esses “Zés Ninguém” são os construtores do futuro e os nossos companheiros de luta. Permito-me contar um segredo que trago no peito: é deles que vem a nossa força!
Há muito a ser feito. Muito mais do que já fizemos. Há usinas hidrelétricas e estradas. Há portos e aeroportos. Há uma agricultura pujante que se supera a olhos vistos. Há uma geração de empreendedores que, buscando o lucro, não excluiu o social. Há milhares de jovens estudantes que deixam os bancos das universidades e se tornam profissionais de altíssimo nível. Mas existe algo maior, ainda: há um País que se reencontrou com seu espírito altaneiro, fraternal, audacioso, avançado, livre. Hoje o Brasil é essencialmente um País vencedor. Não somos mais figurantes: somos protagonistas da história!
Em 2010 vamos vencer os desafios tal como vencemos em 2009 a crise econômica internacional, como vencemos a incredulidade e passamos a ser um País respeitado e admirado em todo o mundo. Com a força que vem do trabalho realizado e a confiança do povo. Com a humildade que deve preceder a glória e o poder. Com a reta intenção de não trair jamais os compromissos que assumimos com o Brasil, com seu povo, com seu futuro.
Dia desses um amigo perguntou-me qual era a lembrança que eu tinha do Natal na minha infância. Eu disse que não tinha nenhuma lembrança maior. O Natal passou a fazer parte da minha vida muito tempo depois. Mas a explicação é simples: trabalhando e estudando em Buriti Alegre, convivendo com meus pais e meus irmãos num clima de carinho e união, o que muitos só comemoram no fim de cada ano era, em verdade, o que vivenciávamos diariamente. Era um Natal permanente, concluo hoje.
Mas há algo no Natal que me toca profundamente, enternece-me e me fascina. Para muito além da troca de presentes, do reencontro festivo das famílias, das comemorações religiosas e, também, de coisas mais terrenas, mas não desprezíveis como o incremento nas vendas do comércio e a agitação que toma conta das cidades e das pessoas, existe um sentimento que me alegra bastante: existe uma esperança verdadeira no coração de cada um de nós. Todos esperam, sempre, por um Ano Novo melhor, mais feliz, mais fraterno.
Essa renovação de esperanças e de compromissos, esse celebrar de novos compromissos e permanentes afetos, esse hábito saudável de fazer planos para o ano que chega é algo de muito bonito e humano.
Aproveitamos as comemorações natalinas para recordar a vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o desamor, do perdão sobre o ódio, da alegria sobre a tristeza, da fé sobre a negação, da solidariedade sobre a indiferença.
O Brasil de hoje, tal qual eu na minha infância humilde e feliz nos sertões de Goiás, vive um Natal diferente. Os brasileiros vivenciaram um Natal durante todo o ano de 2009. Há presente melhor para uma família que não ter o desemprego afligindo sua paz? Há homem mais feliz que um pai de família empregado, cumprindo com suas obrigações para com os que tanto ama?
Vivemos um Natal diferente dos outros. Não foi o Papai Noel, velhinho simpático e querido, gordo, de barba branca e vestido de vermelho, vindo das terras geladas da Lapônia num trenó puxado por renas voadoras, quem possibilitou que filhos de operários chegassem à faculdade. Foi um governo que pensou e fez o ProUni, o mais ambicioso e competente projeto de acesso de milhões de jovens brasileiros às salas de aula de nossas universidades. Da mesma forma são milhares de jovens afro-descendentes que tem acesso às universidades numa sociedade que vence pouco a pouco a chaga do racismo. Nossos irmãos negros vivenciam seu Natal todos os dias, quando cruzam os portais dos campus universitários Brasil afora.
Não veio no saco abarrotado de presentes do Papai Noel o mais exitoso processo de distribuição de renda jamais visto em toda a América Latina, talvez em todo o mundo. Ele veio pelas mãos de um governo popular e pela determinação de um dos maiores presidentes que o Brasil já conheceu, Luiz Inácio Lula da Silva. Milhões de família pobres passaram a tomar o café da manhã, almoçar e jantar. Antes, suas mesas estavam vazias, suas panelas estavam vazias, seus estômagos estavam vazios. Agora, vivenciam o Natal ao menos três vezes ao dia, quando se sentam para comer.
O Natal de uma família debaixo de seu teto, diferente dos anos que passaram e dos natais passados debaixo de pontes ou no meio das ruas, é a celebração de um Brasil que oferece ao seu povo o direito de viver dignamente. Só quem passará a noite de 24 de dezembro dentro de sua casa, ao lado de sua família, saberá o significado de tal data inesquecível e abençoada.
E as nossas empresas que passaram a ser respeitadas em todos os continentes, conquistando mercados com os excelentes produtos “made in Brazil” não venceram a terrível e agressiva concorrência de gigantes internacionais por obra do acaso. Foi qualidade e competência, estabilidade econômica e imenso prestígio que agora o Brasil desfruta lá fora, que geraram riqueza e impostos, empregos e produção. Nossa indústria vive seu Natal de trabalho no presente e confiança no Ano Novo.
De país quebrado três vezes na década de 90 até ser a sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o caminho foi duro, mas de simples explicação: um governo sério, competente e comprometido com seu povo e suas esperanças. O Brasil vive o seu Natal de prestígio internacional e de autoestima reconquistada, com uma política externa independente, vitoriosa e admirada.
De devedores impenitentes e contumazes chegamos a provedores do FMI, a quem socorremos com generoso empréstimo. De desmoralizados no cenário internacional, vemos o presidente da maior potência mundial ser figura secundária na vital conferência do clima em Copenhaguen, enquanto a opinião pública internacional ressalta o trabalho, a garra e o sucesso da participação do presidente Lula. O Brasil do passado decaído cedeu lugar ao Brasil do futuro promissor que vive o seu Natal de afirmação e competência. Já não pedimos mais licença para exercer o papel que o destino nos reservou.
Que esse Natal seja o de uma nova vida, com esperança, trabalho e reflexão. Agradeçamos a Deus – tenha ele o nome que tiver na fé professada por cada um de nós – o milagre da existência e a inquebrantável fé em seus desígnios de grandeza e amor.
Não bastasse a natural evolução dos povos, as transformações sociais, políticas e econômicas dos países, o Brasil tem passado por um processo intenso de mudança de paradigmas. Nem que sequer notemos, mudamos demais. Temos sido agentes da história e de seu inexorável processo, mas não temos tido nem o tempo necessário nem a exata consciência da proporção imensa de tudo o que tem nos ocorrido, deixando o subdesenvolvimento para trás e entrando firmes para o seleto grupo dos países que estão vencendo a luta do desenvolvimento sustentável em tempos de um processo econômico globalizado. Seria pretensão dizer que tudo o que de bom tem ocorrido ao Brasil é fruto dos últimos anos, sob a gestão vitoriosa do presidente Lula. Mas seria pura injustiça não reconhecer que seu governo é o responsável pela retomada do processo desenvolvimentista e, de quebra, angariou para o Brasil um prestígio internacional e uma credibilidade de há muito perdidas. Nunca fomos tão bem cotados perante as demais nações! E isso é fruto de uma simbiose poderosa entre um governo sério e eficiente e uma sociedade que tem dado o melhor de si em benefício do desenvolvimento nacional.
Contou-me um amigo empresário que nos anos 90, num coquetel em Bruxelas, ouviu da mulher de um ministro uma confissão surpreendente: “Tenho muita vontade de conhecer o Brasil! Dizem que é um país lindo, mas eu não vou, pois tenho medo de cobra.” O caricato receio da senhora europeia revelava não só uma grande desinformação como o preconceito do “mundo desenvolvido” existente contra um “jovem” país do novo continente. Hoje, pouco mais de uma década depois, o rei e o primeiro-ministro da Bélgica voam em jatos fabricados pela Embraer, brasileiríssima e competentíssima. A força aérea belga poderia ter ido até a vizinha França e comprar na Dassault ou na Airbus. Ou ultrapassar o Canal da Mancha e fazer a feira no parque aeronáutico da vetusta British Aerospace, na Inglaterra. Se preferisse cruzar o Atlântico Norte e chegar até Seattle, a poderosa Boeing Company poderia suprir suas necessidades. Mas foi em São José dos Campos, sem as cobras que aterrorizavam a madame e com tecnologia de ponta que nos orgulha, aviões de altíssima qualidade e de baixo consumo, projetados por engenheiros e técnicos brasileiros, construídos por operários brasileiros, que os súditos do Rei Alberto encontraram o avião adequado para transportar sua majestade pelos céus do mundo.
Empresas de tecnologia da informação brasileiras fornecem para o Pentágono, para o Departamento de Estado norte-americano, para a Secretaria de Defesa dos EUA. Algumas delas, inclusive, são empresas de Goiás. Todavia, a esmagadora maioria dos brasileiros ainda pensa no Japão ou nos Estados Unidos quando se fala em computador, em software, em informação online, em inovação tecnológica. Pois no chamado “primeiro mundo”, os consumidores ou as grandes corporações pensam em... Brazil!
Empresários brasileiros promovem megafusões de grandes empresas, envolvendo bilhões de reais, milhares de funcionários e de pontos de vendas, com competência e segurança que empresários europeus ou norte-americanos não demonstrariam melhor. Empresas abrem seus capitais nas bolsas de valores com imensa regularidade, movimentando o mercado e demonstrando a vitalidade e a confiança tanto na política econômica quanto na própria pujança da economia do país. Nem parece que nos anos 90 isso era absolutamente inviável.
Esse misto de preconceito e de desinformação não é privilégio de estrangeiros. Há brasileiros que não conhecem seu País e nem buscam por onde saber o que anda acontecendo por essas bandas. As más notícias – graças a Deus cada dia mais escassas – foram substituídas por confirmações diuturnas de que, sem que nos apercebêssemos muito, já ultrapassamos a linha tênue que separa o subdesenvolvimento do desenvolvimento, que divide os que sofrem com a pobreza dos que se armaram com educação, saúde, redistribuição de renda, justiça social e democracia para adentrarem o clube dos que viverão em um mundo melhor, mais justo e mais solidário.
Demos passos muito seguros nos últimos anos. A estabilidade econômica é um deles, fruto da decisão política do governo Lula em optar por um modelo administrativo responsável e austero. A estabilidade política é o outro. Advém das profundas convicções democráticas do conjunto de forças que se uniram e levaram ao Palácio do Planalto um dos maiores presidentes da história do Brasil, o companheiro Lula.
Lá fora, nossa imagem é diferente daquela dos anos 90, quando fomos à bancarrota três vezes. Deixamos de frequentar os espaços destinados às crises econômicas e aos problemas internacionais. Hoje estamos nas primeiras páginas e o mundo nos observa com surpresa e admiração. Vamos sediar a Copa do Mundo em 2014. As Olímpiadas, também de forma pioneira, terão o Brasil como sede. O Brasil passa a figurar no mapa por demonstrações de importância política, pujança econômica e vitalidade social. Já não é, tão somente, por obra da precisão dos cartográfos.
O mundo já sabia de nosso talento. Pelé, Ayrton Senna, Tom Jobim, Santos Dumont, César Lattes, Carlos Gomes, Heitor Villa-Lobos, Josué de Castro, Jorge Amado, Paulo Coelho, Cândido Portinari, Paulo Freire, Celso Furtado e dezenas de outros brasileiros já brilharam lá longe, nas artes, nas ciências, na economia, nos esportes. Virava e mexia e um brasileiro fazia a diferença, subia ao pódium de um grand-prix ou era ovaciado num estádio de futebol após um drible genial ou um gol impossível, impressionava auditórios nas melhores universidades ou vendia milhões de livros mundo afora. Agora, com o advento do governo Lula e com o imenso prestígio que ele trouxe ao Brasil, tem mais gente brilhando. É todo um povo. São os engenheiros e os projetistas da Embraer, ou os agricultores de Petrolina exportando suas frutas para o mundo. São os produtores do centro-oeste arrebatando os mercados internacionais com a qualidade e a competitividade de nossos grãos. São os técnicos da Embrapa, uma das mais extraordinárias instituições de pesquisa de todo o mundo. Agora, meus amigos leitores, é um País inteiro que subiu ao pódium e que está sendo aplaudido de pé.
A impressionante repercussão do artigo que publiquei na semana passada – “O Brasil nos trilhos do desenvolvimento”–, tratando da questão ferroviária e de sua importância no desenvolvimento nacional, enseja que aprofundemos um pouco mais no assunto, recordando a necessidade de encarar o tema com vontade política e sensibilidade.
A decadência do transporte ferroviário no Brasil começa com o aparecimento de nosso parque automotivo, no final dos anos 50, onde os caminhões ganharam as rodovias que se abriam e a classe média pôde ter acesso ao carro próprio. Agora, meio século depois, a ferrovia volta a ser uma opção válida e necessária no transporte de cargas e de passageiros justamente pelo motivo que decretou sua quase-falência: a impressionante ampliação da frota de automóveis de passeio, hoje muito mais ao alcance dos brasileiros por conta da estabilidade econômica, da disponibilidade de linhas de crédito e de financiamento.
Nossas cidades estão com suas ruas e avenidas lotadas nos horários de “rush”. Cidades projetadas para comportarem menos da metade do tráfego que hoje suportam dão mostras de saturação no trânsito e se encontram diante da delicada questão de como resolver tão complexa questão. Goiânia, Brasília, Campinas, Recife e, em maior e dramática escala, a cidade de São Paulo, por exemplo, já dão mostras de que a chegada de milhares de novos automóveis às suas ruas diariamente exige criatividade e alternativas para o caos urbano que se vai instalando. Curitiba, que já nos anos 70 havia adotado interessantes opções de transporte coletivo urbano, nas linhas exclusivas então projetadas, hoje chega a se ver na obrigação de discutir a validade de um transporte urbano de massas através de um metrô a ser construído como alternativa ao trânsito que desfigura uma das melhores cidades do País.
Projetada para ter 500 mil habitantes no ano 2000, no projeto original de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, Brasília já havia passado bem mais do seu primeiro milhão de moradores naquela data e hoje, menos de uma década depois, tem mais de dois milhões de habitantes se contabilizarmos o Entorno da Capital, onde se localizam diversos municípios goianos (Valparaíso, Cidade Ocidental, Planaltina de Goiás, Águas Lindas e Formosa, dentre outros) e toda sorte de problemas que atingem as grandes metrópoles mundiais, numa convivência difícil e forçada entre o desenvolvimento econômico-social evidente e os dramas diários da insegurança, da carência de infraestrutura urbana e da saturação das vias de transporte.
Estamos pagando um alto preço pelo desenvolvimento. Não fosse a férrea decisão do presidente Lula em enfrentar os problemas que afligem as populações das grandes cidades, com políticas realistas para as questões do meio ambiente, da reforma urbana e dos transportes, dentre outras, e nos veríamos em médio ou curto prazo em situação mais crítica do que a que já nos encontramos. E é por isso, pela necessidade de repensar a questão do transporte, tanto o de passageiros quanto o de cargas, tanto o urbano quanto o interestadual, que insisto na evidente supremacia do ferroviário sobre o rodoviário, do trem sobre o caminhão, do trilho sobre o asfalto. Isso não exclui o transporte rodoviário e os que nele trabalham. Ao contrário, devemos valorizar a integração intermodal e desenvolvê-la de forma racional e sustentável.
As grandes economias mundiais se estruturaram numa equação simples: os trilhos transportando aos centros urbanos e aos portos a produção agrícola ou industrial de regiões distintas. Além disso, a logística ferroviária contempla o transporte seguro, confortável, rápido e econômico de milhares de passageiros nas composições de um único trem. As indústrias que produzem locomotivas detêm tecnologias avançadíssimas, que produzem a cada ano máquinas mais fortes, mais rápidas, mais econômicas e que têm operado serviços de altíssima qualidade entre centros de alta densidade populacional no Japão, ligando cidades que são centros industriais na Alemanha, aproximando em tempo recorde Bruxelas e Paris ou a capital francesa e Londres, no Eurotúnel, por debaixo do Canal da Mancha. É a questão de se perguntar: quais motivos nos impedem de oferecer igual qualidade de transporte entre o Rio de São Paulo, por exemplo, em projeto acalentado pelo governo Lula, o do “Trem-Bala”? Que ganhos extraordinários terá nossa agricultura quando pudermos oferecer aos produtores de grãos, aos industriais, aos prestadores de serviços, às empresas de logística, aos frigoríficos, a possibilidade de levarem a produção do interior de Goiás, da Bahia, de Mato Grosso ou de Santa Catarina até os centros consumidores ou aos portos de exportação! Que salto dará nossa economia quando enxergamos as ferrovias com o olhar sábio e pragmático de nossos irmãos canadenses, sul-africanos ou chineses!
Já temos a Ferrovia Norte-Sul e se impõe o desenvolvimento da Oeste-Leste, integrando nosso imenso território continental com os ramais de integração e toda a estrutura operacional que dote o Brasil de uma poderosa rede ferroviária que será um instrumento de integração e desenvolvimento social e econômico. Temos essa necessidade, os meios existem, a vontade política já foi demonstrada. Recordo um belo verso de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem faz, a obra nasce.” Portanto, mãos à obra!
Nós andamos perdendo muito tempo em discussões estéreis, em bate-bocas improdutivos. Nós temos nos esquecido de que esse País é um dos maiores, dos melhores, dos mais férteis do mundo. De que vivemos a realidade de um encontro abençoado de terra dadivosa com povo trabalhador. Temos prezado mais o miúdo do que a grandeza. O Brasil é superlativo, é grandioso, não comporta a pequenez e exige o arrebatamento de soluções engenhosas e revolucionárias. Nos anos 80, o então prefeito socialista da capital peruana, Alfonso Barrantes, peitou o problema do caos nos transportes urbanos e, em tempo recorde, dotou Lima de ramais ferroviários que desafogaram a metrópole e diminuíram sensivelmente os problemas que afligiam uma população que hoje chega à casa dos 8 milhões de pessoas.
O Brasil deve reforçar sua malha ferroviária existente, modernizando-a. Precisa buscar a parceria do capital privado nacional e internacional, de forma transparente e decidida, para dotar nossa economia do mais eficaz meio de transporte de massas e de escoamento de produção. Renegando as ferrovias, abandonando-as, priorizando o custoso e antiecológico transporte rodoviário, já chegamos a alto patamar econômico. Sob os trilhos, certamente, vamos chegar mais longe, com mais responsabilidade social e sustentabilidade.
A Prefeitura de Teresina disse que contratou uma nova Qualix, que o sistema de coleta do lixo iria melhorar. No entanto, tem bairro que o carro do lixo está sem passar desde o início da semana. Você está gostando do sistema de coleta de lixo?
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