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Danilo Damásio - Danilo Damásio

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27/06/2008 - 06h56min

Na eleição na Câmara, a beleza do Cirin causa muita é inveja

O desabonitado

Na minha vida, de algumas coisas eu só fui saber com o tempo. Mas penso que é assim com muita gente, principalmente toda pessoa besta, com QI baixo que nem eu. E a descoberta que mais me maltratou foi a de que eu não era tão bonito quanto pensava.

Aliás, menino só sabe que é feio quando vai para a escola. Pra mim, foi um choque! Embora, em casa, a mamãe dissesse que eu era lindo, nos teatrinhos do Diocesano, eu nunca era convidado para interpretar os anjos e santos. Ora era soldado, ora, porteiro e ora era faxineiro. Isso quando não me colocavam pra dançar debaixo do boi-bumbá, onde só apareciam o meu par de Kichute e um pedaço das canelas. Só depois descobri que tudo isso era porque eu era desabonitado. Foi uma luta pra eu me acostumar com esta idéia.



Feiúra pega

Adolescente, fui estudar em Brasília. E se aqui eu não fazia sucesso, lá foi que eu não consegui fazer mesmo. Naquele tempo, os únicos piauienses que eram mais ou menos conhecidos lá eram o Freitas Neto, o João Henrique – que na época era chamado de João Maguim – o Felipe Mendes, o Ciro Nogueira Pai e o Reis Veloso. Todos feiosos. As minhas amigas de Brasília chegaram a pensar que feiúra era uma doença que no Piauí se pegava no vento feito três-sol, sapatão e gripe.

O único piauiense bonito que o Piauí tinha naquele tempo era o Hugo Napoleão. Alto, cabeleira esvoaçante caindo sobre a testa, ternos bem cortados e palavreado clássico. Era impriauzim um artista de novela. O diabo era que o povo nem dava fé que ele era do Piauí. Todo mundo pensava que ele era mesmo era americano.

E eu dava graças a Deus porque elas não conheciam o resto da nossa raça nem de foto. Imagine se tivessem visto as telas do Tadeu Maia, do Wilson Martins, do Fernando Monteiro, do João Mádison, do Tererê, do João de Deus, do Maurão Tapety e mais outros e outros conterrâneos aos quais devotamos apreço, apesar do desmantelo estético.




A Cara do Piauí

Muito bem! Agora, com o avanço da televisão, da antena parabólica e da TV Senado, o povo de lá do Planalto, do Sul e do resto do Brasil deve ter consolidado a idéia de feiúra piauiense só de tanto ver na tela o Mão Santa e o Heráclito.

E os deputados? Já me disseram que o B. Sá dá pra se passar mais como o cantor Falcão...Isso sem contar com a beleza do Julio César e do Antônio José Medeiros!

A nossa valença tem sido o Cirim. Pense num cabôco bem parecido! Tô vendo que aí está a salvação da imagem do piauiense: eleger o Cirim como nosso "Mister Piauí" da política.
Agora que ele quer ser candidato à presidência da Câmara é que vai ser bom mesmo. O Michel Temer, concorrente dele, quer compará-lo com o Severino Cavalcante. É inveja! Inveja purinha!

É só olhar pra um e pra outro: um é velho, o outro é novo; um é careca, o outro tem até topete; um é baixo, o outro é alto e, para completar as qualidades de Cirim, ainda tem o seu principal adorno, que é a esposa Iraceminha. Sem dúvida, será a mais bela primeira-dama do Congresso, em todos os tempos. E com uma vantagem: com uma mulher bonita daquelas, o Congresso estará livre de uma nova “Mônica Veloso”.

Já bolei até alguns jingles de torcida pra animar a corrida do Cirim rumo a presidência da Câmara Federal: "Vaiii, Cirimmm, rú tererê/ Cirimmmm, cadê vocêêê? Eu vim aqui só pra te ver!!/ E é o Cirim no Congresso e o Piauí no progresso!/ Caba bonito taí, é o representante do Piauí."

É só colocar no gogó do Lázaro do Piauí e o sucesso ta garantido.




O compositor

E por falar em Lázaro do Piauí, eu me lembro que eu ainda andei sonhando em ser músico. Foi assim:

Meu pai queria que eu fosse comerciante. Minha mãe queria que eu me entregasse para a igreja. Duas missões impossíveis já que nas duas é preciso acordar cedo. E eu como já disse, já embalava outro sonho: ser compositor.

Eu queria seguir os passos de Torquato Neto, Naeno e os irmãos Climério, Clôdo e Clésio Ferreira (que já compuseram para Fagner, Ednardo e Dominguinhos, entre outros).

Eu já tinha até deixado pra lá aquele negócio de ser artista. Mas tive uma recaída quando vi o Frank Aguiar invadir as paradas de sucesso no grito. Agora é minha vez, pensei!

Fui olhar as composições do Caetano, Djavan e Gilberto Gil e descobri que não era difícil. É só colocar um leriado besta e pronto. Quer ver:

Açaí/ guardiã/Zum de besouro um imã/Branca é a tez da manhã (Djavan- Açaí)

Vamos comer/Vamos comer feijão/Vamos comer/Vamos comer farinha/Se tiver/Se não tiver/ então/ ô ô ô ô. (Caetano Veloso- “Vamo” Comer)

Quando quase não há/Quantidade que se medir/Qualidade que se expressar/Fragmento infinitésimo...(Gil- Quanta)

Nesse passo de nada com nada, eu também posso compor. Vou chamar o Leonardo do Xenhenhém e pedir a ele que, apertando qualquer tecla e espremendo o fole da sanfona pra qualquer lado, bote música nesta minha letra:

“Um homem sem dinheiro é um homem liso/ um louco sem parafuso é um sem juízo/ um pau que nasce torto não se endireita morre torto/e na guerra quem dorme no ponto acorda morto...” (Danilo- Verdade de mentira)

Quando o sanfoneiro achar a melodia eu faço o resto da letra. Aceito sugestões. Favor enviar para o e-mail damasio.danilo@yahoo.com.br.
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20/06/2008 - 07h37min

O Nazareno deveria ser candidato era em Esperantina

Sonhar não paga imposto
Sonhar, todo mundo sonha. Quem não sonha em ser rico como o Bill Gates, ser bonito como o Brad Pitt e poderoso como o Bush? Ou humilde feito o Nazareno, importante feito o Arimatéia Azevedo, direito que nem o Carbureto ou simpático como o Ubiraci Carvalho? Entretanto, são poucos os que adicionam ao sonho compromisso e disciplina para torná-lo realidade.

O nosso governador Wellington Dias é assim, uma mistura de sonho, compromisso e disciplina.
Empunhando a bandeira de um partido que de tanto apanhar nas urnas servia era de chacota, em dez anos saiu de vereador, passou pela Assembléia, pela Câmara dos Deputados e chegou ao governo. E não foi uma chegada qualquer. Deu uma surra de votos no cacique Hugo Napoleão e elegeu-se ainda no primeiro turno.

Depois, buscando a reeleição, botou uma banda do PMDB debaixo do braço e amassou a candidatura de Mão Santa como quem amassa papel de pão. Na mesma pisada, colocou o menino prodígio Firmino pra comer biscoito.


De tropeço em tropeço
Homem ponderado e pragmático, não é de agredir ninguém. Focado em seu projeto de poder, sempre se manteve aberto ao diálogo. Não sente dor alguma em dizer o que o interlocutor quer ouvir, mesmo que seja uma promessa ou compromisso que saiba que jamais será cumprido. Da mesma forma, faz ouvido de mercador quando lhe é conveniente.

A exemplo de Lula, o governador criou uma blindagem para si e, após 6 anos de mandato, ainda é aprovado por mais de 70% da população, segundo pesquisa recente do IPOP. Desde que começou seu primeiro governo, anda de tropeço em tropeço. Assim mesmo, com tropeção e tudo, ele vai pavimentando a sua estrada para o senado.

Veja bem! Foram tantos os tropeços de seu governo que nem me lembro direito: contratou a hoje badalada Finatec para fazer uma reforma administrativa desastrosa; reformou a reforma feita pela Finatec; colocou uma pedra em cima do escândalo da Agespisa que denunciou na véspera da eleição; tirou às pressas o presidente da Agespisa por causa de um milionário pagamento até hoje não explicado;fez o pagamento do 13º salário do servidor com empréstimo bancário e, mesmo fazendo o desconto em folha, não pagou os bancos, sujando o nome de milhares de servidores no Serasa e no SPC; contratou uma empresa lá de Brasília para cobrar uma taxa escandalosa de financiamentos de veículos no Detran; demissão em massa de servidores prestadores de serviço, atingindo principalmente as áreas da educação e saúde e fracasso do luz para todos.

Depois de reeleito, as obras pararam; os empreiteiros sofreram calote; se juntou com o PFL e estourou um escândalo na Saúde.

Mas o governador Wellington Dias continua lá. Firme e forte!


Esperteza demais é reimosa
O velho e saudoso Ulysses Guimarães, pai de nossa Constituição, ensinava: "Sabedoria, quando é demais, vira bicho e come o dono". Agora, resolvendo brigar com dois aliados, Themístocles Filho e Roberth Rios, só para eleger um chegado seu, Chico Antônio, em Esperantina, desconfio que o governador esteja bem pertinho de virar merenda na boca de sua própria sabedoria.

Mas eu tenho uma saída salomônica para este conflito: os aliados acusam o governo de ter montado uma prefeitura paralela em Esperantina e estarem levando obras pra lá a torto e a direito, na tentativa de levantar a candidatura do PT.

O meu conselho é levar o Nazareno pra lá pra Esperantina e trazer o Chico Antônio e a máquina do governo pra cá pra Teresina.

Veja como meu plano tem rumo: o Themistim vai continuar com o buchim cheio e o Roberth Rios, que como amigo é cheio de defeitos mas como inimigo é perfeito, vai procurar outra confusão pra se enterter. E a paz voltará a reinar no seio de Abraão.

E tem mais: trazendo a máquina do governo pra cá, é só concluir a Ponte do Sesquicentenário, o Metrô, reabrir a Potycabana, concluir o dique do Poty e colocar o Pronto Socorro para funcionar plenamente que o Chico Antônio se elege. E com o meu precioso votim.


Tonyfolia
Dos pecados capitais, é só olhar pra mim que já dá pra ver o primeiro: a preguiça. O outro que tenho, só bate de vez em quando: a inveja.

No domingo passado, a danada da inveja me atacou de novo com suas unhonas de garfo. Quase morro de inveja da Caminhada do Padre Tony. Ele colocou 70.000 pessoas para caminhar na Frei Serafim cozinhando o juízo no sol de Teresina.

Se eu fosse organizador da Micarina convidava o padre para ressuscitar o evento como fizeram com o finado Lázaro e com a finada CPMF. Ora, ora! Se o povo pagou pra caminhar no meio do sol quente tomando só água, que dirá como vai ser uma festa de noite, com padre Tony, o Chiclete com Banana e a Ivete Sangalo, e o povo atrás, tomando cerveja, cheirando loló e beijando na boca?


Festa na BC
A professora Lurdes completou 55 anos de vida dia 5 de maio. Nascida na Regeneração de Alfredo Nunes e Xavier Neto, foi, mocinha, treinada pelo padre Borges para ser uma dedicada professorinha de catecismo.

Já aqui em Teresina, trabalhou como recepcionista do Hotel Piauí, que depois recebeu nome de Luxor Hotel. Formou-se em pedagogia e foi nomeada para a Secretaria de Educação pelo governador Lucídio Portela.

Não sei é se deu aula das convencionais algum dia. Sei é que colocou um empreendimento de diversão aqui na nossa capital que, junto com o encontro dos rios e o troca-troca, virou atração turística.

A festa da professora Lurdes foi anunciada em folderes distribuídos nos semáforos como “o aniversário mais esperado do ano” e está sendo comemorado nesta semana. Tal qual a Micarina e o Piauí Pop, os festejos se dão em longas noites festivas – quarta 18, quinta 19 e sexta 20.

Ahh!!Antes que eu me esqueça. A professora Lurdes é mais famosa pelo seu nome de fantasia: Beth Cuscuz.

Parabéns, professora! Que você continue mantendo o negócio sempre de pé!
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13/06/2008 - 08h14min

O Piauí tem peso sim! A CPMF só ressuscitou graças a bancada

O que falta aqui é louco!

Na semana passada, escrevi que uma das razões que explicam o atraso do Piauí é a falta de índio. Os índios lutam – matam e morrem – pelo que é seu. Mas o bandeirante Domingos Jorge Velho veio ao Piauí e acabou com a raça deles, sepultando ali nossa capacidade de lutar com unhas e dentes.

Quero agora assumir que estava errado. No Piauí, não tá faltando índio. Um só já basta. Aqui tá faltando é louco!

Foi um louco de 29 anos, Saraiva, que inventou de fundar uma nova capital, Teresina, começando do zero, em 1852. Foi um louco, o Engenheiro Sampaio, que, no final do século 19, instalou uma indústria de laticínios nos ermos Sertões de Dentro do Piauí, exportando seus produtos para a Europa. Também foi um louco, o poeta Leonardo Castelo Branco, a primeira voz que se levantou no Piauí pela nossa Independência.



De Clidenor a Alberto Silva

Foi outro louco, o jovem médico Clidenor de Freitas Santos, que, em meados da década de 40 do século passado, iniciou a construção de um mega hospital, o Meduna, que levou dez anos para ser construído, mas revolucionou e humanizou o tratamento psiquiátrico no Piauí e no Nordeste.

No início da década de 70, outro louco, Alberto Silva, no papel de governador, meteu o pé na estrada e ligou o Piauí de ponta a ponta, de Norte (Luís Correia) a Sul (Cristalândia), por asfalto de primeira qualidade, num percurso de 1.400 quilômetros. E saiu eletrificando os municípios com energia de Boa Esperança...



De Moisés a Padre Tony

Tem louco que ainda bota os outros para serem loucos também. O padre Tony há 12 anos joga nas ruas de Teresina a tal da "Caminhada da Fraternidade", para arrecadar fundos para as obras sociais da igreja. A "Tonyfolia" consiste em colocar o cidadão para sair caminhando num sol quente de deserto e ainda pagar por isso. Todo mundo vai, colabora, sai feliz e já fica fazendo planos para a próxima. Se o padre Tony fosse do tempo de Moisés, a travessia do deserto infindo rumo a Terra Prometida tinha sido mais divertida.

Agora no início do século 21, mais quatro loucos – Cineas Santos, Luís Romero, Nilson Ferreira e Wellington Soares – fundaram o Salão do Livro do Piauí, cuja sexta edição acabou de ser realizada superando o sucesso das anteriores. Um megaevento que eles fazem só com a cara, a coragem e sua capacidade de mobilizar mentes e braços. E loucura. E bote loucura nisso!



Pelo avesso

Mas todo cuidado com louco é pouco. Tem deles que fazem com as mãos e desmancham com os pés. Por exemplo: o primeiro governo de Alberto Silva foi revolucionário. Já no segundo, descuidaram dele, e foi uma catástrofe. Muitos funcionários públicos comeram o pão que o diabo amassou com o rabo, porque ficaram com os salários atrasados por meses a fio para sustentar o devaneio do governador de construir a Barca do Sal, a Potycabana e o Metrô.

A Barca do Sal só fez uma viagem derramando dinheiro público no leito seco do Rio Parnaíba. A Potycabana faz tempo só serve de berçário do mosquito da dengue. E o Metrô? Com um trem véi do tempo do bumba movido a óleo diesel, vive mais no prego que funcionando, consome uma fábula de dinheiro do Estado todo mês e transporta menos gente por dia do que um único ônibus da empresa Dois Irmãos que roda de Timon no rumo de Teresina.





Terno e gravata


E por falar em loucura, tem muita coisa que enlouquece o cidadão. As mais perigosas são dinheiro e mulher, que fazem parelha com terno e gravata. Sim. Isso mesmo. Terno e gravata!

Estas duas aparentes e inofensivas peças do vestuário são a desgraça da humanidade. Embora um seja dependurado no lombo e a outra no pescoço, um terno e uma gravata sobem à cabeça e perturbam a bainha do juízo do cidadão.

Quem não se lembra de uns sindicalistas que antigamente metiam uma camiseta da CUT ou da CGT nos peitos, pegavam um microfone, iam para o sol do pingo-do-mei-dia e, suando mais que tampa de chaleira,

arrochavam a taca nos patrões, no capitalismo, no governo e no diabo. Agora, de terno e gravata, tão mais desconfiados do que cachorro andando de canoa. Nem um grunidinho deles se ouve mais.



Disconjuro!

O cantor e compositor Chico César, em seu novo CD, Francisco Forró Y Frevo, tem uma música chamada "Deus me proteja". E pede para que Deus o proteja da bondade de gente ruim e da maldade de gente boa. Taí duas coisas perigosas!

Nesta quarta-feira à noite, a Câmara dos Deputados ressuscitou a CPMF. Por apenas dois votos de maioria, o imposto voltou. Foi decisiva nesta aprovação a votação dos deputados da bancada do Piauí. Votaram pela volta do imposto: Átila Lira, B.Sá, Ciro Nogueira, Marcelo Castro, Nazareno Fonteles, Osmar Junior e Paes Landim. O único que votou contra foi Mussa Demes. Alberto Silva e Julio César não foram votar.

Se, pagos para serem bons, os nossos deputados já fazem isso, imagine se fossem pagos para serem ruins!

E o interessante é que nós parece que gostamos de sofrer. Porque é preciso fazer justiça: estes aí não estão enganando ninguém. Sempre votaram com o governo, seja ele que governo for, e contra os interesses do povo. E em toda eleição, como prêmio, mandamos todos eles pra lá novamente.

E o povo ó: top, top, top!
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06/06/2008 - 07h43min

O que ta faltando neste Piauí véi cansado de guerra é índio

Sem bolo e sem vela
Tem dois aniversários este ano que não vou comemorar. O primeiro é o meu, agora no mês de junho. Meus amigos já manjaram o meu golpe fajuta. Feito alguns colunistas sociais, sempre invento uma festa meia boca, sirvo coxinha sem carne, pastel de vento, rabo de tatu só com a massa, creme de galinha, refrigerante de litrão, ponche e outras comes e bebes baratos. E me sinto no direito de ganhar presentes. E só quero se for roupas da Brooksfield, Harrys e M´Officer. Só com elas eu fico menos desabonitado e, de lambuja, ainda ajudo a enricar mais o Seu Barroso, franqueador destas marcas. Como se ele precisasse!

Hum, hum-hum!

Outra festa para a qual não vou dar nem bola é para o aniversario de Teresina, em agosto. Primeiro, porque neste ano tudo é política. E se eu gostasse de política, quem era candidato era eu. Depois porque Teresina, com tantos camelôs, criminalidade crescente, obras paradas e um trânsito à beira de um colapso, tem se revelado uma jovem descuidada. Daquelas que tomam coca-cola no café da manhã, comem uma bomba de queijo e presunto, coxinha e Milk shake na merenda, almoçam lasanha com abacatada e jantam no Macdonalds ou no Bob’s. Ligeirim ficam cheia de estrias, com a bunda mole e espalhada, os peitos muxibentos, o bucho de lama e celulite pra tudo que é parte.


A falta que o índio faz
Tenho me servido de muitos estudos para entender a alma do piauiense. E tenho caminhado desde a física de Albert Einsten, pra quem até o tempo é relativo, até estudos antropológicos e sociológicos. Muitos explicam a nossa preguiça crônica, apatia e incapacidade de luta como uma herança cultural do nosso vaqueiro, que, na nossa colonização, seguindo o passo dolente do boi, influenciou a formação do piauiense.

Pra mim, o maior responsável por nossos defeitos foi Domingos Jorge Velho. Este sacana não tinha o que fazer, e aí pelos idos de 1600 e lá vai pedra, veio ao Piauí e danou-se a matar índio. Como se sabe, os índios são intransigentes na defesa de seus direitos. No Brasil Colônia, preferiam a morte a perder suas terras, seus valores e se deixar escravizar. Chegavam a comer seus inimigos. Ainda hoje, pra se defender, eles praticam seqüestros, fecham estradas e ferrovias, dão pano de facão, flexada em avião e o escambau, como temos visto pela TV.

Pra se ter uma idéia da força do índio, o que sobrou por aqui, Wellington Dias – que nem é muito de briga – aniquilou de um só golpe os mandões da aldeia e tornou-se o chefe de todos nós, os cara-pálidas.

Mas voltando lá atrás: quando o pobre do vaqueiro chegou aqui por estas bandas e viu o que tinham feito aos nossos indiozinhos, resolveu nada questionar. Botou o chapéu de ataiá égua na cabeça e reduziu sua importância à tarefa de fazer os mandados dos donos das terras e do gado. Acabou aí nossa capacidade de indignação e luta.


Um castelo em Teresina
Somente nesta 6ª edição do Salipi é que tive coragem de ir lá. Como piauiense, me sinto diminuído quando estou no Centro de Convenções de Teresina. Aquela porqueira é tudo que temos. Mas será que é o que merece a capital de um estado? Ainda mais quando ela se autodenomina de “Capital de Eventos”? Pequeno, sem estacionamento, iluminação deficiente, poltronas rasgadas e quebradas, som de taboca rachada, paredes encardidas....

Mas, ao chegar lá, me deparei com um lugar rico como o palácio indiano do Taj Mahal. Um evento que logo se vê foi feito com precariedade de recursos, mas com riqueza de boas intenções. Crianças de escolas municipais e estaduais desfilavam pelos estandes olhando os livros e respirando um ambiente cultural raro e desvalorizado por aqui.


Tirando o couro
Pela internet circula de tudo. Agora estão criando um manifesto contra o Ibama do Romildo Mafra. Eles perseguem os que fazem bolsas com couro de cobra e com couro de quiba de jacaré. Mas não ligam para o Bolsa Familia, feito com o couro da classe media brasileira.


E como tá quente!
Um amigo me enviou um e-mail interessante sobre o costume do teresinense de, na falta de assunto, reclamar que está fazendo calor. “Não fosse pleonasmo dizer que está quente, posto nunca ser frio, é, para tanto, conveniente dizer que somos inaugurais em nossos discursos - falamos de tudo, com toda gente, somos mais cosmopolitas que os nova-iorquinos e londrinos”, arrematou.
Posso até concordar com a observação desse meu amigo. Mas Deus é maravilhoso em seus mistérios. Já pensou esta Teresina com clima frio? Os maranhenses e cearenses já tinham tomado de conta. O que é bom tem que ser pra eles, que são mais sabidos.

Calcule também se nossa Teresina tivesse indústria. Se só com o esgoto doméstico já estamos matando o rio Parnaíba, com esgoto industrial ele já tava só o endereço.

Eita, mas tá cada dia mais quente, não tá?

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30/05/2008 - 08h28min

De frito de tripa de bode a caldo de carne para curar a ressaca

Nas garras do Leão

Uma pesquisa da Associação Comercial de São Paulo chegou à conclusão de que trabalhamos 148 dias no ano só para pagar impostos. Significa dizer que do dia 1º de janeiro até aqui, final de maio, trabalhei só para o governo.

Se eu adivinho que neste tempão todo eu estava trabalhando era para encher as burras dos outros, eu tinha feito greve e tinha ficado no Bar do Zé Filho, tomando cerveja. E nada seria mais justo! Se os motoristas e cobradores de ônibus, anestesistas e professores fazem greve, eu também posso fazer.

Pra que trabalhar 5 meses para ter educação, saúde e segurança se no final temos que pagar tudo novamente? No próximo ano já sei. Vou emendar o Natal, Ano-novo, carnaval e a semana santa com as festas de São João. Só vou trabalhar em julho. Em julho, não! É o mês das férias e ninguém é de ferro. Quero mais é aproveitar a Correfolia. Só vou começar a trabalhar mesmo em agosto. Pensando bem, em agosto Teresina já começa a esquentar. É melhor esperar passar todo o BR-O-BRÓ.


Choque na conta de luz

Por mais que pareça, a pesquisa paulista não é exagerada. Dei uma espiada na minha conta de energia. No pé do interruptor o governo federal cobra logo o PIS e o COFINS. A Prefeitura vem e empurra uma taxa de iluminação pública, mesmo que as ruas e avenidas estejam sempre no escuro. São cobradas ainda algumas contribuições que ninguém sabe, como uma tal de Reserva Global de Reversão e outra tal de TFSEE para cobrir os custos de funcionamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Estes encargos também são taxados sobre o consumo. Em cima de tudo isso ainda vem o governo do estado e arrocha 25% de ICMS, que na verdade vira 33%, pois incide sobre as outras taxas, impostos e contribuições já cobradas.
Arrematando: 43,7% da minha conta de energia não é energia.


Caldo fino
Nos alimentos como feijão e arroz, por exemplo, a incidência de impostos é na ordem de 40%. È como se em cada 10 caroços de feijão 4 fossem impostos.Não há caldo que engrosse com esta mistura.

O fato é que grande parte do fruto do trabalho do brasileiro cai direto nos cofres do governo. Pra quê? Para se perder no ralo da burocracia, corrupção, do desperdício, dos cartões corporativos e das campanhas eleitorais.

No Congresso, ainda falam em ressuscitar a CPMF, agora com o nome de CSS. E político ainda quer ser respeitado!


Carta ao presidente
Um brasileiro anônimo escreveu uma carta aberta ao Presidente e a fez circular pela internet. A proposta é tão interessante que vale a pena ser subscrita pelo resto da nação:

“Exmo. Sr. Presidente da República Federativa do Brasil
Manifesto meu total apoio ao seu esforço de modernização do nosso país. Como cidadão comum, não tenho muito mais a oferecer além do meu trabalho. Mas já que o tema da moda é Reforma Tributária, percebi que posso definitivamente contribuir mais.

Vou explicar: na legislação atual, pago na fonte 27,5% do meu salário. Como pode ver, sou um brasileiro afortunado. Sou obrigado a concordar que é pouco dinheiro para o governo fazer tudo aquilo que promete ao cidadão em tempo de campanha eleitoral, mesmo se juntar o valor pago por dezenas de milhões de assalariados.

Minha sugestão é invertermos os percentuais: a partir do próximo mês, o governo fica com 72,5% do meu salário. Portanto, eu receberia mensalmente apenas 27,5% do resultado do meu trabalho.

Funcionaria assim: eu fico com 27,5% limpinhos, sem qualquer ônus. O governo fica com 72,5% e leva as contas de escola, convênios médicos, despesas com dentistas, remédios, material escolar, condomínio, água, luz, telefone, energia, supermercado, gasolina, vestuário, lazer, pedágios, cultura, CPMF (se voltar), IPVA, IPTU, ISS, ICMS, IPI, PIS, COFINS, segurança, previdência privada e quaisquer taxas extras que por ventura sejam repentinamente criadas pelos poderes executivo, legislativo ou judiciário.
Assina: um trabalhador que já não sabe mais o que fazer para viver com dignidade.
Ps: Podemos negociar o percentual!”


É feliz quem come aqui!
Os grandes destinos turísticos do mundo fascinam seus visitantes também pela cozinha. Na Franca, grandes profissionais são formados na famosa escola de gastronomia “ Le Cordon Bléu” e fazem fama mundo afora. Na Espanha, o mestre da cozinha contemporânea Ferran Adriá também faz escola e atrai o interesse dos turistas. São Paulo tem também as melhores cozinhas, já que recebeu um bom legado com a imigração no século passado.

A ministra Marta Suplicy, em visita ao Piauí, prometeu nos ajudar a incrementar o turismo por estas bandas.Como quem fica parado é poste, resolvi cair em campo e fiz uma análise gastronômica das melhores cozinhas da nossa cidade. Aí vai a relação: carneiro ao molho, no Restaurante da Dona Lurdes, no mercado da Vermelha, onde funcionava o Cabaré do Verdurinha; panelada com arroz branco, no Restaurante Gurguéia, no início da Barão; picanha com farofa, no Bar Coluna do Meio, no Bela Vista; carne de sol caseira, no Restaurante da Dona Ana, de junto da igreja do Sacy; peixe ao molho, no Clube VTS, na João Cabral, chegando na Paissandu; assado de panela, na Barraca da Dona Maria, com frente ao balão do Mocambinho; língua ao molho, no Bar da Karla, por detrás do Teresina Shopping; mão de vaca, no Bar do Baxim, próximo à entrada do João Emílio Falcão; galinha da Paixão, no Mercado da Piçarra; leitão ao molho, no Telê, na rua da delegacia da Vermelha; Tambaqui do Didi, na Vila Operária, emparelhado ao antigo Volta Redonda; calderada de camarão, no Bar do Daniel, na Higino Cunha; frito de tripa de bode, no Bar do João, opegado à caixa d’água do Parque Piauí; e pra curar a ressaca o melhor da cidade é o caldo de carne do Bar do Ceará, xis com o Mercado do Mafuá.



Danilo Damásio
Empresário
damasio.danilo@yahoo.com.br

O livro “O Encomendador de Almas” está à venda nas Livrarias Universitária e Piauiense e nas Bancas do Tomaz (Praça João Luís Ferreira) e do Aeroporto
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23/05/2008 - 09h13min

Danilo Damásio - Só pra cumprir tabela. Não recomendo a leitura

Roberto Carlos e seus tons

Na MPB, ninguém cantou o amor como Roberto Carlos. Da dor de cotovelo ao amor platônico, passando pelo pulsante amor carnal. Para quem está sofrendo as dores do amor, ouvi-lo é quase um convite ao suicídio. Músicas como “Proposta: Eu te proponho nós nos amarmos, nos entregarmos”...ou “Só vou se você for: Cada coisa que eu dizia era sempre o que você queria ouvir, eu queria e você dava sem eu pedir...”
Foi acusado de plágio algumas vezes. Eu até acredito que as acusações foram verdadeiras. É difícil acreditar que o autor de “Detalhes” foi o mesmo da “Mulher gordinha”, da “Mulher pequena” e da “Mulher de óculos”, entre outras porcarias que ele tem gravado.
O certo é que estes percalços não diminuíram a majestade do Rei.

Os amigos do homem

Em uma de suas músicas – “Eu quero apenas”- no refrão o Rei canta que quer ter um milhão de amigos. Sei não, Seu Roberto Carlos. Um milhão é muito! Eu queria ter só alguns, e de preferência que nenhum deles fosse também amigo do Lula! Os amigos do homem que não acabam como ladrões, acabam como incompetentes.
É só observar a Benedita da Silva, o Zé Dirceu, o Palocci, o Gushiken, o boa-praça Ricardo Kotscho, o venerando Frei Beto e agora a Marina Silva!
A parábola bíblica do filho pródigo mostra bem que quem se junta com porcos, farelos come.


Didi Mocó

Tem gente besta pra tudo. O humorista Shaolim, do Show do Tom na Rede Record, esteve em Teresina fazendo duas apresentações no Teatro 4 de Setembro. Casa cheia nos dois dias!
Na semana anterior, o humorista João Cláudio fez também dois shows no mesmo teatro com o requentado “O dia em que Mão Santa perdeu o emprego”. Casa cheia também.
Agora eu pergunto ao leitor? Pra quê mesmo sair de casa para assistir show de humor? Ora, eu prefiro assistir a TV Senado, a TV Câmara e agora a TV Assembléia. Os humoristas são poucos nos palcos. Nas TV´s públicas eles são tantos que dão de olé. E fica muito mais cômodo pra quem anda atrás de gaiatice.
Agora, é verdade também que são os shows de humor mais caros do planeta: milhões e milhões de reais. E bota milhão nisso!


Sabedoria a 1 real.

Passei esta semana no Seu Abraão para tomar um suco de cajá com pão massa fina. Eram 10 horas da manhã e o balcão estava cheio. A minha conta deu 1 real batido: 75 centavos do suco e 25 do pão. Eu estava satisfeito. Primeiro pelo lanche, que é uma delícia. Depois, pelo preço. Já estava recebendo o meu troco quando entrou um cidadão e dirigiu-se ao velho Abraão e, com reverência, pediu-lhe a benção. O velho agarrou-lhe a mão que já estava estendida e disse-lhe: “Não me considero capaz de abençoar um semelhante, mas peço a Deus que a humildade que você traz no coração lhe sirva para construir um castelo para a sua alma na eternidade.”
Eita real bem aplicado!


O que foi felicidade...

Do meu tempo de antigamente, de muitas coisas eu sinto saudades. Jogar peteca no casa ou bila; jogar triângulo com raio de bicicleta; comer pão com ki-suco de uva; amassar arroz cozido com feijão e farinha com a mão e botar na boca feito capitão; pegar passarinho com visgo de chiclete e leite de jaca; empinar papagaio com cerol; juntar dinheiro de carteira de cigarro vazia; atirar de baladeira em calango; cortar o rabo de lagartixa e ver ele se mexendo- dizem que xingando a mãe da gente; curiar mulher nua tomando banho; fazer cavalo com talo de carnaúba e cabresto de embira; ter uma fazenda de jatobá no quintal lá de casa, sendo o curral construído de pau de picolé da Maguary Kibon; comer sirigüela com condimento Pilão, assistir shows no Verdão, pescar nas provas do Colégio Diocesano e dançar ao som do trepidante Xaxá e os Geniais de Amarante.

...me mata agora de saudade.

Também sinto saudades de gravar fita cassete com músicas pra lá de invocadas como: Rebôco da parede da paixão, do Carlos André; Ciganinha e Feiticeira do Carlos Alexandre; De quem é esse jegue e Ela deu o rádio, do Genival Lacerda; Forró número um e Deixa a tanga voar do Luis Gonzaga; Julieta do Sandro Becker; No toca-fitas do meu carro do Bartô Galeno; Ovelha desgarrada, da ferinha Francis Dalva; A lua, do Hilton Vargas; e muitos outros sucessos do cancioneiro popular que hoje chamam de brega.
Tenho Saudades também do tempo em que o mês de maio era o singelo mês das flores, das mães e das noivas. Já há alguns anos o mês de maio entrou para o calendário como o mês da greve nos ônibus. Neste ano, fez par com a greve dos professores e a “via crucis” para o funcionamento do Pronto Socorro Municipal.
Roberto Carlos estava certo: “Velhos tempos, belos dias!”


Danilo Damásio
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O livro “O Encomendador de Almas” está à venda nas Livrarias Universitária e Piauiense e nas Bancas do Tomaz (Praça João Luís Ferreira) e do Aeroporto
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16/05/2008 - 08h36min

Danilo Damásio - Toda terra tem um santo. No Piauí, tá de greve

O santo protetor
Um poeta popular nordestino, o Chico Pedrosa, filosofou, certa vez, que no céu existe um quartinho onde ficam os santos protetores de todos os povos. E lá são milhares as telas, fios, botões e interruptores. São Pedro escolhe o santo de acordo com a necessidade de cada povo. Quando a terra é ruim, coloca um santo bom, valente e competente. Quando a terra é boa, não precisa de santo protetor. O que é bom por si só se desenvolve.

Quando o Piauí foi criado, São Pedro olhou lá de cima e, ao avistar uma grande área de cerrado, o Rio Parnaíba cortando as várzeas e chapadas de Sul a Norte e muitos afluentes perenes, além de um litoral belo, com água quente o ano inteiro, se despreocupou.

Para quase todos os estados do Nordeste, só botou santo porreta. E foi ajeitando os estados do pior para o melhor. Para o Maranhão, colocou São Sarney. Para o Ceará, despachou logo dois santos: São Tasso e São Ciro. Para o Pernambuco mandou São Marco Maciel e outros ajudantes. E saiu distribuindo o que de mais alado tinha no céu. Quando chegou a vez do Piauí, que São Pedro julgava uma terra boa, despachou só o arributái da santidade. Uns santinhos que estavam lá pelos cantos do céu, encostados por incompetência ou mesmo por falta de coragem.


O santo tá de greve
Esta semana o noticiário local dá conta de que a nossa Cepisa será administrada diretamente pela Eletrobrás. Para isso a diretoria local será demitida e a administração centralizada a partir do Rio de Janeiro.

Ora, se administrada daqui a Cepisa já é um poço de ineficiência, que dirá agora a partir daquele fim de mundo e nós aqui só dependurado no telefone pedindo socorro ao 0800.

Será que passa pela cabeça de alguém que se a Cepisa fosse do Ceará, Maranhão ou Pernambuco nos santos de lá deixariam que isso acontecesse? Somente praga dos céus e desprezo do nosso anjo protetor para explicar as coisas do Piauí.
Baco, babaco, babaquice

Na Grécia antiga, Dionísio era o Deus do vinho. Seu equivalente romano era Baco. Acredito que daí vem o nome "babaca".

Outro não pode ser o adjetivo para quem senta à mesa de bares e restaurantes e deita a falar de vinhos com ar superior e professoral. E haja analisar a rolha, e colocar a taça contra a luz, e bocejar, e cheirar, sacodir a taça e vira o cão. Não há quem agüente! Aí começa falar de um tal de custo-benefício do vinho, de safra, de acondicionamento, envasilhamento, de decantação e de um monte de babaquices mais.

Não há trejeito maior de novoriquismo do que esse de esnobar conhecimento sobre vinhos. Vinho é uma bebida como outra qualquer, com simplicidade e complexidade. A cerveja, por exemplo, tem uma mistura fantástica de ingredientes como lúpulo e cevada. O Whisky tem muitas misturas de maltes. A nossa cachaça Mangueira não é diferente. Mas os babacas miram no assunto de vinho, ficam tontos, se babam, arrotam, cospem a gente todo e não se mancam.



Expert sou eu!
Pra me vingar desses chatos, quero, de público, me declarar um profundo conhecedor de água, a mais agradável de todas as bebidas. Começa pela composição química: duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio, resumida na fórmula H2O. Se acrescentarmos mais uma molécula de oxigênio, ficando a formula H2O2, vira peróxido de hidrogênio, mais conhecida entre os pobres de intelecto como água oxigenada. Não é, padre Florêncio?

E água não é insípida, ou seja, sem gosto, como aprendemos nos bancos escolares. Pra começa, tem água que é doce e água que é salgada. Tem água quem tem gosto de cabaça. Outras, de pote. Outras, de côco. Outras, de gás. Se guardar na geladeira, fica com gosto de plástico. Tem também gosto de barro e de cloro. Muitos são os sabores da água. Apesar de expert no assunto, não fico por aí nem por aqui me exibindo. Por isso, não vou nem falar das mil e uma utilidades da água, nem mesmo daquela que passarinho não bebe e tubarão não nada. Seus babacas do vinho, vão ser chatos assim na caixa-prega!

Ainda a sogra
A celeuma em torno da viagem da sogra do Cid Gomes para a Europa ainda rende. As revistas Isto É e Veja não largam o pé do homem. Entretanto, os entendidos de esclepcência, conjuminância, hermenêutica, filosofância e colpicitologia dizem que o governador não errou só quando levou a sogra para a Europa. Erro grande mesmo e imperdoável foi ter trazido a velha de volta. Errar uma vez é normal. Errar duas é de Sobral.

E agora, doutor?
O dr. Anchieta Cortez, médico respeitadíssimo na capital, me disse certa vez que não confia no homem que não gosta de música. Ouvi as lições do mestre e instalei um bom toca-cd com rádio no meu carro. Ando por aí pra cima e pra baixo ouvindo música. E tenho ouvido muitas pérolas do cancioneiro popular. No carnaval, fez sucesso a "beber, cair e levantar". Depois veio o "fenômeno" do créu. Aí, dia desses, escutei a música do "na tua boca eu viro fruta, chupa que é de uva". Semana passada, escutei o "carro de apaixonado tem que ter um som, pra chegar no calçadão e abrir o som". Ontem, escutei o " tchaca, tchaca, vuco, vuco, será que você agüenta? Senta que é de menta, senta que é de menta...".

Amigo dr. Anchieta, será bom eu jogar fora o diabo deste rádio?

Danilo Damásio
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15/05/2008 - 12h02min

Lula-lá no Piauí de novo; Sim, e essa 'Ponte Relaxa e Goza'?

Adolf Hitler passou para a história por ter exterminado 6 milhões de inocentes em nome de um devaneio de purismo de raças.

Mas eis que apareceu uma moça em sua vida, chamada Eva Brown. Apaixonou-se por ela e em um belo dia, 28 de abril, casou-se em um buncker de Berlim. Os maldosos dizem que neste dia a natureza vingou-se dele, já que ganhou também uma sogra.

Eis um dos motivos para o Dia da Sogra ser comemorado a 28 de abril, no mundo inteiro.


A sogra da boca dos outros

O sambista Bezerra da Silva também "homenageou" a sogra dele em uma música: "Sequestraram minha sogra/ que pena do seqüestrador/ em vez de eu pagar o resgate/ foi ele quem me pagou..."

A poesia popular está repleta de chistes com as sogras. Teve um poeta que escreveu: "Vi uma cena engraçada/ lá na Praça da Matriz/ o genro dando na sogra/ e o povo pedindo bis". Outro gaiato espalhou: "Sogra é como onça pintada: todo mundo quer preservar, mas ninguém quer ter em casa".

Pessoas fracassadas reputam serem as sogras responsáveis únicas e diretas por toda sorte de desgraça no mundo. Eu não acho. Sou defensor número um delas. A melhor de todas, lógico, é a sogra da minha esposa. A minha sogra vem logo em seguida como uma segunda mãe que Deus me deu.


Movimento das sogras

Presente semelhante ao que eu ganhei, Deus deu também ao governador do Ceará, Cid Gomes. Ele viajou para a Europa e levou a tira-colo a sogrinha dele. Nada mais justo! Agora pronto! O mundo está para desabar na cabeça do coitado. Tudo coisa de gente mal amada e mal casada. E quem foi mesmo que disse que sogra é igual a trator, que só serve para trabalho, mas é ruim de passeio?

Conclamo a todas as sogras do país a fazerem um levante em defesa do Cid Gomes por ter prestigiado a sogra. Aquilo é que é genro! Eu quero fazer um manifesto ainda maior. Pretendo lançar uma campanha aqui no Piauí, com direito a abaixo-assinado, outdoors, jornal, rádio e televisão. E será do mesmo jeitim e tamanho dessa que o Paraíba está lançando para festejar 50 anos. Meu plano é impedir que o governador Wellington Dias viaje para qualquer canto do Brasil ou do mundo sem levar a sogra dele junto.

Veja se não tô certo: o Wellington vive no mundo, pra lá e pra cá, e não traz uma arruela para o Piauí. O Cid leva a sogra pra todo canto e traz siderúrgica, indústrias, turismo e verbas federais para o seu Ceará. O segredo é a sogra. Sogra dá sorte. Tenho certeza disso!

Cabeça de jacaré

Tenho o apaixonador raso. Quando conheço pessoas e coisas que me tocam, vou logo me apaixonando. Mais raso mesmo é meu esquecedor. É me apaixonando num dia e me esquecendo no outro. Coisa de geminiano, segundo o horóscopo.

Já me apaixonei perdidamente por briga de galo, jogo de porrinha, soltar papagaio, pelo Balão Mágico, pela Xuxa, pelo Big Brother, pelo Juvenal Antena da novela das 8 e por um monte de outras coisas que eu já nem me lembro mais.

Fui apaixonado por Wall Ferraz, pelo trabalho que ele fez como prefeito. Depois, me apaixonei pelo Firmino e já esqueci dele faz é tempo; aí me apaixonei pelo Sílvio Mendes. Nem acabou o primeiro mandato do homem e eu já tô num pé e noutro pra me esquecer dele também. Agora tem um ex-prefeito de Teresina que não há um dia em minha vida pra eu não lembrar dele pelo menos umas quatro vezes: Chico Gerardo.

Quando eu entro num calçamento "cabeça-de-jacaré" e meus peitos começam a balançar dentro da camisa, meu bucho se sacode todo por cima do cós da calça e meu carro começa a trelar, da suspensão, passando pela lataria até o painel, quem me vem a cabeça? Ele, claro! O inesquecível e inoxidável Chico Gerardo. Se ele soubesse o que eu tenho vontade de fazer com ele nessas horas, não saía de casa sem se benzer três vezes: e é cruz! e é cruz! e é cruz!


Ponte "Relaxa e Goza"

Lá vem o Lula-lá novamente ao Piauí, para inaugurar a finalmente concluída obra do Pronto-Socorro Municipal. Sugiro ao prefeito que leve também o presidente para ver a Ponte do Sesquicentenário. Dias atrás, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, veio aqui e prometeu dinheiro para retomar e concluir a obra. Mal chegou em Brasília, desprometeu. E a obra ficou como está: mais parada do que água de poço.

Depois da visita da platinada ministra e do descrédito geral da população em ver a obra concluída, já estão apelidando o cotôco de ponte que está lá de "Ponte Relaxa e Goza".

Eu, que não sou besta, já estou espalhando para os turistas que aqui chegam que aquilo lá é um trampolim pra gente tirar tainha no rio. Não está sendo usado por estes dias porque o Poti baixou muito. Ora, e eu vou lá dizer que o Piauí, com governador do PT e tudo, políticos de projeção nacional, como Ciro Nogueira, Mussa Demes, Heráclito Fortes, dentre outros, não tem interesse político de alavancar recursos para uma obrinha dessas?


Ronaldinho, o fenômeno

Deus me livre do caminhão da Coca-Cola, do ônibus da Transcol, de cair em desgraça com colunista social, da língua do Mão Santa, da escuta do Robert Rios, da caneta pesada do conselheiro Luciano Nunes, da mão do Ubiraci Carvalho depois de coçar o fim do espinhaço e da boca amaldiçoada que jogou praga no Ronaldinho Fenômeno.

Depois de ter sido eleito o melhor do mundo algumas vezes e de ter namorado com algumas das ninfetas mais cobiçadas do país, o craque quebrou o joelho e é suspeito de ter mudado de posição para engatar a ré.

Vade retro!



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15/05/2008 - 11h57min

Assis candidato a governador?! Diabo é quem dúvida, não eu!

João Cláudio e eu

O humorista João Cláudio é um orgulho para nossa terra e para o nosso povo. Cultura para dar e vender. E doidice também.

Segundo o Zé Dantas, que trabalha com ele, infeliz da pessoa que gostar do João. Ele marca como sem falta e falta como sem dúvida. Não atende ligação e muito menos retorna telefonema. Sem contar que se esconde por mais da metade do mês.

Senti isso na pele quando fui lançar meu livro. Caí na besteira de pedir ao João que fizesse o prefácio. Ele aceitou na hora e me enrolou por meses. Enquanto existia "amanhã", ele estava prometendo me entregar o seu texto. E ele que me matava de rir com suas coisas engraçadas e inteligentes, dessa vez me matou no cansaço.

Infeliz de quem gosta de doido. E eu gosto dele, mesmo assim.


Vossa Excelência

E por falar em João Cláudio, é ele querendo sair da política, e eu querendo é entrar.

Semana passada, eu assistia à TV Senado e achei bonito o tratamento entre os senadores, mesmo quando eles brigavam uns com os outros. Lá tanto fazia o Pedro Simon, o Jéferson Perez ou o Jader Barbalho, todos eram chamados imponentemente de Vossa Excelência. Mudei para a TV Câmara. Pois não é que lá tanto o Frank Aguiar como o Clodovil eram Vossa Excelência também!

Fiquei impressionado. Comentando com um amigo, ele me disse que por aqui a pisada é a mesma. Na Assembléia, tanto faz ser a Flora, o João Madison, o Tererê, o Ubiraci, tudo é Vossa Excelência. Na Câmara dos Vereadores são Vossa Excelência desde o Ferreira, que é o presidente, até o Sebim, passando pelo Valdinar Pereira, o Odali, o Fernando Said e todos os outros.


Assis governador

A Prefeitura de Teresina prometeu entregar o Shopping do Camelô em outubro deste ano. Você acreditou? Nem eu!

A ministra do Turismo, Marta Relaxa e Goza Suplicy Favre, esteve em Teresina e prometeu a conclusão da ponte do sesquicentenário. Você acreditou? Nem eu!

O ministro Pedro Brito teve aqui e prometeu dinheiro para a conclusão do Porto de Luis Correia. Você acreditou? Nem eu!

O Hospital Universitário já consumiu mais de 60 milhões de reais e nunca funcionou plenamente. Agora estão dizendo que vão fazer uma reforma e que daqui a um ano ele funciona. Você acreditou? Nem eu!

O governador Wellington Dias disse esta semana que o Assis Carvalho do Detran, ou melhor, da Agespisa, ou melhor, da Secretaria de Saúde, pode ser o candidato do PT à sua sucessão. Você acreditou? Pois o diabo é quem dúvida, não eu!



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